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Portugal - Amarante –  Ponte de São Gonçalo a ponte que terá dado origem ao ditado popular – Foi para o Maneta. Vamos viajar, e entrar nesse tempo. | by FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA
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Portugal - Amarante – Ponte de São Gonçalo a ponte que terá dado origem ao ditado popular – Foi para o Maneta. Vamos viajar, e entrar nesse tempo.

Localizada sobre o deslumbrante rio Tâmega, a Ponte de São Gonçalo é o cartão de entrada para o centro histórico desta belíssima cidade. A Ponte de São Gonçalo ficou ainda conhecida por ser palco da “Defesa da Ponte de Amarante” em 1809, aquando das Invasões Francesas. Palco, em 1809, de um dos mais heróicos episódios da resistência popular às Invasões Francesas, a ponte sobre o Tâmega, em Amarante, possui uma longa e atribulada história. Uma história (e muita lenda) que passa pela sua construção no século XVIII, mas também pela derrocada de uma anterior existente no local, cuja edificação na época medieval é atribuída a essa emblemática e simultaneamente nebulosa personagem que foi São Gonçalo. Este, para alcançar tal objectivo, recorreu a diversas estratégias miraculosas, incluindo uma preciosa ajuda dos peixes.

 

Curiosamente sabe-se muito pouco sobre a vida de São Gonçalo. Personagem do século XIII (terá falecido em 1268) este abade decide, segundo os seus hagiógrafos, ausentar-se da sua região numa peregrinação que o levará a Roma e aos Lugares Santos da paixão de Cristo, donde regressa catorze anos depois. Caluniado por um padre seu sobrinho, vê-se expulso da sua paróquia de Braga. Decide, então, praticar uma vida de santidade e torna-se eremita, fixando-se em Amarante onde, ainda segundo a lenda, desenvolverá uma das obras que o imortalizará: a construção de uma ponte que auxiliasse os viajantes, especialmente os peregrinos, evitando a perigosa passagem a vau do Tâmega que aí se praticava. Para alcançar o seu objectivo S. Gonçalo não só dedicará grande parte do seu tempo na recolha de esmolas, como desenvolverá vários milagres, incluindo a remoção, com as suas mãos, de enormes pedras. Fazer brotar água das rochas, para matar a sede dos pedreiros, é também atribuído ao santo que, igualmente, convocava os peixes que naturalmente se ofereciam aos construtores para as suas refeições.

 

Milagres à parte, historicamente é muito discutível que S. Gonçalo tenha assistido à construção ou, pelo menos, à conclusão da ponte já que esta,se encontra datada, pelo que se conhece da sua tipologia e por algumas referências documentais, dos finais do século XIII, época em que o santo já estava morto há muito. Mas, se não podemos atribuir a ponte a S. Gonçalo, não podemos descartar a hipótese de, pregando e esmolando, ele ter contribuído para o seu posterior aparecimento. Por esclarecer fica também qual a relação que S. Gonçalo poderá ter tido com uma outra ponte que parece ter existido anteriormente no local e para a qual existem referências datadas de 1220. Também esta terá entretanto ruído.

 

Da história da ponte barroca que hoje observamos, e que se encontra classificada como Monumento Nacional desde 1910. Não se pode esquecer, também, que durante as Invasões Francesas ela foi mesmo para o “Maneta”... em 18 De Abril de 1809. No contexto das Invasões Francesas uma importante força militar napoleónica, vinda do Porto, irrompe por Amarante. O objectivo é claro: ocupar e controlar este importante e estratégico local de passagem para Trás-os-Montes e Alto Douro. A coluna foi deixando atrás de si um rasto de destruição, ferocidade e morte que não é de estranhar pois era comandada pelo General Henri Loison que, pelas suas características físicas, foi apelidado de “Maneta”. De resto, os saques repetitivos e a acção habitual e profundamente destruidora das forças comandadas por Henri Loison fez nascer em Portugal a expressão ainda hoje corrente de “foi para o maneta” quando se faz referência a alguma coisa que desapareceu ou foi irremediavelmente destruída.

 

Pilhada e incendiada a povoação, os franceses depararam-se, contudo, com uma resistência inesperada. Comandados pelo General Francisco da Silveira, um pequeno punhado de soldados e de milicianos populares postou-se junto à ponte sobre o Tâmega, evitando heroicamente o avanço das tropas inimigas para a margem esquerda. Deste modo, transformada a ponte numa inexpugnável barricada, e não obstante os repetidos e desesperados ataques das tropas napoleónicas, as forças francesas viram-se travadas em Amarante muito mais tempo do que imaginariam.

 

Como vingança, durante as duas semanas seguintes, os ocupantes destruirão de forma sistemática a margem direita de Amarante, reduzindo a povoação a escombros... Foi mesmo para o Maneta! Finalmente, após 14 dias de grande resistência, os guerrilheiros portugueses acabaram por ceder na madrugada de nevoeiro de 2 de Maio face uma engenhosa estratégia de Henri Loison.

 

Aproveitando-se da fraca visibilidade causada pela névoa e despoletando uma manobra de diversão (simularam uma tentativa de travessia do rio de barco que despertou as atenções para o local fazendo, em contra partida, descorar a apertada vigilância da ponte), os franceses conseguiram colocar junto do entrincheiramento português vários barris de pólvora que haviam feito rolar silenciosamente sobre o tabuleiro da ponte, graças ao facto de estarem envolvidos em grossos panos. Após a violenta explosão dos barris, que rompeu a barricada e provocou um largo número de mortos e feridos, a resistência portuguesa dispersou-se e, definitiva e totalmente, Amarante rendia-se e as tropas francesas podiam agora atravessar a velha ponte sobre o Tâmega. Ponte que, afinal, nesse tempo, não era assim tão velha.

 

Na realidade, aquando destes acontecimentos, esta estratégica e fundamental passagem possuía apenas vinte anos de idade. Para trás ficava um assombroso investimento de 26 contos e 939 reis e, embora os estudiosos estejam de acordo em atribuir o projecto desta belíssima ponte barroca ao arquitecto Carlos Amarante, a verdade é que para a posteridade ficou apenas gravado, numa das guardas, que o “mestre desta real obra foi Francisco Tomás da Mota”.

 

Esta terra adorável sempre me fascinou, e quanto mais descubro a sua história, mais vontade tenho de a estudar…

  

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Taken on November 27, 2010