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The letter ("A Carta") (1979) - Bertina Lopes (1924 - 2012) | by pedrosimoes7
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The letter ("A Carta") (1979) - Bertina Lopes (1924 - 2012)

Centro de Arte Manuel de Brito, CAMB, Palácio dos Anjos, Algés, Portugal

 

Material : Bronze

Collection: Manuel de Brito

 

BIOGRAPHY

 

Bertina Lopes, artista de fama internacional, nasce em Lourenço Marques, actual Maputo, capital de Moçambique, a 11 de Julho de 1924. A mãe provém de uma distinta família local, enquanto o pai é um colono português dedicado ao comércio.

 

A artista recebe, juntamente com as três irmãs, uma rígida educação escolar e, do ambiente familiar muito vivo, o estímulo para a precoce tendência artística e o sentido de justiça e liberdade que desde sempre influenciaram as suas escolhas pessoais, ideais e artísticas. Frequenta a escola em Maputo, até ao segundo ano do liceu, e completa a escola secundária em Lisboa onde começa a estudar pintura e desenho com Lino António e Celestino Alves.

 

Entre 1945 e ’49 frequenta o curso de “Desenhador Litógrafo e Pintura Decorativa” na escola de Artes Decorativas “António Arroio”, onde recebe o diploma e a habilitação para o ensino artístico. Nessa mesma cidade frequenta a Escola Superior de Belas Artes, que corresponde às Academias de Belas Artes dos outros países europeus, e entra em contacto com famosos pintores e intelectuais do período, entre os quais Carlos Botelho, Albertina Mántua, Costa Pinheiro, Júlio Pomar e Nuno Sampayo.

Durante esse período Bertina é influenciada sobretudo pela pintura de vanguarda e de superação da arte do chamado “Modernismo” português.

 

Na sua formação, bem como naquela de outros jovens artistas seus contemporâneos, fundamentais são as exposições de artes organizadas pela Sociedade Nacional de Belas Artes (1946-56), das quais participam importantes pintores ocidentais e os muralistas sul-americanos.

 

O clima cultural e artístico de Portugal daquela altura sofre a censura asfixiante do regime de António Salazar, sobretudo relativamente à produção daquela que era definida como “arte negra”.

 

E justamente nesse climax que Bertina começa a respirar o ar dos círculos antifascistas de inspiração marxista e liberal, conhece muitos dirigentes políticos da oposição clandestina, maturando um forte sentimento de liberdade e de democracia. Declama abertamente as suas simpatias comunistas e a polícia secreta mantém-na sob controlo.

 

Em 1953 regressa a Moçambique onde, durante nove anos, dá aulas de “Desenho artístico” na Escola Técnica feminina "General Machado", e além disso dá aulas de “Desenho artístico” e “Pintura decorativa” na sede da Associação Africana.

Os seus métodos didácticos inovadores, baseados na observação da realidade urbana, social e da natureza, e o sentido de liberdade das suas ideias estéticas e políticas, tornam-na muito popular e amada entre as suas estudantes do instituto “Machado”, bem como entre os estudantes das outras escolas de Maputo, porém tais métodos chocam com os rígidos esquemas escolares oficiais.

 

Em 1956 realiza uma pintura mural no Pavilhão da Evocação Histórica da Exposição de Actividades Sociais, Culturais e Económicas, aberta por ocasião da visita a Moçambique do Gen. Craveiro Lopes, Presidente da República de Portugal. Em 1959 é nomeada Presidente da Secção das Artes Plásticas do Núcleo de Arte de Maputo e, em 1960, vice-presidente da Direcção do próprio Núcleo de Arte.

 

Neste período começam também os problemas políticos da artista; pois, são estes os anos quando a Lopes conhece os protagonistas da luta anticolonial moçambicana, começando por Eduardo Mondlane, fundador da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e Samora Machel, futuro Presidente da República de Moçambique livre e independente, além dos maiores artistas e homens da cultura que desempenharão um papel de primária importância na futura história do país.

 

Do ponto de vista artístico, Bertina Lopes aproxima-se também da poesia, em particular daquela de Noémia de Sousa e sobretudo daquela de José Craveirinha, que influenciaram irremediavelmente a sua sensibilidade artística e as motivações ideais entrando directamente na sua figuração ainda que propositadamente primitiva.

