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Portugal - Amarante - Convento de S. Gonçalo - este imponente edifício construído junto as margens do rio Tâmega deu origem a uma das mais belas cidades Nortenhas de Portugal.

Falar de Amarante é antes de mais falar de uma cidade que transporta consigo o peso da história e que em determinados momentos muito contribuiu para a formação deste lindo pais que é Portugal. Amarante teve provavelmente a sua origem nos povos primitivos que habitaram a serra da Aboboreira (habitada desde a Idade da Pedra), embora se desconheça exactamente o nome dos seus fundadores. Contudo, só começou a adquirir importância e visibilidade após a chegada de São Gonçalo em (1187-1259), nascido em Tagilde, Guimarães, que aqui se fixou depois de peregrinar por Roma e Jerusalém. A este santo se atribui a construção da velha ponte sobre o Rio Tâmega. Desde então Amarante tornou-se alvo de peregrinações e a povoação foi crescendo em seu redor. Já no Século XVI, D. João III ordena a construção do Mosteiro de São Gonçalo (na foto acima) sobre uma antiga capela junto à ponte do Rio Tâmega, onde segundo a tradição São Gonçalo terá vivido e foi sepultado.

 

Gonçalo foi um frade dominicano nascido na segunda metade do século XIII e que ficaria intimamente ligado à cidade de Amarante, quer pela sua acção evangelizadora, quer ainda pela sua actividade como construtor da antiga ponte medieval que atravessava o Rio Tâmega nesta localidade nortenha. Após a sua morte, recebeu uma sepultura na pequena ermida nas margens do Tâmega, vindo a ser venerado por fervoroso culto popular a partir do século XVI, altura em que seria consagrado oficialmente como santo. D. João III autorizou a construção da Igreja e Convento de S. Gonçalo de Amarante, corria o ano de 1540. A sua edificação seria terminada cerca de 80 anos mais tarde. A autoria do projecto coube ao arquitecto dominicano frei Julião Romero, mas a sua planta original sofreria modificações no século XVII. Edificado na vigência da arquitectura maneirista, S. Gonçalo de Amarante receberia igualmente influências do austero Barroco seiscentista. A frontaria principal do templo é formada por arcos de volta perfeita, assentes em poderosos pilares. A frente contém uma rosácea e dois janelões, aberturas que estabelecem a iluminação interna do templo. A torre dos sinos é uma construção do Barroco setecentista. A fachada lateral possui um magnífico portal e uma galeria superior, denominada Varanda dos Reis. O soberbo portal é delineado numa dupla linguagem artística, estabelecida entre o Maneirismo e o Barroco. O edifício encontra-se dividido em três pisos, o térreo é de maiores dimensões face aos restantes. Este piso abre-se em arco de volta perfeita, ladeado por medalhões figurativos e delimitado por pares de colunas coríntias que assentam em elevados pedestais. Nesta zona encontram-se dois nichos abrigando as imagens de vulto de S. Francisco de Assis e de S. Domingos de Gusmão. O segundo piso é composto por seis colunas, enquadrando três nichos com as imagens graníticas de S. Gonçalo, S. Pedro e S. Tomás de Aquino. O último piso, de forte decoração barroca, apresenta colunas salomónicas e um nicho central com a estátua de N. S. do Rosário com o Menino. A varanda dos Reis é formada por cinco arcos também eles de volta perfeita apoiados em robustos pilares, onde se incluem quatro estátuas. A de D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e D. Filipe II de Espanha. Em destaque, existe a capela lateral do Evangelho, onde se localiza a sepultura de São Gonçalo, podendo observar-se a estátua jacente e a iconografia a ele associada.

 

Em 1763, ocorreu a derrocada da velha Ponte de São Gonçalo devido às cheias do Rio Tâmega. Nos anos seguintes foi reconstruída com o aspecto que ainda hoje apresenta. No início do Século XIX, Napoleão Bonaparte tenta invadir Portugal e sobre Amarante passaram também estas invasões francesas, sendo palco do heróico episódio da Defesa da Ponte de Amarante que valeu ao General Silveira o título de Conde de Amarante e a própria vila de Amarante teve a honra de ser agraciada com o colar da Ordem Militar da Torre e Espada que apresenta ainda hoje no seu brasão municipal. Após este episódio foram criados os planos para a reconstrução da vila, pois os franceses tinham incendiado quase a totalidade das casas. No entanto as reformas liberais do século XIX reorganizaram administrativamente o território e em 1855 extinguiram-se os municípios de Gouveia, Gestaço e Santa Cruz de Ribatâmega, tendo o de Amarante recebido a maioria das suas freguesias e ainda algumas de Celorico de Basto. O apogeu cultural dá-se nos inícios do Século XX, graças a amarantinos como Teixeira de Pascoais nas letras e Amadeu de Sousa Cardoso na pintura. Esta linda cidade tem tudo para merecer a atenção e uma visita demorada ao seu centro histórico e a um passeio descontraído nas margens do belo Rio Tâmega que tanto deu à cidade…Um grande bem-haja para o povo Amarantino…

  

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Taken on November 27, 2011