BRASÍLIA - DF - Patrimônio da Humanidade/BRA
Brasília-DF

Em 1883, na cidade italiana de Turim, o padre salesiano João Bosco teve um sonho profético: a capital do Brasil seria construída entre os paralelos 15 e 20. E em 21 de abril de 1960 seu sonho foi concretizado com a inauguração de Brasília no chamado Planalto Central.

O Planalto Central que, como disse o compositor Antônio Carlos Jobim - o Tom Jobim, seria o "herdeiro" de todas as culturas, de todas as raças, com um sabor todo próprio". Seus palácios, parques, jardins e um verde inigualável estão hoje preservados e declarados Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O nome Brasília já vem de longa data. Foi sugerido em 1823 por José Bonifácio, em memorial encaminhado à Assembléia Geral Constituinte do Império. 150 anos depois do chanceler Veloso de Oliveira ter apresentado a idéia ao príncipe-regente.

Desde 1987, a Unesco reconhece Brasília como Patrimônio Histórico e Universal da Humanidade.
A idéia de fixar o governo do Brasil no interior existe desde 1810. Desde aquela época, a preocupação era com a segurança nacional. A capital deveria ficar longe dos portos e de áreas de mais fácil acesso de possíveis invasores. Em 1891, o artigo 3º, da Constituição promulgada naquele ano determinava uma área de 14 mil quilômetros quadrados seria demarcada no Planalto Central, para onde seria transferida a futura capital do País.

Dando prosseguimento à determinação do artigo, em 1892, uma expedição da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil seguiu para o interior e construíram quatro marcos na região. Foi a chamada Missão Cruls, em homenagem ao seu líder, o astrônomo Luís Cruls. Em sete meses, vários geólogos, médicos, botânicos, entre outros percorreram mais de 4 mil quilômetros pesquisando minuciosamente a fauna, flora, recursos naturais, topografia, etc. A área pesquisada e demarcada foi batizada com o nome de Quadrilátero Cruls. O resultado da expedição foi entregue em 1894, um relatório contendo todas as informações da região.

Entretanto, somente em 1946 fora tomadas novas atitudes em relação à transferência da Capital. Na Constituição promulgada naquele ano estava previsto que um novo estudo sobre região fosse feito. Em 1948 o presidente Eurico Gaspar Dutra nomeou a Comissão Poli Coelho, que, depois de dois anos, chegaram à conclusão de que a área demarcada pela Missão Cruls era a ideal para a nova capital. Em 1955, o presidente Café Filho delimitou uma área de 50 mil quilômetros quadrados, onde hoje é o atual Distrito Federal.
No ano seguinte, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira começou o processo de instalação da Nova Capital e viajou pela primeira vez ao Planalto Central.

Depois de um concurso, a equipe do urbanista Lúcio Costa e o grupo de arquitetos encabeçados por Oscar Niemeyer ganhou carta livre para projetar Brasília. Em pouco tempo já estavam prontos os desenhos de todos os prédios públicos e grande parte dos residenciais. Já Lúcio Costa, partiu do traçado de dois eixos, cruzando-se em ângulo reto, como uma cruz para criar o projeto urbanístico brasiliense. Os dois eixos foram chamados de Rodoviário e Monumental. O Eixo Rodoviário, que cortaria as áreas residenciais do Plano Piloto, foi levemente arqueado para dar à cruz a forma de um avião, nascendo, assim, a Asa Norte e Asa Sul. Enquanto o Eixo Monumental, com 16 quilômetros de extensão, seria destinado para as autarquias e monumentos. Ele foi dividido da seguinte maneira: no lado leste prédios públicos e palácios do governo, no centro a Rodoviária e a Torre de TV, e no lado oeste os prédios do Governo do Distrito Federal.

No dia 21 de abril de 1960 foi inaugurada a nova capital do Brasil e nascia uma das cidades mais místicas e belas de todo o mundo. A mística em torno da capital surgiu ainda no século XIX, quando Dom Bosco profetizou que surgiria uma nova civilização entre os paralelos 15 e 20. Outras várias profecias, lendas e crenças surgiram com o nascimento de Brasília. Há quem diga que a região do Distrito Federal é propício para a aterrizagem de discos voadores e contato com extra-terrestres. Esse lado mágico de Brasília fez surgir algumas comunidades não ortodoxas no Distrito Federal. A Cidade Eclética e o Vale do Amanhecer têm autonomia para viver ao seu modo, conforme suas próprias crenças. Assim como o prédio sede da LBV, seus princípios espirituais e suas exposições místicas.

