LAMEGO
Lamego
Aspectos Geográficos
O concelho de Lamego ocupa uma área de 165,5 km2 e abrange 24 freguesias: Almacave; Avões; Bigorne; Britiande; Cambres; Cepões; Ferreirim; Ferreiros de Avões; Figueira; Lalim; Lazarim; Magueija; Meijinhos; Melcões; Parada do Bispo; Penajóia; Penude; Pretarouca; Samodães; Sande; Sé; Valdigem; Várzea de Abrunhais e Vila Nova de Souto D'El-Rei.
Este concelho apresentava, em 2001, um total de 28 081 habitantes.
O concelho encontra-se limitado a norte pelo concelho de Vila Real, a oeste por Resende, a sul por Castro Daire e Tarouca e a este por Armamar.
Possui um clima marítimo de transição e/ ou de climas diferenciados, consoante a disposição topográfica e o gradiente térmico as temperaturas serão mais elevadas nas áreas de menor altitude, assim como será mais chuvoso nos lugares cujas vertentes estejam voltadas a poente.
A sua morfologia é acidentada, destacando-se como áreas de maior altitude a serra do Poio (1071 m), São Domingos (735 m), Fonte da Mesa (1122 m) e Meijinhos (976 m).
Como recursos hídricos, referem-se o rio Cabril, o rio Varosa, o rio Balsemão e o rio Douro.


História e Monumentos
A génese e história deste concelho parece estarem ligadas aos Celtas, dado que já seria uma povoação importante no século IV a. C.. Em 569, as terras foram ocupadas pelos Suevos e sabe-se que, no primeiro quartel do século XVII, o rei visigodo Sisebuto já nelas cunhava moeda.
Durante quatro séculos Lamego foi sendo reconquistada, sucessivamente, pelos Cristãos e pelos Árabes. Durante a ocupação árabe foi sede de um valiato de fronteira e a 29 de Novembro de 1057 as terras foram reconquistadas definitivamente por Fernão Magno.
Em 1071, com a restauração da diocese de Lamego, passam a existir alcaides, um dos quais foi Egas Moniz, que empreendeu o repovoamento do Ribadouro. Foi concedida a Lamego a carta de couto por D. Sancho I, em 1191.
Até ao século XVI, reinado de D. Dinis, conheceram um grande desenvolvimento, contudo, depois com os nobres conheceu o declínio, reduzindo-se a uma aldeia de 1500 habitantes.
Em Julho de 1555, D. Manuel concedeu foral novo a Lamego, após o qual a povoação começou, de novo, a desenvolver-se.
Posteriormente, foi alvo de uma reforma liberal.
A nível do património arquitectónico, destacam-se a Capela de Nossa Senhora da Esperança, fundada em 1586 pelo padre Francisco Gonçalves, cujo interior é decorado com azulejos e talha do século XVIII, existindo aí uma preciosa escultura em pedra ançã de Nossa Senhora da Esperança (século XVI). A Capela de Nossa Senhora dos Meninos foi mandada edificar pelo bispo de Lamego, D. Manuel de Noronha, em 1555. O interior foi azulejado e enriquecido de talha e ensamblagem nos séculos XVII e XVIII. As grades de pau-preto são da autoria do ensamblador lamecense Manuel de Sousa.
Destaca-se ainda a Capela de São Pedro de Balsemão, que é um templo suevo-bizantino do século VII, único no país. Nos séculos XVII e XVIII, as obras de remodelação alteraram a sua feição primitiva. Estrutura de três naves com capela-mor, alberga no seu interior duas peças notáveis: o túmulo do bispo D. Afonso Pires (século XIV) e Nossa Senhora do Ó (escultura em pedra de ançã do século XIV).
A Capela do Espírito Santo é do século XVI sendo também fundada pelo bispo de Lamego, D. Manuel de Noronha. No exterior, encontra-se o brasão do bispo fundador, cravado no cunhal do lado esquerdo.
O Castelo de Lamego é uma construção do século XII, onde se salienta a alcáçova com a torre de menagem e as duas portas (Porta do Fogo e Porta do Sol), definindo estas a estrutura da muralha do primitivo burgo. A cisterna é uma esplêndida construção de silharia rectangular, unida, siglada, abobadada e com a volta das ogivas sustentada por cintas grossas que se estribam em pilares, o que lhe dá o aspecto de uma catedral da época. A Igreja de Santa era um mosteiro do século XVII, que pertenceu aos frades lóios ou cónegos de S. João Baptista - foi o mais importante de Lamego durante o século XVIII. O seu interior possui ricos pormenores de arte dos séculos XVII e XVIII e uma valiosa decoração de azulejaria atribuída à família Bernardes. De realce, os túmulos de dois ilustres lamecenses: o bispo D. João de Brito de Vasconcelos e D. Manuel Pinto da Fonseca.
A Igreja de Santa Maria de Almacave é um templo de construção românica da segunda metade do século XII. Conserva da fundação primitiva o portal românico, com três arquivoltas e faixa axadrezada, as portas laterais e os lintéis. O seu interior foi profundamente alterado no século XVIII e enriquecido com azulejos e talha dourada nos altares. Merece especial atenção pela tradição das primeiras Cortes de Portugal, que aí se terão realizado nos primeiros tempos da Nação.
A Igreja de Santo António, da qual foram fundadores os últimos condes de Marialva. A escritura da doação do terreno necessária para a construção data de 1425. A torre é anterior, construção do fim do século XIV. A porta principal, se bem que construída no reinado de D. João III, pertence ao ciclo quinhentista do gótico naturalístico.
A Igreja do Desterro, que foi fundada em 1640, pelo bailio de Leça, D. Frei Luís de Távora, transformou a primitiva ermida aí existente. O interior é revestido a talha do século XVIII, obra dos mestres entalhadores lamecenses Manuel Martins, Manuel de Gouveia e Manuel Machado. As pinturas existentes no corpo da capela representam a Anunciação, Adoração dos Reis Magos, Adoração dos Pastores e Apresentação no Templo.
Finalmente, a Sé Catedral de Lamego, que é um edifício do século XIII, românico, marcado pelas alterações efectuadas nos séculos XVI e XVIII. Destaca-se a fachada manuelina onde se conjugam elementos do gótico flamejante e do renascimento, o claustro renascentista e a linguagem decorativa barroca de Nicolau Nasoni (século XVIII).