 

Casa-se com um jovem jornalista e poeta, Virgílio de Lemos (Ibo 1929), uma das figuras fundamentais da poesia moçambicana, com o qual teve em 1955 os gémeos, Virgílio e Eugénio. São os anos nos quais de Lemos, com o heterónimo de Duarte Galvão, publica um poema anticolonial, por causa do qual sofre um processo por desprezo à bandeira portuguesa (1954) e entra na resistência moçambicana (1954-61). É também acusado e preso por “subversão” e colaboracionismo com os grupos clandestinos activos pela independência de Moçambique.

 

Bertina, com o marido, e graças também às suas frequentações políticas e culturais, solidifica sempre mais o seu sentimento político baseado na necessidade do resgate dos povos da opressão colonial e da discriminação racial, social e cultural, inseparável da arrogância da invasão colonial de África por parte do Ocidente que provoca exploração e sofrimento. A isso se acompanha um inato espírito de solidariedade para com os humildes, os oprimidos, os frágeis que se tornam protagonistas de muitas obras dela, deste período.

 

Em 1961, por razões políticas e por causa de fortes repressões do colonialismo salazarista, a Lopes deixa o ensino e abandona Moçambique para Portugal, onde por um período vive e pinta através de uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian de Lisboa, obtida graças à clarividência do jovem director Victor de Sá Machado. No ano seguinte os filhos chegam e mudam-se para Cascais, enquanto o marido consegue fugir de Moçambique e chegar a Paris com muitas dificuldades.

 

A pintura da Lopes destes anos vira-se, do ponto de vista estilístico, para aquele forte sentido de etnicidade que será uma marca distintiva também nos anos romanos (anos Sessenta-Setenta); enquanto, relativamente aos temas representados, a artista entrega-se às histórias de África, às poesias de José Craveirinha, além da realidade social e política que vive naquele período e que a acompanham também nos anos Sessenta, isto é durante a distância geográfica da madre pátria, tornando-se quase novas mitologias expressivas e, através do empenho social político e humanitário, grito de oposição e acção para com a independência.

 

EM LISBOA CONHECE MANUEL DE BRITO, director da Galeria III, através do qual continuará a investigar as novidades estilísticas e conceptuais da pintura de vanguarda e que a faz conhecer a muitos artistas e intelectuais de passagem em Portugal. De resto, mesmo no plano visual, a figuração de Bertina é sempre mais envolvida pela aspiração vanguardista, desenvolvida através do uso desinibido da cor e no uso daquela linha totalmente deduzida do deconstructivismo pós-cubista. Dois elementos que representam um verdadeiro fil rouge sobre o qual a Lopes construiu, e continuará a fazê-lo, o próprio sucessivo catálogo artístico.

 

Em 1963 Bertina, sempre em Lisboa, começa a trabalhar a cerâmica com Querumbin Lapa, na Fábrica Viúva Lamego. Neste mesmo período obtém uma nova bolsa de estudo da Fundação Gulbenkian e consegue deixar Portugal onde já se tinha tornado impossível viver por uma mulher, artista, livre. Bertina muda-se para Roma (1964), com o duplo objectivo de escapar ao controlo da polícia política portuguesa e também para completar e refinar a sua formação artística.

 

Em 1965, mesmo em Roma, casa-se com Francesco Confaloni, jovem apaixonado de arte e música, e adquire a nacionalidade italiana. Neste período são determinantes os encontros com alguns artistas italianos, com os quais Bertina começa a confrontar a sua linguagem pessoal e original. Entre outros, recordamos Marcello Avenali, Franco Gentilini, Emilio Greco, Lorenzo Guerrini, Carlo Levi, ao qual foi muito ligada, Marino Marini e Antonio Scordia (quando faleceu, Bertina dedicou-lhe uma pintura, uma homenagem comovida, em 1988). Mais complexa foi a relação com Renato Guttuso.

 

Aos artistas conhecidos e frequentados temos de acrescentar os intelectuais e críticos que acompanharam e apoiaram a arte de Bertina começando por Giulio Carlo Argan, Dario Micacchi passando por Nello Ponente, Marcello Venturoli e, sucessivamente, nos anos Setenta-Oitenta, Enrico Crispolti, Simonetta Lux, Renato Nicolini, Carlo Savini, Luciana Stegagno Picchio, Claudio Strinati, etc. Sem esquecer a forte união cultural e de intenções perseguida com Enrico Berlinguer.

