Reg. Aut. dos AÇORES / Azores - Portugal (compilação)
A Região Autónoma dos Açores situa-se no oceano Atlântico, a oeste de Portugal Continental, de onde dista cerca de 1500 km.
Os Açores constituem um arquipélago composto por três grupos de ilhas: ocidental (Flores e Corvo), central (Faial, Pico, São Jorge, Graciosa e Terceira) e oriental (São Miguel e Santa Maria).
No seu conjunto, as ilhas possuem uma área de 2314 km2 e a distância extrema entre si chega a atingir 600 km (entre as ilhas do Corvo, mais a noroeste, e de Santa Maria, mais a sudeste).
Parte emersa da dorsal média do Atlântico, uma enorme cordilheira submarina na zona de contacto das placas americana, eurasiática e africana, os Açores apresentam um relevo de origem vulcânica bastante acidentado, com picos elevados e, no interior de algumas ilhas, caldeiras, formadas pelo abatimento da parte central dos aparelhos vulcânicos.
O ponto culminante do território português, o pico do Pico (2351 m) encontra-se na ilha do mesmo nome.

O carácter relativamente recente e activo do vulcanismo açoriano, cuja última grande manifestação ocorreu em 1957, na erupção dos Capelinhos, na ilha do Faial, traduz-se ainda na ocorrência de numerosas nascentes termais, géiseres, fumarolas e sulfataras, a que associa também a elevada sismicidade do arquipélago.
O clima dos Açores sofre a influência moderadora do oceano, pelo que as variações da temperatura e da precipitação não são muito apreciáveis ao longo do ano.
A influência do anticiclone, cuja relativa permanência sobre o arquipélago conduziu a que tomasse o seu nome, a acção dos ventos de oeste e das perturbações da frente polar constituem os principais factores que condicionam o clima açoriano.
Simultaneamente, a altitude e orientação do relevo exercem um efeito sobre a variação dos valores da precipitação e da temperatura.
Por comparação entre as várias ilhas, não se registam diferenças significativas quanto à temperatura média anual, embora a precipitação registe uma tendência para aumentar à medida que se caminha de sudeste para noroeste.
A título de exemplo, indicam-se os valores médios anuais da temperatura e da precipitação para uma estação meteorológica de cada grupo: Ponta Delgada, São Miguel, 17,4ºC e 959 mm; Horta, Faial, 17,6ºC e 1027 mm; Santa Cruz das Flores, Flores, 17,8ºC e 1430 mm.

A reduzida dimensão das ilhas apenas permite a ocorrência de ribeiras, mas, em termos hidrográficos, há a destacar também as lagoas formadas nas caldeiras, algumas delas enfrentando problemas de eutrofização (excesso de matéria orgânica).

