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Portugal - O lendário e valoroso Castelo de Montemor-o-Velho. Se alguma coisa marca a história desta fortaleza, é o facto de nela ter sido decidida a morte de Inês de Castro, uma barbaridade mesmo para os padrões da época….

O lendário e valoroso Castelo de Montemor-o-Velho domina, do seu alto monte, a extensa e bela planície de arrozais do Baixo Mondego. Aqui se acolheram diferentes povos e culturas, existindo sinais materiais da passagem dos Romanos, como o testemunham alguns dos cilhares de pedra integrados na base da torre de menagem desta fortaleza medieval. Vivendo os tempo conturbados das invasões bárbaras e, posteriormente, do mais calmo reinado visigótico, Montemor-o-Velho seria ocupada no século VIII pelos muçulmanos, que deixaram nesta região uma forte impressão da sua cultura. Reconquistada em 848 para as armas cristãs, através de Ramiro I de Leão e do seu tio, o abade João, este castelo do Baixo Mondego mudaria de mãos por diversas vezes até ao século XI. Numa dessas razias, a fortaleza foi particularmente afectada pela acção militar desencadeada pelo impetuoso exército árabe de Almançor.

 

O castelo de Montemor-o-Velho está implantado num local que apresenta vestígios de ocupação muito antiga, provavelmente pré-histórica, todavia é certa a ocupação romana, atestada pelas pedras utilizadas na base da Torre de Menagem. As primeiras referências a este castelo, dão conta da sua reconquista aos árabes por volta de 848, mas cairia de novo nas mãos dos muçulmanos em 990, com uma nova reconquista cristã por volta do ano de 1006, para voltar à posse árabe em 1026, e este alternar de conquistas e reconquistas só viria a estabilizar por volta de 1064, quando Fernando Magno reconquista toda a região, empurrando os árabes para lá do Mondego. Este castelo em conjunto com os de Miranda, Penela, Soure e Santa Eulália formava, no período da consolidação da independência do Condado Portucalense, a cintura defensiva da cidade de Coimbra. Palco de muitas lutas, não só com os árabes, mas também devido às disputas entre os príncipes e reis de Portugal, e até nas invasões francesas, foi sendo reparado, ampliado e modificado ao logo dos séculos, mas se alguma coisa marca a história desta fortaleza, é o facto nela ter sido decidida a morte de Inês de Castro.

 

Ao longo dos anos, a quebra progressiva do interesse militar deste tipo de estruturas, foi ditando o abandono ou a sua utilização com outros fins, neste caso chegou a existir no seu interior, um cemitério, junto à igreja da Alcáçova, que foi retirado em meados do século XX. A partir de 1936 tem vindo a ser conservado, foram reconstruídas muralhas, foi colocada instalação eléctrica e criada uma casa de chá no que resta do chamado, Paço das Infantas. Para além do que este castelo tem para ver, da sua grande estrutura defensiva, no seu interior encontram-se as ruínas do antigo paço senhorial, a Igreja de Santa Maria da Alcáçova, a Capela de Santo António, a Igreja da Madalena e as ruínas da Capela de São João. Mais recentemente em1994 fizeram-se algumas obras de recuperação e consolidação das muralhas. Foram também ajardinadas algumas partes interiores. O castelo foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910.

 

O Castelo de Montemor-o-Velho e a Lenda das Arcas

 

Já diziam os antigos que no castelo de Montemor-o-Velho estão enterradas duas arcas, uma cheia de ouro e a outra cheia de peste. A sua origem remonta ao tempo dos Mouros quando era alcaide naquela cidade um viúvo austero que tinha uma única filha, a qual guardava longe dos olhares de todos como se fosse o maior tesouro do mundo. Um dia, quando a jovem era já uma mulher, um dos seus fiéis cavaleiros apaixonou-se por ela, mas o alcaide nem queria ouvir falar de tal possibilidade. Quando o cavaleiro insistiu, o alcaide resolveu prendê-lo e condenou-o à morte. Assim que a jovem soube da tragédia em que involuntariamente estava envolvida, ainda tentou interceder mas o pai permaneceu insensível às suas súplicas. A jovem que até então não fazia ideia do grande amor que o cavaleiro lhe dedicava, resolveu visitá-lo em segredo nas masmorras. Este amor devia estar já talhado no livro do destino, pois a jovem logo se apaixonou pelo cavaleiro e ambos fugiram do castelo. Porem, a sua captura foi fácil e logo foram levados a presença do irascível alcaide, este ainda ficou mais furioso quando soube que a sua filha tinha casado com o cavaleiro. Então, por vingança, resolveu dar-lhes uma prenda maldita: duas arcas, uma com ouro e a outra com a peste. Os jovens que prezavam mais a sua vida e o seu amor que todo o ouro do mundo fugiram do louco alcaide, deixando para trás as duas arcas que nunca ninguém ousou abrir e que ainda hoje estão enterradas nas muralhas do velho castelo. Muitos, movidos pela audácia ou pelo desespero de tempos difíceis, aproximaram-se das arcas e em épocas de crise muitos foram os que se juntaram para abrir a arca da fortuna… Mas… logo paravam atónitos e perplexos, petrificados com o medo de abrir a arca da peste pois esta se aberta traria ainda mais desgraça e miséria… E assim, as arcas lá continuam à espera de um dia alguém ter a ousadia de as procurar e a imprudência de as abrir...

  

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Taken on May 15, 2012