Tradições, Lendas e Curiosidades
Das manifestações populares e culturais são de destacar a 8 de Setembro o feriado municipal, a festa de Nossa Senhora dos Aflitos no primeiro domingo de Julho, a festa da Senhora do Amparo no segundo domingo de Julho, a de Nossa Senhora dos Meninos no terceiro domingo de Setembro, a de S. João realizada a 24 de Junho, a romaria de Portugal/Nossa Senhora dos Remédios, que decorre entre 22 de Agosto e 9 de Setembro, a festa de S. Lázaro, 15 dias antes da Páscoa, e a de S. Pedro de Balsemão, realizada a 29 de Junho.
A nível de artesanato merecem referência: os meiotes de lã de ovelha, os tamancos de pau, as coroças e as polainas de junco.
Como instalação cultural, destaca-se o Museu de Lamego, fundado em 1917, sediado num magnífico edifício do século XVIII e que foi Paço dos Bispos de Lamego. Este museu expõe uma colecção importante de tapeçaria flamenga do século XVI, pintura dos séculos XVI a XVIII, com maior relevo para o mestre Vasco Fernandes (Grão-Vasco), escultura, mobiliário, cerâmica, paramentaria, arqueologia, azulejaria, ourivesaria, talha dourada (séculos XVII e XVIII) e uma magnífica colecção de arte sacra nas quatro capelas do Convento das Chagas.
Como personalidades naturais do concelho são de referir Fernando Martins de Carvalho (1872-1946), que foi jurista, o visconde de Guedes Teixeira, que foi o presidente do município e projectou o novo Hospital de Lamego, e o arquitecto Augusto de Matos Cid, que elaborou vários projectos para edifícios de Lamego, nomeadamente o mercado, no século XIX.


Economia
No concelho predominam claramente as actividades ligadas ao sector terciário, seguindo-se os sectores secundário, na área da indústria de carnes (presunto), móveis e madeiras, e o primário, relativamente próximos.
No que se refere à actividade agrícola destacam-se os cultivos de cereais para grão, horta familiar, frutos frescos, olival, vinha; prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de ovinos, coelhos e aves. Cerca de 19% (940 ha) do seu território são cobertos de floresta.
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