PRAIA DA VITÓRIA
Praia da Vitória
Aspectos Geográficos
O concelho da Praia da Vitória localiza-se na ilha Terceira, ilha pertencente ao grupo central do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a sudoeste por Angra do Heroísmo, ocupando uma superfície de 162,3 km2, distribuída por 11 freguesias: Agualva; Biscoitos; Cabo da Praia; Fonte do Bastardo; Fontinhas; Lajes; Quatro Ribeiras; Santa Cruz; São Brás e Vila Nova.
Em 2001, o concelho apresentava 20 252 habitantes.
O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras Seca, das Pedras e dos Pães. O relevo é caracterizado por basaltos, materiais de projecção e andesitos, sendo constituído por várias formações geológicas, nomeadamente: ilhéu do Norte, Servidão (369 m), Pico Alto (808 m), Ponta da Má Merenda, Baía do Zimbral e Ponta da Serra das Lajes.
História e Monumentos
Inicialmente designada por Praia, foi uma das primeiras povoações e sede da capitania da ilha Terceira, a terceira ilha a ser descoberta. O povoamento da Terceira começou entre 1456 e 1474.
Desde o início, a vila dedicou-se à agricultura e exportação de pastel. O seu porto também contribuiu para o desenvolvimento económico do concelho, dada a sua localização estratégica nas rotas comerciais marítimas, tornando-se entreposto de especiarias do Oriente e metais preciosos da América.
A povoação viveu uma época de prosperidade durante os séculos XV e XVI.
Em 1580 travou-se a Batalha da Salga, que ficou conhecida pela estratégia de usar gado bravo para encurralar o inimigo. Em 1582, D. António Prior do Crato foi aclamado rei quando desembarcou na vila. No entanto, a ilha acabou por ser ocupada pelos espanhóis, tendo sido o último território a render-se. Depois da Restauração da Independência de Portugal, Praia tornou-se vila em 1640.
No século XIX, participou activamente nas lutas liberais, tomando o partido dos liberais e derrotando uma armada miguelista de 21 embarcações em 1829. A ilha tornou-se então na principal base dos liberais. Em 1832, a armada partiu em direcção ao Mindelo, proclamando a Carta Constitucional. Em 1837 foi acrescentado Vitória ao nome da vila, em memória da resistência e vitória dos liberais açorianos sobre os absolutistas em 1829.
Um violento sismo em 1841 destruiu parcialmente a vila, contudo esta não perdeu a sua importância económica e continuou a desenvolver-se.
Em finais do século XIX e início do século XX, Praia da Vitória passou uma fase de baixo protagonismo. A construção do novo porto atlântico e do aeroporto militar e comercial das Lajes, o principal do Açores, contribuíram significativamente para o relançamento do desenvolvimento no concelho. Em 1981 é elevada a cidade.
Do património arquitectónico do concelho destaca-se a igreja matriz, fundada em 1456, e que foi alvo de várias reconstruções devido a abalos sísmicos, conservando apesar disso os pórticos ogivais, a rosácea, a abóbada e as capelas manuelinas. De referir também várias outras igrejas e conventos, nomeadamente as ruínas do Convento de São Francisco (1450), a Igreja do Senhor Santo Cristo (século XVI), a Igreja de S. Mateus (século XIX-XX), a Igreja de Nossa Senhora da Luz (século XVI) e a Igreja de S. Sebastião (século XV). Os edifícios da Casa do Espanhol (séculos XVI-XVII), que remontam à ocupação espanhola, o Hospital dos Lázaros (1520), a Santa Casa da Misericórdia (1492) e os Paços do Concelho (século XVI), com uma torre sineira, constituem pontos de interesse do concelho.
De natureza militar, destacam-se vários fortes: o Forte de Santa Catarina, o Forte das Chagas, o Forte do Espírito Santo, o Forte Grande e o Forte Negrito, sendo estes dois últimos edificados no século XVI como defesa contra a invasão espanhola.
Tradições, Lendas e Curiosidades
A actividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo, celebradas em praticamente todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que pediam a protecção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o ceptro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. As festas são-joaninas ou festas da cidade decorrem de 23 a 29 de Junho, em que se celebram os Santos Populares: Santo António, São João e São Pedro. Estas festas incluem as touradas à corda típicas da Terceira e um cortejo etnográfico com alfaia agrícolas e trajes tradicionais. As touradas à corda foi uma tradição levada pelos espanhóis, que remonta ao século XVI, em que as investidas do touro são controladas por cordas que prendem o animal. Destaque também para o Carnaval, que inclui as "Danças do Entrudo".
A nível de artesanato destacam-se as colchas de tear manual, os bordados em linho com motivos tradicionais e as rendas, as flores artificiais, os barretes de pastor típicos, chinelos garridos, violas de arame, esculturas e objectos em diversos materiais, nomeadamente dente e osso de baleia, chifre de bovino, cedro, barro e vime.
Ainda no aspecto cultural, é de referir o Museu do Vinho, onde se explica o método de produção do verdelho, o vinho típico dos Açores que chegou a ser exportado para a corte russa.
A história da Batalha da Salga está ligada a este concelho: em 1581, a armada espanhola desembarcou de madrugada na baía de Salga com o objectivo de ocupar a ilha. Um vigia da população da ilha deu o alarme, contudo os espanhóis eram em grande número e já haviam começado o saque. A população opôs-se aos invasores, incluindo as mulheres, entre as quais se distinguiu a jovem Brianda Pereira. A batalha prolongou-se pela manhã, até que o Frei Pedra pensou na estratégia de usar o gado bravo contra os atacantes para os dispersar. A ideia resultou, os espanhóis foram empurrados para o mar, ficando encurralados e a maior parte deles morreu na luta ou afogados enquanto tentavam chegar aos seus barcos.
Economia
Praia da Vitória é um concelho dedicado essencialmente ao sector primário, em que 48,1% da área do concelho se destina à exploração agrícola. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, a horta familiar, as culturas permanentes de citrinos, frutos frescos e vinha, os prados, pastagens permanentes e os prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos, os suínos e as aves constituem as principais espécies de criação de gado.
A região apresenta uma densidade florestal de 21%, que corresponde a uma área de 166 ha, salientando-se as espécies cedros, zimbros e loureiros.
A indústria existente no concelho baseia-se nos produtos criados no território. No sector secundário destaca-se a indústria dos lacticínios.
As principais actividades e atracções turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha consistem em passeios, visitas guiadas às grutas, zonas balneares, mergulho, pesca, golfe, prática de vela, de windsurf, de esqui aquático e de escaladas.
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