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Itália – Roma - O Coliseu - A grandeza deste monumento testemunha verdadeiramente o poder e o esplendor de Roma na época dos Flávios, bem como a dimensão que o império romano atingiu. | by FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA
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Itália – Roma - O Coliseu - A grandeza deste monumento testemunha verdadeiramente o poder e o esplendor de Roma na época dos Flávios, bem como a dimensão que o império romano atingiu.

O Coliseu e todo o mistério que gravita em seu redor, desde sempre exerceram um fascínio irresistível sobre todos os apaixonados pela história. Visitar o Coliseu de Roma é algo de mágico, que nos transporta a um tempo que ainda hoje, passados quase 2000 anos nos surpreende, não só pela imponência mas também pela carga emocional que nos transmite. Tudo que se possa dizer ou escrever acerca desta maravilha será sempre pouco, no entanto gostaria de partilhar com toda a gente não só a fotografia mas também algum do conhecimento que adquiri ao visita-lo e posterior pesquisa feita em livros e na internet. Nesta minha pesquisa fiquei a saber, que apenas dois terços da estrutura original conseguiram resistir ao tempo, terramotos, vândalos e construtores medievais que o utilizaram como uma pedreira de onde obtinham materiais para as suas construções. Mesmo assim, esta construção impressiona até o mais distraído dos turistas. No decorrer do dia que dedicamos ao Coliseu, deparamo-nos com uma situação no mínimo caricata pois sempre que nos afasta-mos dele para visitar os monumentos circundantes, senti-mos a necessidade de regressar junto dele e voltar a contempla-lo durante algum tempo, verificando que se trata sem dúvida alguma de um lugar que convida a uma reflexão bem mais profunda…

 

O Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano, deve o seu nome à expressão latina Colosseum (ou Coliseus, no latim tardio), devido à estátua colossal de Nero, que ficava perto da edificação. Localizado no centro de Roma, é uma excepção de entre os anfiteatros pelo seu volume e relevo arquitectónico. Originalmente capaz de albergar perto de 50 000 pessoas, e com 48 metros de altura, era usado para variados espectáculos. Foi construído a leste do Fórum Romano e demorou entre oito a dez anos a ser parcialmente construído e outros dezasseis a ser concluído. Esta magnífica obra arquitectónica foi construída entre 70 e 90 d.C. Iniciada por Vespasiano de 68 a 79 d.C. sendo mais tarde inaugurada por Tito por volta de 79 a 81 d.C. embora apenas tivesse sido finalizada alguns anos depois. Esta foi sem dúvida uma empresa colossal, que inicialmente, poderia sustentar no seu interior cerca de 50 000 espectadores, em três andares. Durante o reinado de Alexandre Severo e Gordiano III, foi ampliado com um quarto andar, podendo abrigar então cerca de 90 000 espectadores. Finalmente foi concluído por Domiciano, filho de Vespasiano e irmão mais novo de Tito, por volta de 81 a 96 d.C. Acredita-se que o Coliseu foi construído onde, outrora, foi o lago do "Palácio Dourado de Nero"; O imperador Vespasiano escolheu o local da construção para que o mal causado por Nero fosse esquecido a favor de uma construção gloriosa. A construção, como já referi, começou sob a ordem de Vespasiano numa área que se encontrava no fundo de um vale entre as colinas de Celio, Esquilino e Palatino. O lugar fora devastado pelo Grande incêndio de Roma do ano 64, durante a época de governo do imperador Nero, e mais tarde havia sido reorbanizado para o prazer pessoal do imperador com a construção de um enorme lago artificial, a Domus Aurea (em latim, "casa dourada") e de uma colossal estátua de si mesmo. Construída em tijolo e argamassa durante os poucos anos que mediaram entre o Grande incêndio de Roma (64ª d.C.) e o suicídio de Nero (68d.C.), a extensa folha de ouro que lhe deu o nome não foi o único elemento extravagante da sua decoração: foram aplicados tectos estucados com pedras semi-preciosas e folheados de marfim, enquanto as paredes eram cobertas de frescos, coordenando a decoração em diferentes temas e em cada um dos principais grupos de salas. Suetónio faz a seguinte afirmação acerca de Nero e da Domus Aurea: Quando o edifício foi finalizado neste estilo e ele o consagrou, dignou-se a dizer do alto da sua imensa arrogância e dando sentido a sua aprovação, que ia finalmente começar a ficar alojado como um ser humano. Embora o complexo da Domus Aurea cobrisse as encostas dos Montes Palatino, Esquilino e Celio, com um grande lago artificial escavado nas terras pantanosas, o seu tamanho estimado em aproximação, deveria ser já que uma grande parte da sua extensão ainda não foi escavada, e segundo alguns eruditos acreditam, mais de 300 acres, enquanto outros estimam o seu tamanho em cerca de 100 acres. Suetónio descreveu o complexo como "ruinosamente pródigo", pois incluía campos de trigo, vinhas, prados onde pastavam carneiros, bosques povoados de gamos e outros animais selvagens e um lago artificial onde podiam navegar galeras.

