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Espanha – Castelo de Alburquerque – Intimamente ligado a vida de Inês de Castro este majestoso castelo, de Albuquerque ou castelo de Luna, assim chamado por D. Álvaro de Luna é uma fortaleza imponente que nos fascina pela sua beleza… | by FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA
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Espanha – Castelo de Alburquerque – Intimamente ligado a vida de Inês de Castro este majestoso castelo, de Albuquerque ou castelo de Luna, assim chamado por D. Álvaro de Luna é uma fortaleza imponente que nos fascina pela sua beleza…

Inicialmente a minha intenção era fotografar e documentar a maioria dos Castelos Portugueses, mas com o desenrolar das pesquisas que fui fazendo, apercebi-me de imediato que quanto mais fundo vamos na nossa história, mais nos apercebemos que estas duas Nações -Portugal e Espanha- se encontram intimamente ligadas desde tempos imemoriais e que ao longo dos séculos para o bem e para o mal, sempre foram países aliados e irmãos. Se recuarmos por exemplo ao tempo da Lusitânia, 150 anos a.C. verificamos que desde os Lusitanos, Carpetanos, Vetões, Numantinos, Túrdulos e tantas outras tribos de povos Celtas e Iberos, estes sempre se juntaram numa causa comum, defender todos estes bastos territórios da ocupação e imposições Romanas que tanta dificuldade tiveram em subjugar estes povos e contrariamente ao que acontecia na maior parte da Europa, a Ibéria sempre teve a coragem e a valentia de se defender destes invasores, que tiveram de recorrer ao jogo sujo para os levar de vencida, tal como o assassinato do lendário guerreiro e herói Lusitano que foi Viriato ou o cerco de Numância que ficou na história como a forma mais vil, repugnante e indigna de qualquer General com princípios militares ganhar uma guerra…Todos estes factos históricos mostram que apesar de muitas escaramuças entre estas duas Nações, foram tantas ou ainda mais, as vezes que estiveram juntas e lutaram lado a lado para defenderem interesses comuns como ainda hoje acontece, por isso, não posso falar honestamente da história destes dinossauros da arquitetura Medieval, sem pelo menos juntar alguns Castelos fronteiriços destas Nações e que, embora nos tempos atuais sejam com toda a legitimidade Espanhóis, tempos ouve que destes, alguns eram Portugueses, mas mais tarde com o definitivo acerto das fronteiras, com o tratado de Alcanises assinado a 12 de Setembro de 1297 entre D. Dinis de Portugal e D. Fernando IV de Castela, foram incorporados uns a Espanha e outros a Portugal. Este castelo de Alburquerque em particular tem uma forte ligação entre estes dois Pises e como se trata de uma joia da história Ibérica, não poderia ficar de fora deste roteiro que engloba os mais belos Castelos que nós conhecemos…

 

O castelo de Alburquerque é conhecido como Luna Castelo, referindo-se a Álvaro de Luna, mestre da Ordem de Santiago, que viveu nele por um longo período de tempo. Alburquerque é caracterizado principalmente por o seu poderoso castelo. A fortaleza, construída sobre uma crista afiada e rochosa localizada na Serra de San Pedro, domina a paisagem circundante à fronteira de Portugal e protege as pessoas que vivem do outro lado da colina. A paisagem deslumbrante pode ser vista a partir de sua localização formidável e são impressionantes, as vistas em dias claros, avistámos Badajoz, Elvas, Campo maior, Marvão e outros locais. Alfonso Telles de Meneses tomou o castelo aos mouros em 1218 e começou a partir dai a organizar o seu repovoamento gradual.

 

O castelo de Alburquerque foi construído nos primeiros séculos do período medieval, embora muito modificado por D. Álvaro de Luna, mestre da Ordem de Santiago e condestável de Castela, que ocorreu entre 1445 e 1453 com a construção de vários elementos significativos. A imponente torre principal do castelo está bem preservada e tem vários andares abobadados, esta torre tem acesso através de uma ponte de arco ogival. Outra peculiaridade do castelo de Albuquerque é a presença no seu interior da igreja de Santa Maria Maggiore del Castillo.

 

Esta igreja é um trabalho do final do século XIII, mas curiosamente tem a mais pura estrutura arquitetónica em toda a Extremadura românica. O edifício não é muito grande, com um cabeçalho de uma única abside. As naves foram separadas por arcos semicirculares que descansam sobre pilares cruciformes, com quatro meias-colunas ligadas às suas testas, num estilo românico muito genuíno. Atualmente a igreja não é usada para qualquer adoração e esta transformada num hall de entrada para o castelo que desde a sua restauração em 1945 foi transformado num albergue da juventude pelo governo da Estremadura.

 

Apesar da deterioração causada pela passagem do tempo e a falta de manutenção em intervalos de tempo longos, ainda estão preservados muitos elementos originais percebidos pela natureza primitiva da fortaleza, todo o sistema, como paredes, portas, caixas, baluartes e a grande torre de Homenagem a D. Álvaro de Luna se encontram em bom estado. Esta ultima é uma pilha impressionante de pedras quadradas uma característica muito boa tanto para as suas várias plantas, como para a sua distribuição. Os recursos de defesa da torre são notados nas ameias do alto - ligeiramente projetado sobre mísulas para defender os flancos. Também digno de nota é a igreja que ainda está preservada no interior da fortaleza dedicada a Santa Maria do Castelo, construída no século XIII, sob a influência do estilo de transição entre o românico tardio e gótico. Em 1924 foi declarada Monumento Nacional. Alburquerque, como acima referi é muito perto da fronteira com Portugal e foi um domínio antigo dos reis deste país. O nome vem do árabe Abu al-Qurq ', que significa "pai da cortiça ou do carvalho ". Os títulos de Senhor de Alburquerque de Meneses e, mais tarde Conde de Alburquerque de Castilla e Duque de Alburquerque de La Cueva foram muito importantes em Castela na Idade Média.

