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Flor de Maracujá | by Daniel A. Donaduzzi
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Flor de Maracujá

"Nem tu me esquecerás, flor admirada

Em quem não sei se a graça, se a natura

Fez da Paixão do Redentor Sagrada

Uma formosa e natural pintura

Pende com pomos mil sobre a latada

Áureos na cor, redondos na figura

O âmago fresco, doce rubicundo

Que o sangue indica que salvaria o mundo

Com densa cópia se derrama,

Que muito a vulgar hera é parecida,

Entre sachando pela verde rama

Mil quadros da Paixão do Autor da vida;

Milagre natural que a mente chama

Com impulsos da graça, que a convida,

A pintar sobre a flor aos nossos olhos

A cruz de Cristo, as chagas e os abrolhos.

É na forma redonda, qual diadema,

De pontas, com espinhos, rodeada,

A coluna no meio, e um claro emblema

Das chagas santas e da cruz sagrada;

Vêm-se os três cravos e na parte extrema

Com arte a cruel lança figurada;

A cor é branca, mas de um roxo exangue

Salpicada, recorda o pio sangue.

Prodígio raro, estranha maravilha,

Com que tanto mistério se retrata!

Onde em meio das trevas a fé brilha

Que tanto desconhece a gente ingrata!

Assim, do lado seu nascendo filha

A humana espécie, Deus piedoso trata,

E faz que, quando a graça em si despreza,

Lhe pregue com esta flor a natureza" (Caramuru, Southey, History of Brazil, cap. 34).

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Taken on March 29, 2008