 

A ser verdade, tudo isto seria considerado um luxo impensável para os ditadores dos nossos dias. A única coisa que me surpreende é como será possível o ser humano não ter apreendido nada em 2000 mil anos de história, e em maior ou menor escala ainda hoje pretenda subjugar o mais fraco e o mais elementar dos princípios em detrimento do seu majestoso bem-estar, não dando a mínima importância a valores que deveriam ser Universais, mas isso é outra história.

 

Vespasiano, fundador da dinastia Flaviana, decidiu aumentar a moral e auto-estima dos cidadãos romanos e também cativá-los com uma política de pão e circo, demolindo o palácio de Nero e construindo uma arena permanente para espectáculos de gladiadores, execuções e outros entretenimentos de massas. (fórmula politica ainda hoje usada se bem que de uma maneira mais discreta, quem não se lembra da máxima dos três F de Salazar – Fátima Fado e Futebol, entre outras bem mais recentes…).

 

Vespasiano começou a sua própria remodelação do lugar entre os anos 70 e 72, possivelmente financiada com os tesouros conseguidos depois da vitória romana na Grande Revolta Judaica, no ano 70. Drenou-se o lago e o lugar foi designado para o Coliseu. Reclamando a terra da qual Nero se apropriou para o seu anfiteatro, Vespasiano conseguiu dois objectivos: Por um lado realizava um gesto muito popular e por outro colocar um símbolo do seu poder no coração da cidade. Mais tarde foram construídas uma escola de gladiadores e outros edifícios de apoio dentro das antigas terras da Domus Aurea, a maior parte da qual havia sido derrubada. Vespasiano morreu mesmo antes do Amphitheatrum Flavium ser concluído. O edifício tinha alcançado o terceiro piso e Tito foi capaz de terminar a construção tanto do Coliseu como dos banhos públicos adjacentes (que são conhecidos como as Termas de Tito) apenas um ano depois da morte de Vespasiano. A grandeza deste monumento testemunha verdadeiramente o poder e esplendor de Roma na época dos Flávios. Os jogos inaugurais do Coliseu tiveram lugar no ano 80 d.C., sob o mandato de Tito, para celebrar a finalização da construção. Depois do curto reinado de Tito começar com vários meses de desastres, incluindo a erupção do Vesúvio, um incêndio em Roma e um surto de "peste", o mesmo imperador inaugurou o edifício com jogos pródigos que duraram mais de cem dias, talvez para tentar apaziguar o público romano e os Deuses. Nesses jogos de cem dias teriam ocorrido combates de gladiadores, lutas de animais, execuções, caçadas e outros divertimentos numa escala sem precedentes. No Coliseu eram realizados diversos espectáculos, acompanhados de vários jogos realizados na urbe. Os combates entre gladiadores, chamados muneras, não eram pagos pelo Estado, mas sim por indivíduos em busca de prestígio e poder. Outro tipo de espectáculos era a caça de animais, ou venatio, onde eram utilizados animais selvagens importados de África. Os animais mais utilizados eram os grandes felinos como leões, leopardos e panteras, mas animais como rinocerontes, hipopótamos, elefantes, girafas, crocodilos e avestruzes também foram utilizados. Eram elaborados cenários onde constavam edifícios amovíveis e árvores. Estas últimas eram por vezes representadas numa escala gigante; Trajano celebrou a sua vitória em Dácia no ano 107 com concursos envolvendo 11 000 animais e 10 000 gladiadores no decorrer de 123 dias. Segundo o documentário produzido pelo canal televisivo fechado History Channel, o Coliseu também era