Com a inauguração e a promessa de um futuro melhor, em meio a uma analogia de um oásis no deserto, a migração para o Distrito Federal foi inevitável. Logo surgiram cidades dormitórios em torno do Plano Piloto que foram batizadas de satélites. Recentemente, manobras políticas resultaram em uma nova migração em massa para o Distrito Federal. O inchaço urbano foi tanto, que Brasília já possui uma área metropolitana sem ainda ter desenvolvido um pólo industrial local. O planejamento urbanístico de Lúcio Costa, previa 500 mil habitantes no ano 2000. Em janeiro deste ano, chegamos a 2 milhões de habitantes, quatro vezes mais que o planejado.

O Distrito Federal é formado pelo Plano Piloto, que engloba as Asas Sul e Norte. Lago Sul e Lago Norte. Setor Sudoeste, Octogonal, Cruzeiro Velho e Cruzeiro Novo. São áreas próximas e que formam a cidade de Brasília. Um pouco mais distante das áreas centrais, ficam as cidades satélites, que são cidades de pequeno e médio portes, localizadas a uma distância média de 10 km do Plano Piloto. São elas: Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Ceilândia, Guará, Cruzeiro, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, recanto das Emas, Riacho Fundo e Candangolândia. Essas cidades satélites possuem administração própria, sob coordenação do Governador do Distrito Federal e da SUCAR - Secretaria de Estado de Coordenação das Administrações Regionais.

Brasília é 3ª cidade do país em movimento de tráfego aéreo e é a 6ª mais populosa cidade brasileira.
"Brasiliense" ou "Candango" são os nomes que se dão a quem nasceu em Brasília. "Candango" é o termo dado aos trabalhadores que imigravam à futura capital para sua construção, na maioria nordestinos. De origem Africana, Candango significa "ordinário", "ruim", e era a denominação que se dava aos trabalhadores que participaram da construção de Brasília . Já segundo o Dicionário de Folclore para Estudantes, "candango" é palavra do dialeto quimbundo, da região da atual, com a qual os africanos escravizados nomeavam os senhores de engenho. Pela importante atuação na criação de Brasília, hoje o nome "candango" é dado também as pessoas que nascem no Distrito Federal, uma forma de homenagear os pioneiros.

Brasília não nasceu ao acaso - por acaso. Brasília foi minuciosamente planejada. Contudo, tal cidade ainda não me saiu da cabeça. É uma cidade estranha, sinistra, sem alegria plena. Naturalmente que tem sua beleza, mas uma beleza "artificial". Tudo lá é impactante, grandioso e ao mesmo tempo bizarro. Nada lá é funcional e prático, como é natural em todas as outras cidades. Brasília foi uma cidade feita para o Poder, no real sentido da palavra. Quanto ao povo, ao morador... que se dane! Se você não tiver carro, trate de ter o seu, e pra ontem. Contudo, é uma cidade que vale a pena conhecer. Ela é única. Nada se compara. Está entre ficção e alucinação. Os prédios Administrativos e os Palácios, é de tirar o fôlego. Os prédios residenciais são todos iguais, assim como as ruas, jardins e infinitos campos de gramados. Por mais que se distancie, que se desloque para outros lugares, a sensação é que se está no mesmo lugar. No Distrito Federal (DF) propriamente dito, não há bairros. Ou se está na Asa Norte ou na Asa Sul. Tudo muito amplo, tudo muito, muito, muito, muito, muito longe e "tridimencional". Avista-se a Catedral de vários pontos da cidade. Nem pense ir até lá a pé. É uma miragem! Ela está muito, muito, muito longe dos seus olhos. Em Brasília há mais carros do que moradores. Entre 5 moradores do DF, 6 tem carro.

O símbolo de Brasília deveria ser um carro.
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