Do Corpo Ao Movimento (Irina)
Irina Lopes Guedes, venceu o câncer de mama aos 32 anos.
Suas cicatrizes são memórias da vitória, do aprendizado,
da dor e também do amor.
Quem é você?

Sou um garoto perdido, da Terra do Nunca. Aquela que não quer crescer. Não porque gosta das travessuras infantis, mas porque detesta as responsabilidades e dores dos adultos. As "adultices" insuportáveis do dia a dia, cheias de contas pra pagar, de D. R.s que não queremos ter e tantos enfrentamentos que doem. Doem justamente porque fazem crescer. Eu sou aquela que foge de tudo isso, o quanto e por quanto tempo conseguir, mas que acaba sempre, de uma forma ou de outra, pelo amor ou pela dor, enfrentando tudo aquilo que jamais quis. E apesar de nunca as ter desejado e sofrer com essas lutas, consegue, na maioria das vezes, vencê-las.

Por que decidiu participar do projeto?
Sharlene me convidou pra participar do projeto sem me contar muito sobre ele. E eu aceitei principalmente porque gosto de mostrar minhas cicatrizes. Todas elas. Reluto em mostrar aquelas que não são do corpo, me custa mais. E justamente por isso, tento encarar o desafio sempre que tenho a oportunidade. Não tenho vergonha alguma de mostrar meu corpo, gosto dele do jeito que é. E apesar de muitas vezes achar que o corpo e alma estão dissociados, mostrar as cicatrizes do corpo sempre me leva a mostrar também aquelas que carrego na alma. E acho que as fotos mostram isso, na minha postura muitas vezes encolhida, me escondendo. Não era o corpo que eu tentava esconder, eram as falhas, as incertezas, as dores e os amores. O resultado ilustra meu corpo e minha alma lindamente.
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