utilizado para a realização de nau-maquias, ou batalhas navais. O coliseu era inundado por canais subterrâneos alimentados pelos aquedutos que traziam água de longe. Passada esta fase, foi construída uma estrutura, que é a que podemos ver hoje nas ruínas do Coliseu, com a altura de um prédio de dois andares, onde no passado se concentravam os gladiadores, feras e todo o pessoal que organizava os duelos que ocorreriam na arena. A arena era como um grande palco, feito de madeira, que em italiano significa areia, porque era jogada areia sob a estrutura de madeira para esconder as suas imperfeições. Os animais podiam ser inseridos nos duelos a qualquer momento por um esquema de elevadores que surgiam em alguns pontos da arena; o filme "Gladiador" retrata de uma forma simples e clara o funcionamento destes elevadores. Os estudiosos, há pouco tempo, descobriram uma rede de canais inundados por baixo da arena do Coliseu. Sylvae, ou as recreações de cenas naturais, eram também realizadas no Coliseu. Pintores, técnicos e arquitectos construiriam simulações de florestas com árvores e arbustos reais plantados no chão da arena. Animais seriam então introduzidos para dar vida à simulação. Esses cenários podiam servir só para agrado do público ou como pano de fundo para caçadas ou dramas representando episódios da mitologia romana, tão autênticos quanto possível, ao ponto de pessoas condenadas fazerem o papel de heróis onde eram mortos de forma horrível mas mitologicamente autênticas, como mutilados por animais ou queimados vivos. Embora o Coliseu tenha funcionado até o século VI, foram proibidos os jogos com mortes humanas desde 404, sendo apenas massacrados animais como elefantes, panteras ou leões. Que mundo este…

 

O Coliseu foi utilizado durante aproximadamente 500 anos, tendo sido o último registo efectuado no século VI da nossa era, bastante depois da queda de Roma em 476. O edifício deixou de ser usado para entretenimento no começo da Idade Média, mas foi mais tarde usado como habitação, oficina, forte, pedreira, sede de ordens religiosas e templo cristão. Embora esteja agora em ruínas devido a terramotos e pilhagens, o Coliseu sempre foi visto como símbolo do Império Romano, sendo um dos melhores exemplos da sua arquitectura. Actualmente é uma das maiores atracões turísticas de Roma e em 7 de Julho de 2007 foi eleita umas das "Sete maravilhas do mundo moderno". Além disso, o Coliseu ainda tem ligações à igreja, com o Papa a liderar a procissão da Via-sacra até ao Coliseu todas as Sextas-feiras. O Coliseu é conhecido como o maior símbolo da cidade de Roma, e um dos melhores exemplos da engenharia e da arquitectura Romana. Esta magnifica obra de engenharia foi sobretudo um enorme instrumento de propaganda e difusão da filosofia de toda uma civilização, e tal como era já profetizado pelo monge e historiador inglês Beda na sua obra do século VII "De temporibus liber": "Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma ruirá e quando Roma cair, o mundo cairá". Embora tenha dificuldade em acreditar em certas profecias, já estudei e li muito sobre algumas que foram concretizadas, tais como a queda de alguns Impérios que se autoproclamavam indestrutíveis na sua época, e no entanto, hoje, deles muito pouco resta…Vá-se lá perceber as lições que este mundo nos vai dando… E como costumo dizer aos meus amigos, o ser humano fica velho muito sedo e sábio tarde de mais…

 

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Taken on August 5, 2011