 

As origens mais remotas dos castelos no continente europeu são os castros proto-históricos, que à época da expansão romana evoluíram para um reduto ("castellum"), dominado por uma torre de vigilância, cercado por um fosso e por uma muralha ("vallum"). O Castelo de Almourol em Portugal é um exemplo típico da arquitetura medieval europeia. Os castelos, na sua conceção clássica, começaram a surgir no século IX, quer em resposta às incursões Normandas e Magiares a Norte e no Centro, quer às lutas da Reconquista cristã na península Ibérica, mas de forma geral como uma manifestação do poder político descentralizado dos senhores feudais. Do século IX ao século XV, milhares de castelos foram erguidos pelo continente. Durante este período os senhores feudais eram a lei e as suas torres, e depois castelos, a garantia da segurança e da ordem para as populações locais, as suas colheitas bem como o seu gado. Essa situação manteve-se até ao surgimento da artilharia.

 

Um pouco da história de D. Inês de Castro

 

D. Inês de Castro está intimamente ligada a este castelo, tratava-se de uma fidalga galega, de rara formosura, que fez parte da comitiva da infanta D. Constança de Castela, quando esta, em 1340, se deslocou a Portugal para casar com o príncipe D. Pedro (1320-1367). A beleza singular de D. Inês despertou desde logo a atenção do príncipe, que veio a apaixonar-se profundamente por ela. Desta paixão nasceu entre D. Pedro e D. Inês uma ligação amorosa que provocou escândalo na Corte portuguesa, motivo pelo qual o rei resolveu intervir, expulsando do reino Inês de Castro, que veio a instalar-se neste castelo de Albuquerque, na fronteira de Espanha. D. Constança morre de parto em 1345 e a ligação amorosa entre D. Pedro e D. Inês estreita-se ainda mais: contra a determinação do rei, Pedro manda que D. Inês regresse a Portugal e instala-a na sua própria casa, onde passam a viver uma vida de marido e mulher, de que nascem quatro filhos. Os conselheiros do rei aperceberam-se das atenções com que o herdeiro do trono português recebia os irmãos de D. Inês e outros fidalgos galegos, chamaram a atenção de D. Afonso IV para aquele estado de coisas e para os perigos que poderiam advir dessa circunstância, uma vez que seria natural antever a possibilidade de vir a criar-se uma influência dominante de Castela sobre a política Portuguesa, e persuadiram o rei de que esse perigo poderia afastar-se definitivamente, se cortassem pela raiz a causa real desse perigo, pois D. Inês exercia uma influência muito grande sobre o príncipe D. Pedro, que um dia viria a ser rei de Portugal, bastaria para isso eliminar D. Inês de Castro. O problema foi discutido na presença dos conselheiros do rei em Montemor-o-Velho, e aí ficou resolvido que Inês seria executada sem demora. Quando D. Inês soube desta resolução, foi ter com o rei, rodeada dos filhos, para implorar misericórdia, uma vez que ela se considerava isenta de qualquer culpa. As súplicas de Inês só momentaneamente apiedaram D. Afonso IV, que entretanto se deslocara a Coimbra para que se desse cumprimento à deliberação tomada. A execução de D. Inês efetuou-se a 7 de janeiro de 1355, segundo o ritual e as práticas daquele tempo. Anos depois, em 1360, D. Pedro I, já então rei de Portugal, jurou, perante a sua corte, que havia casado clandestinamente com D. Inês um ano antes da sua morte. O tema dos amores de D. Inês e da sua triste morte interessou a um grande número de poetas e escritores de várias épocas e de várias nacionalidades, e pode dizer-se que se contam por centenas as obras literárias em que o tema foi retratado. Este é um tema que também a mim me impressiona e prometo um dia voltar a ele com uma dedicação mais profunda…

 

Lendas e Mitos, meias verdades e muitas dúvidas…

 

Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360 faz a famosa declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se havia casado secretamente com Inês, em 1354 "...em dia que não se lembrava...". A palavra do rei, e de seu capelão foram a única prova deste casamento. Pedro perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados. Segundo a lenda, o Rei mandou arrancar a um o coração pelo peito e ao outro pelas costas, e assistiu à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para França, e foi mais tarde perdoado pelo Rei no seu leito de morte.

 

Pedro mandou construir dois esplêndidos túmulos no mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para onde trasladou os restos de sua amada Inês. Pedro juntou-se a Inês em 1367, e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenta "possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final". Inês de Castro tornou-se conhecida ao ter a sua história lembrada por Camões no Canto III d' Os Lusíadas, onde faz referência à «...mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha...». Foi amante e declarada postumamente esposa legítima de Pedro I de Portugal. A sua desventurada vida e controverso casamento ainda hoje fazem com que historiadores se debrucem sobre o caso, procurando indícios de veracidade no facto de ter havido ou não um casamento.

  

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Taken on June 25, 2011