Estádio Salazar 1968

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    Estádio da Machava (antigo Salazar)

    Do Lumbo e lapala, em Nampula, a Ressano Garcia, em Maputo; de Quelimane, na Zambézia, a Moatize, em Tete; passando por Nova Freixo (hoje Cuamba), no Niassa, Inhaminga, em Sofala, e Gondola, em Manica, perfilam e ou perfilavam os mais funcionais e os mais conseguidos empreendimentos desportivos de Moçambique.

    Mas a "jóía da coroa" ferroviária, incarnada num estádio, de futebol, estava implantada , nos arredores de Lourenço Marques - o actual estádio da Machava que nasceu com o nome de Salazar. Efectivamente, o dia 30 de Junho de 1968 constitui um dos marcos mais importantes da já longa e brilhante história da família dos ferroportuários de Moçambique, sobretudo os ligados ao desporto de uma forma geral e muito particularmente os que têm no futebol a sua modalidade predilecta.

    Foi naquela data que com pompa e circunstância o Clube Ferroviário de Moçambique pulverizou a sua grandeza institucional e a hegemonia desportiva, que na época já detinha, com a inauguração do seu estádio de futebol baptizado com o apelido do então chefe do governo português, António de Oliveira Salazar. Na altura da sua inauguração e durante muito tempo, o Estádio Salazar era o maior e, talvez, o mais bonito complexo desportivo aberto do então ultramar português e um dos mais conseguidos ao nível de todo o continente africano. Pergaminhos que poderia ter mantido até aos dias que correm se o projecto inicialmente concebido tivesse sido concretizado na sua totalidade e quiçá se as autoridades do Moçambique independente, a partir de 1975 quando começa a degradação definitiva do estádio, o tivessem assumido, face à sua importância no tecido desportivo e social do país.

    Machava, no lugar de Salazar, foi o único benefício que o estádio teve no período pós-Independência! O resto, é a imagem desoladora que o empreendimento apresenta. Pelo seu actual estado, nem parece que foi ali o local da proclamação da Independência Nacional, para a qual muito contribuiu a classe dos trabalhadores dos Caminhos de Ferro. Uma classe, cujos membros neste caso particular derramaram sangue e suor, assim como deixaram de economizar alguns “centavos” para erguerem mais uma obra que simbolizava o orgulho dos moçambicanos e a grandeza patrimonial do maior e o mais abrangente sector produtivo de sempre - os Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique. Quando foi inaugurado, a lotação oficial do estádio era de 32.180 lugares sentados, podendo a pista de ciclismo ser convertida em sector do peão com uma capacidade para albergar 20 mil pessoas. Na altura, para além da sua beleza arquitectónica, o estádio já respondia a todos os valores impostos pelos organismos desportivos internacionais, nomeadamente, a FIFA (dimensões do relvado e iluminação), .Federação Internacional de Atletismo (a pista da modalidade) e a União Internacional de Ciclismo.

    No projecto inicial, para além dos aspectos mencionados, o estádio fora projectado e dirnensionado físico- técnicamente para servir um aglomerado de 500 mil pessoas, das quais, 96.540 sentadas corresponderiam à sua lotação no concernente a assistência para os jogos de futebol, uma vez que previa-se a construção de um segundo anel de bancadas. E as restantes pessoas distribuídas por uma área de 500 metros quadrados ocupados por um imóvel com três pisos coberto de um centro de acomodação (quartos e camarotes), serviços sociais, balneários, vestiários, posto médico, salas de jogo, restaurantes, etc. Ainda sobre o parque desportivo ferroviário, importa referir também que se deve ao CFVM o primeiro campo de futebol digno desse nome em Moçambique - o actual campo do Ferroviário das Mahotas, em Maputo, inaugurado 35 anos antes da abertura do estádio da Machava, em 1933, com o nome do seu principal Engenheiro, Marcial de Freitas e Costa.

    Mais informação em: www.sislog.com/ferroviario/article.php3?id_article=48

    iesluisvelez, Raul Lisboa, and 1 other people added this photo to their favorites.

    1. Joel1234567 68 months ago | reply

      Tivemos uma Avenida Salazar apos 1974 mudou-se para Avenida da Amizade.

    2. Raul Lisboa 68 months ago | reply

      Eu, como ferroviário, brasileiro, ex-cooperante em Moçambique (1982 - 1983) e apreciador de futebol, fico emocionado ao ver esta imagem.

    3. iesluisvelez 68 months ago | reply

      Una imagen increíble de un imperio que se desangraba y que se empeñaba en seguir como si nada hubiese cambiado.

      Me recuerda una curiosa novela española 'Lusitania Show' que radiografía el Portugal salazarista en la Metrópoli y provincias de Ultramar en sus años de agonía.

    4. Luiz Felipe Castro 67 months ago | reply

      Que interessante, pena que não venha sendo conservado.

    5. Andreas Martin 66 months ago | reply

      Interessante ver fotos istóricas aqui.
      Que investimento...e seis anos mais tarde tudo acabou.

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