Do corpo ao movimento (Mariana de los Santos)
Recomendação: Leia esse texto nu/nua.
Pra começo de conversa: sou Mariana de los Santos (sim, esse é meu verdadeiro nome) e tenho 23 anos. Sempre que me deparo com essa pergunta caio num abismo. Mas eu não tenho medo de altura. É da minha natureza gostar de pensar nas questões que envolvem a vida. Hoje eu a respondo com muito mais firmeza, embora sempre hajam brechas para outras interpretações (e isso é ótimo). Uma pessoa que responde a essa pergunta da mesma maneira por toda sua vida talvez não tenha experimentado o real sentido da sua passagem por esse mundo. Acredito estarmos aqui em constante transformação, mesmo que você não se dê conta disso. “Dar-se conta”, aliás, foi o caminho e motivo pelo qual reformulei tantas e tantas vezes a resposta para a pergunta acima. É a deixa para a famosa frase Sartriana: “Não importa o que fizeram de mim, mas o que eu faço com o que fizeram de mim”. Essa frase fala sobre nossa responsabilidade pelas nossas vidas. Tudo envolve escolhas e me dei conta que não escolher também é uma escolha. O que eu faço com as dores e cicatrizes que a vida deixou até aqui? O que eu faço com as experiências que vivi? Não existe certo ou errado, existe aquilo que é possível para nós naquele determinado momento de vida. Essa reflexão me faz falar sobre as armadilhas do ego que estamos nos deixando prender, nos distanciando cada vez mais de nós mesmos: reais, concretos e completos em nossa essência. Ei, nós já somos suficientes. Nossa sociedade produz adoecimento toda vez que aponta que aquele modo de estar no mundo é errado, equivocado, diferente e estranho. Toda vez que estabelece um padrão e julga que todos dentro desse padrão são felizes, saudáveis e satisfeitos consigo mesmos. As armadilhas nos envolvem de tal forma que muitas vezes nos tornarmos a própria armadilha. Nesse mundo é cada vez mais difícil se afirmar por si próprio, cada vez mais difícil dar-se conta, cada vez mais difícil fazer algo com aquilo que fazem de nós todos os dias. Eu luto contra isso. Luto para me libertar das armadilhas, fugir do adoecimento, me afirmar diante das minhas escolhas, diante do meu corpo, da minha identidade pessoal e profissional. Luto contra qualquer tipo de opressão que queira diminuir ou anular a existência de outra pessoa. O mundo não é mais seu por que você é branco, não é mais seu por que você é homem, não é mais seu por que você é magro, não é mais seu por que você não tem deficiência, não é mais seu por que você é heterossexual, não é mais seu por que você é cisgênero, não é mais seu por que você é de classe média alta, não é mais seu por que você não é cotista.....AAHH! Nesse ponto do texto você já pode ter sido pego em uma armadilha do ego e nem se deu conta. Superficialmente, as minhas fotos mostram alguém que se encaixa em um padrão, mas, você já se perguntou se eu me sinto segura comigo? Presos na armadilha nós não nos damos a oportunidade de fazer esse questionamento. E vou te dizer uma coisa: a resposta para essa pergunta também varia. Eu luto todos os dias para me apaixonar por mim e para reconhecer a beleza que me habita. Hoje eu sinto que tenho me aproximado cada dia mais de mim e feito as pazes com a minha essência. Minha força física é um reflexo da força espiritual que carrego comigo e tenho plena consciência disso. Eu sou uma pessoa humilde, gentil e desapegada de valores materiais. Tenho atraído pessoas com as mesmas qualidades para perto e agradeço ao universo por isso. A cada vez que eu permito me conectar comigo sinto uma energia fluida irradiando do meu espírito e sinto que posso compartilhar essa energia com outras pessoas que estão tão abertas quanto eu a esse tipo de experiência. Tudo o que falei acima eu falo para mim, você não precisa concordar. Se você chegou até aqui te faço uma proposta: fuja da armadilha do julgamento. Carregue consigo apenas o que é seu e deixe para o outro aquilo que é dele. Respeite. A bagagem fica mais leve com esse desprendimento e tem mais espaço para carregarmos as coisas que nos damos conta que fazem sentido para nós. É o exercício de se despir e viver a nudez da alma. Eu sou uma pessoa que busca viver nua.
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