Do Corpo Ao Movimento (Laila Alves)
Se alguém me perguntasse quem eu sou eu responderia que, em essência, sou uma mulher gorda, feminista e ativista da luta contra a gordofobia, o machismo, o racismo, a lgbtfobia e demais tipos de preconceitos. Tecnicamente falando, no entanto, diria que sou uma artista, designer, ilustradora e de vez em quando poeta. Mas acho que quem eu realmente sou é apenas alguém emotiva, que chora, que ri, que sente tudo muito intensamente e que, principalmente, busca através de seu trabalho trazer representatividade para mulheres gordas, que quer que o mundo entenda de uma vez por todas que ser gordo não é doença e que não, eu não preciso emagrecer, o que eu preciso é de respeito, acessibilidade e atendimento médico decente.
Foi através de um ensaio fotográfico de mulheres gordas que comecei a questionar e a trabalhar muita coisa dentro de mim que me dizia que eu não tinha valor e que era pior que as outras mulheres só por causa do número que a balança me mostrava. Aquele ensaio foi a sementinha plantada em mim e foi a partir daquele momento que comecei a ler, pesquisar e a ver vídeos sobre o assunto, além de entrar em contato com mulheres incríveis que me ensinaram muito e que me ajudaram (e ainda ajudam) na construção de quem eu sou hoje em dia. Foi graças àquelas mulheres que se despiram e me mostraram que ser gorda era apenas uma das muitas características que elas possuíam que meus olhos se abriram. Eu sei que não é nada fácil dar a cara a tapa e se expor, não só fisicamente como emocionalmente, mas estou disposta a ser agente da mudança que quero ver no mundo e não apenas espectadora. Por isso decidi dar a cara a tapa dessa vez, por mim, pelas mulheres que fizeram antes de mim e por todas as que virão.
Participar desse projeto foi algo que só consigo descrever como intenso. Muito além de apenas um ensaio fotográfico, foi uma experiência única e maravilhosa. Pude me abrir, mostrar quem eu realmente sou sem ser julgada ou ridicularizada e nossa, nunca foi tão bom ser eu! Me senti completamente despida, e não no sentido literal da palavra. Pude ser quem eu sou em toda minha intensidade, com todos meus defeitos e qualidades, com todas minhas manias e trejeitos, com todas minhas dobras e marcas, com todo meu peso, minhas estrias, minhas lágrimas, minhas risadas, com cada pedacinho que faz de mim a Laila. Foi incrível!
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