A população da Região Autónoma dos Açores registava, em 1991, cerca de 237 800 habitantes, valor que correspondeu a uma diminuição de aproximadamente 5600 habitantes, por comparação com o censo de 1981.
Uma vez que as ilhas registam diferenças consideráveis de área, desde o Corvo (17 km2) a São Miguel (747 km2), a comparação da densidade populacional permite uma visão mais aproximada da distribuição da população.
Assim, as ilhas de São Miguel (169 habitantes/km2), Terceira (140 habitantes/km2) e Faial (104 habitantes/km2) são as únicas cuja densidade é superior à média regional (103 habitantes/km2); os valores mais baixos da densidade populacional registam-se nas ilhas do Corvo (22 habitantes/km2), das Flores (30 habitantes/km2) e do Pico (38 habitantes/km2).
A evolução da população dos Açores continua uma tendência regressiva, resultante da insuficiência do saldo fisiológico para compensar os valores negativos do saldo migratório. Os efeitos desta situação reflectem-se com intensidade diferente nas várias ilhas e nos concelhos de cada uma delas.
Os valores extremos de diminuição da população entre 1981 e 1991 ocorreram nos concelhos de Nordeste (-19,3%), Povoação (-13,4%) e Lajes das Flores (-10,3%), enquanto o maior crescimento efectivo foi registado em Angra do Heroísmo (7,5%), Santa Cruz das Flores (7,0%) e Corvo (6,2%). Em 1991, a taxa de natalidade correspondia a 15,5 por mil, enquanto a taxa de mortalidade era de 11,0 por mil.
Segundo o censo de 1991, os únicos centros urbanos dignos de registo são Ponta Delgada (21 091 habitantes) e Angra do Heroísmo (11 672), havendo a registar o facto de 36,7% da população açoriana residir em lugares com menos de 1000 habitantes.
A estrutura da população activa da Região Autónoma dos Açores mostrava em 1992 um predomínio do sector terciário (58%), seguido do sector secundário (23%) e do sector primário (19%).
sector primário
No sector primário, a agro-pecuária constitui a actividade dominante, com destaque para a criação de gado bovino, mas onde merecem igualmente referência algumas culturas, como os ananases em estufas (São Miguel), a vinha (Pico), a batata, o tabaco e o chá (São Miguel). A pesca tem importância na economia da maior parte das ilhas.
sector secundário
O sector secundário centra-se na transformação de produtos da agro-pecuária (lacticínios) e da pesca (conservas).
sector terciário
O sector terciário, com a administração pública em lugar de destaque, apresenta potencialidades de expansão associadas ao incremento da actividade turística.
Como forma de diminuir a insularidade, os transportes aéreos têm sofrido um forte incremento em termos da sua frequência e no número de rotas entre as várias ilhas e com o exterior.
Crê-se que o descobrimento das ilhas dos Açores se terá dado na primeira metade do século XV, no ano de 1427, por Diogo de Silves, marinheiro que pertencia à Casa do infante D. Henrique. Uma outra tese sustenta que as ilhas terão sido descobertas ainda antes, no reinado de D. Afonso IV, dado que aparecem já em mapas genoveses datados de 1351.
A colonização das ilhas dos Açores foi atribuída por carta régia, de 2 de Julho de 1439, por D. Pedro (regente durante a menoridade de D. Afonso V) a Gonçalo Velho, que deveria colonizar as sete ilhas então conhecidas, uma vez que as mais ocidentais do arquipélago — Flores e Corvo — só em 1452 seriam descobertas por Diogo de Teive. A colonização iniciou-se nesse mesmo ano, tendo Santa Maria e São Miguel sido as primeiras ilhas a ser povoadas, sob a direcção do marinheiro Gonçalo Velho (instituído primeiro capitão-donatário), e com famílias idas do Alentejo e Algarve.
A administração das ilhas fez-se através do sistema das capitanias-donatarias, atribuídas a um capitão-donatário, geralmente da pequena nobreza, que tinha por obrigação povoar e explorar a terra, usufruindo também de amplos poderes de jurisdição. Deste modo se iniciou a colonização das ilhas açorianas, na qual tomaram parte portugueses de várias províncias do reino, mouros, judeus e também flamengos (influência clara de D. Isabel, casada com Filipe de Borgonha e condessa da Flandres, junto de seu irmão, o infante D. Henrique).
A ilha Terceira foi colonizada em 1450, sob a direcção do flamengo Jácome de Bruges, que nessa missão levou muitas famílias portuguesas. As ilhas do Faial e do Pico foram doadas, cerca de 1466, a um outro flamengo, Josse Van Huertere, que iniciou o povoamento das ilhas com famílias flamengas, mudando-se mais tarde para a ilha das Flores e, posteriormente, para a Terceira e São Jorge, e dando deste modo os primeiros passos na colonização destas ilhas. O povoamento foi acompanhado, em todo o arquipélago, pela sua exploração económica, que se traduziu em queimadas e arroteamento de baldios, na introdução de novas culturas, como a do trigo (exportado largamente no decurso do século XV para o reino e praças de África), e a da cana-de-açúcar, na indústria do papel e na exportação de madeiras para construção naval.
Assim se explica que, nos Açores, o século XVI tenha sido marcado por um enorme desenvolvimento económico e social, que se prolongou até aos finais do século XIX, altura em que se introduziram muitas espécies novas, de grande rendimento, como o chá, o tabaco e o ananás.

As ilhas dos Açores tiveram, em virtude da sua posição goegráfica, um importante papel nas viagens dos descobrimentos para África, Brasil e Oriente, e nas de retorno da Índia, constituindo um importante ponto de apoio no regresso dessas viagens. Os Açores seriam, pouco tempo mais tarde, um dos últimos focos de resistência à realeza espanhola, suportando com valentia o assédio do inimigo castelhano, e rendendo-se apenas no Verão de 1583. Com a aclamação de D. João IV, os Açores aderiram imediatamente à restauração, o que, contudo, foi dificultado pela existência de uma grande resistência castelhana em Angra do Heroísmo; porém, em 1642, os Açores voltaram à soberania portuguesa. Em 1766 a divisão do arquipélago em capitanias foi alterada, passando a existir, a partir de então, uma capitania geral, com sede em Angra do Heroísmo. Foi também na ilha Terceira, que se travou, em 1829, em virtude do golpe de estado absolutista que pôs D. Miguel no poder, uma violenta batalha entre miguelistas e liberais, da qual saíram vitoriosos estes últimos. Em 1832, D. Pedro chegou aos Açores e aí formou o seu governo, presidido pelo marquês de Palmela, e do qual faziam parte Mouzinho da Silveira e Almeida Garrett, sendo promulgadas muitas reformas importantes. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Açores contribuíram de novo para a preservação da liberdade, como ponto de apoio aos Aliados.
O topónimo do arquipélago resulta do facto de os primeiros descobridores portugueses terem baptizado as ilhas com o nome da ave mais frequentemente aí avistada: o açor (ave de rapina, diurna, da família dos falconídeos).

Azores, group of nine islands and several islets, in the mid-Atlantic Ocean, an integral part of Portugal about 1,190 km (740 mi) west of the mainland. They extend for about 644 km (400 mi) and form three groups: São Miguel (largest in size and population) and Santa Maria in the south-east; Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, and Faial in the centre; and Flores and Corvo in the north-west. The total land area is 2,335 sq km (902 sq mi). The largest town in the Azores is Ponta Delgada (estimated population 1991, 21,091) on the island of São Miguel.
782 photos · 11 videos · 124,795 views
1 3 4 5 6 7 8