Desenhar por desenhar - moleskines
DESENHAR POR DESENHAR.

Coletânea de imagens reproduzidas dos blocos de desenho de

RUI DE OLIVEIRA

Período de 1995 a 2006


Esta seleção faz parte de muitos cadernos de desenho que venho fazendo ao longo dos anos. Imagens jamais publicadas e que agora, utilizando os meios planetários da Internet, as revelo para o grande público. O hábito de usar estes cadernos remonta ao meu tempo de estudante, tanto no Brasil, no caso Escola de Belas Artes, como no exterior. Estes “moleskines” me acompanharam durante os 6 anos em que estudei na Hungria, em Budapeste, no Instituto Superior Húngaro de Artes Industriais, um costume que mantenho até os nossos dias.

Tenho sempre em minha bolsa, ou pasta, um bloco onde anoto e desenho o que no momento me ocorre. Verdadeiros diários em forma de imagens, cartas visuais endereçadas a mim mesmo. Uma espécie de inventário visual, esfinges gráficas, com a função única de expressar a parte de um todo. Todo que não sei qual seja ou será.

Jamais tive a intenção de que estes desenhos estivessem inseridos em uma objetividade, coerência ou em qualquer projeto. Cada página é uma página, cada desenho é só um desenho. Só e coletivo, ao mesmo tempo.

O que sempre quis é que eles expressassem unicamente o prazer de desenhar, algo compulsivo em minha vida. Enfim, o desenho pelo desenho.

Muitos dos livros que ilustrei, o estilo que utilizei já aparecia, muitos anos antes, nestes blocos. Fiz um retrato de meu filho Diego quando menino, muitos e muitos anos antes de ele nascer... Acredito que o desenho se origina antes do desenho. Nenhum misticismo nisso. Na verdade, desenhamos a expectativa do ver, ou seja, muito antes de criar uma imagem, esta imagem já existia. Vemos aquilo que sonhamos e queremos ver, pouco importa o que estamos vendo.

Portanto, apesar de ter afirmado há pouco que estes “moleskines” não tinham nenhuma função além do prazer de desenhar, em contrapartida a isto, a realidade nos mostra uma outra face, uma outra constatação.

Acredito que para exercer com plenitude a criação de uma imagem objetiva, seja para um cartaz, para uma ilustração, ou mesmo no projeto de uma marca, acho importante que este artista esteja habituado, de forma diária, com a imagem subjetiva. A explicação se origina de sua ausência. Ou seja, os cadernos de desenho são o relicário da não explicação. A terra fértil para a objetividade. A astronomia surgiu da astrologia, a química da alquimia.

Tudo o que vou fazer em termos de imagem eu já fiz, ou estou rabiscando em meus “moleskines”.

Rui de Oliveira – agosto de 2006 – Rio de Janeiro
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