Casulo
Igualmente intervencionado ao longo do século XX foi o Casulo, residência mandada construir pelo pintor José Malhoa, após a sua fixação em Figueiró dos Vinhos. Em 26 de Fevereiro de 1982, através do Decreto nº 28, este edifício romântico foi declarado Imóvel de Valor Cultural e Interesse Municipal, relevando a sua singularidade arquitectónica mas também o seu valor memorial, associado que está à estadia no concelho de uma figura de projecção nacional, à qual se deve a fixação em tela das suas paisagens e das suas gentes.

Situada no que era a periferia da vila oitocentista, junto à actual avenida José Malhoa, esta residência possui uma planta composta por dois corpos rectangulares, em T, sendo no corpo orientado a Norte o atelier primitivo do pintor, construído em 1895, então composto por piso térreo e sótão. O outro corpo corresponde à ampliação projectada por L. E. Reynaud e executada por Júlio Soares Pinto e Manuel Granada, em 1898, cuja função era residencial, com cave, dois pisos e sótão. De Leste ergue-se uma varanda com alpendre, e a Norte uma varanda fechada. Um torreão proporciona a junção dos dois braços da casa, no interior do qual existe uma escadaria de acesso ao sótão. A porta principal está rasgada na fronte Sul, sendo as paredes rebocadas e pintadas a cor de tijolo. Os cunhais e as molduras das janelas são recortados em pedra rústica e as vergas e cornijas apresentam frisos de azulejos da lavra de Rafael Bordalo Pinheiro. No interior da residência, que a pós a intervenção de Reynaud ganhou a face de um típico chalet romântico, destaca-se a pequena sala aberta para o alpendre, revestida a couro lavrado, a par do tecto coberto a madeira, ostentando pequenos motivos vegetais. Do lado Leste da casa foi ainda plantado um jardim, que exibe um caramanchão e um tanque, ao gosto da época.

Após a morte de José Malhoa, o Casulo foi doado à Sociedade Nacional de Belas Artes, e depois vendido em hasta pública. Entre essa data e a sua classificação foram feitas intervenções que alteraram a sua fisionomia, como a destruição de dois telhados transversais debaixo dos quais se encontravam as clarabóias e a criação de uma varanda fechada do lado Norte. Passou a casa a propriedade municipal em 1982, após aquisição a um privado, tornando-se Centro Cultural de Figueiró dos Vinhos e sede de uma associação com o mesmo nome, em 1985; por essa altura foram feitas obras de conservação e reparação no respeito da traça conferida por Reynaud, excepção feita à substituição da varanda alpendrada por uma balaustrada de cimento.

GASPAR, Jorge (dir.) - Monografia do concelho de Figueiró dos Vinhos. Figueiró dos Vinhos : Câmara Municipal, 2004. Disponível em: www.bmfigueirodosvinhos.com.pt/docs/16245.pdf
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