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Belém - Pará - Brazil | by Jurandir Lima
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Belém - Pará - Brazil

Levy e Dona Inês, filho e esposa do falecido Mestre Cardoso, um dos mais importantes ceramistas do Pará.

 

MESTRE CARDOSO é considerado o mais famoso artesão da região de Icoaraci – um distrito na periferia de Belém, capital do Pará – não somente pela sua técnica, mas, sobretudo, pelo seu interesse em pesquisar a cerâmica marajoara. Foi a partir da década de 60 que o mestre visitou o Museu Emílio Goeldi e, encantado com as obras lá existentes, pediu autorização para copiá-las e passou a reproduzi-las, em réplicas. Desde então, Cardoso tornou-se referência nesta arte em todo Norte do país.

 

Na verdade, o mestre Cardoso teve o primeiro contato com a cerâmica ainda no berço familiar, já que sua mãe era uma ceramista e vivia numa comunidade onde havia várias olarias – esta era a principal fonte de renda dos moradores locais, além da pesca e agricultura de subsistência. Com a iniciativa do mestre, alguns moradores de Icoaraci resolveram seguir seus passos e o local ficou conhecido como o maior centro produtor e divulgador da cerâmica indígena amazônica – marajoara* e tapajônica** - atraindo turistas e colecionadores de várias partes do mundo.

 

A técnica usada pelo mestre é rudimentar - como a própria cultura indígena -, mas com um espírito inovador, Cardoso conseguiu diferenciar-se criando seu próprio estilo - usava tanto o alto como o baixo relevo, incluindo entalhes e aplicações com polimentos feitos à mão - além do acabamento requintado das suas obras. Os grafismos eram produzidos com engobes de cores diversas, utilizando pigmentos extraídos de minerais locais. O ateliê ficava nos fundos da sua casa, onde as peças também eram queimadas no forno à lenha. É no mesmo local em que o barro era preparado (socado, peneirado, hidratado e ensacado), ficando pronto para a modelagem.

 

O reconhecimento do Mestre Cardoso veio com várias exposições das suas obras, tanto no Brasil como exterior – suas peças decoram museus da Califórnia, Paris e Berlim – além da sua produção ser utilizada como fonte de pesquisa pelos mestrandos e doutorandos de antropologia da USP (Universidade de São Paulo).

 

Infelizmente, o mestre faleceu ainda jovem. Para dar continuidade ao seu trabalho, a esposa, Inês Cardoso, e o filho, Levy Cardoso, seguem seu caminho e, desta maneira, perpetuam a arte indígena da região amazônica.

 

*O estilo marajoara se refere à cerâmica da quarta fase arqueológica da Ilha do Marajó. Na tradição de Marajó, a cerâmica se apresenta geralmente nas cores preto, vermelho e branco, com modelagem em relevo, incisões e cortes.

**O estilo tapajônico tem origem na cerâmica produzida pelos índios na região do Rio Tapajós até o século XVIII. É caracterizada pela produção de estatuetas, muiraquitãs, pratos e cachimbos. As peças se destacam especialmente pela excelência do tratamento plástico que apresentam.

 

(O texto e foto são de autoria de Jurandir Lima e não poderá ser copiado/reproduzido sem a devida autorização por escrito. Todos os direitos reservados).

 

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Taken on November 1, 2011