Bandalheira 2018
Carnaval 2018 começa com a maior Bandalheira!

Dando início a 11 dias de folia, o Bloco Bandalheira, vai para as ruas e arrasta uma multidão de foliões, para o centro histórico da cidade. Ao som de tambores, trompetes e com muita serpentina, os foliões vão festejar o início do melhor carnaval das cidades históricas de Minas Gerais.
Desde 1979 o Bloco Bandalheira realiza um resgate das antigas tradi-ções culturais do carnaval são-joanense.
"A palavra bandalheira, no senso comum, todo mundo sabe o que é: zona, cachorrada, molecagem, safa-deza, canalhice, malandragem, rou-balheira, mamata, sem-vergonhice, velhacaria. Isto, é a bandalheira com b minúsculo.
Mas não em São João del-Rei, no sábado que antecede o Carnaval. Lá, Bandalheira é outra coisa. É um bloco, ou uma banda, ou os dois ao mesmo tempo, que arrasta muita gente por ruas de paisagem colonial muito bonita, no centro histórico da cidade. Na Bandalheira de São João del-Rei, não tem falcatrua, corrupção, trapaça, nem exploração. Só alegria sadia. Cordialidades, gentilezas, civili-dades. Como o bloco sai à luz do dia, abrindo as portas para o Carnaval propriamente dito, tudo acontece às claras, o que cria uma ambiência muito feliz e tranquila, propícia para todos - do pequeno infante ao são-joanense mais curtido pelo tempo.
Desde seu primeiro desfile, o abre-alas da Bandalheira é um jipe, sobre o qual costuma sair um grande es-tandarte branco, com estampa do tema ou pessoa homenageada. O estandarte original da Bandalheira tem a representação de quatro pés - dois femininos dentro de dois mascu-linos - em sentidos opostos, na posi-ção de quem está deitado. Não preci-sa dizer mais nada, todo mundo en-tende a mensagem, não é mesmo?
Na sua informalidade e elegante irre-verência, a Bandalheira também tem comissão de frente, que sai junto ao grande estandarte, dentro, à frente e ao lado do jipe. São alguns médicos muito conhecidos e queridos do povo são-joanense. Certamente não é por acaso que eles vão ali, pois, amigos dos fundadores do bloco (alguns deles inclusive foram fundadores), pode-se dizer que eles fizeram o parto, foram pediatras e agora cuidam da saúde, do pulmão e do coração, da Bandalheira. Do fígado, Deus cuida...
Quem conhece profundamente a cultura são-joanense, e aproveita tudo para entender a barroquice local, vai perceber que, na primeira grande procissão da Quaresma - a Procissão do Encontro, que em São João del-Rei se realiza no Domingo de Passos, o quarto domingo após o Carnaval - quem segura os cordões retorcidos que pendem do alto estandarte roxo, com a inscrição S.P.Q.R. bordada a ouro, são também médicos. Desde o século XVIII, tal estandarte vem à frente do cortejo, puxando as irmandades e confrarias na procissão do Senhor dos Passos.
Viu como em São João del-Rei, civili-zadamente, sagrado e profano convi-vem em paz e até dialogam?" Texto de: Antonio Emilio da Costa.
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