 

É justamente em Roma que Bertina Lopes acentua a radicalidade expressiva da sua figuração. “A minha raiz antiga” é o título de uma série de obras dos anos Sessenta-Setenta através das quais apreende-se aquele carácter reflexivo e nostálgico de "pessoal olhar para com o passado" da sua prática pictórica naquele período.

 

Em 1973 a artista desloca-se, por um período, aos EUA, visita Nova Iorque, Washington, Boston, Filadélfia e os museus de arte contemporânea, intensificando assim o seu conhecimento da arte de vanguarda e pós, deixando-se ainda mais influenciar por fermentos pictóricos do pós-cubismo de Georges Braque, do linearismo sincopado de Henri Matisse e, ainda, da arte de Pablo Picasso - considerado pela artista o verdadeiro “génio do ‘900” - e através do qual a Lopes confronta o progressivo refinar-se do seu pessoal e original estilo pictórico.

 

Bertina conhecerá Picasso somente nos últimos anos de vida do pintor espanhol através de uma amiga comum, a galerista madrilena Juana Mordò. Depois desse intenso e fundamental encontro profissional e humano, Bertina em 1974, após uma profunda metabolização da morte Picasso (1973), realiza uma das suas mais importantes e intensas pinturas, “Homenagem pela morte de Picasso”. A obra é propositadamente inspirada ao estilo de “Guernica”, porém com um mais forte sentido de angústia, de claustrofobia e de tragicidade da obra. O “pai da vanguarda pictórica mundial”, é representado de perfil, cinzento-verde – a morte/imortalidade dos monumentos celebrativos – com duas orelhas e dois olhos por cada lado, explicita alusão à potência dos sentidos peculiares do artista. Ao lado do “génio”, ao alto, o Minotauro, sujeito já identificativo do artista, à volta dele, mulheres que choram e soldados símbolo da repressão política de que Picasso foi vítima por muito tempo e contra a qual sempre lutou. Esta obra da Lopes torna-se paradigma e suma da própria pintura por ela desenvolvida durante todos os anos Setenta.

 

Forte e contínuo permanece o laço de Bertina com Moçambique e Portugal - onde vivem as irmãs e os filhos - que se intensifica após a Revolução dos Cravos, terminada a 25 de Abril de 1974 com o regresso da democracia em Portugal, no período da “Terceira República”, da planificação das reformas democráticas que leva a garantir em 1975 a independência dos seus territórios africanos. Mais de um milhão de afro-portugueses deixam estas colónias, mas Moçambique começa a ser dilacerado por uma série de guerras civis (1976-1992).

 

A pintura de Bertina Lopes ressente muito das tensões emotivas ligadas aos eventos políticos que se reflectem tão directamente nas condições de vida da população do seu país, sobretudo no período após independência da guerra fratricida dos grupos independentistas de Moçambique, colonizados nos dois movimentos antagónicos da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana).

 

Sob a presidência de Samora Machel, líder da FRELIMO, adoptando uma economia socialista e apoiando politicamente os outros movimentos independentistas da região, como o African National Congress sul-africano. A posição política de Moçambique custa ao país a hostilidade dos governos brancos da África do Sul e da Rodésia e até dos Estados Unidos. Estes países estiveram entre os principais financiadores dos antagonistas ao novo Presidente, reunidos debaixo da sigla da RENAMO, um movimento armado anti-comunista que nos Oitenta leva Moçambique para uma guerra civil com consequências humanas, humanitárias e económicas desastrosas.

 

Esta guerra fratricida provoca um espasmo emotivo lacerante em Bertina Lopes que bem se manifesta nas telas do período, do impacto cromático muito violento, da experimentação de novos materiais utilizados como explicita ruptura, denúncia e protesto político. Os seus “Totem” feitos de cordas, cartas, fragmentos de madeira, etc, tornam-se verdadeiros emblemas culturais e visuais de uma mãe pátria demasiado fechada no próprio microcosmo político, manipulado pelas grandes potências ocidentais. São mesmo essas obras admiradas por Giulio Carlo Argan, que considerava, na qualidade de historiador de arte e Presidente do Conselho Municipal de Roma (1976-79), a arte de Bertina Lopes como uma das expressões mais apropriadas a julgar Roma “communis patria” de cada forma de cultura, ao ponto de convidá-la a expor, em 1977, na “Quadrienal de Arte Nacional de Roma”, no Palácio das Exposições.

 

Em 1979 o Governo da República Popular de Moçambique concede-lhe a nacionalidade moçambicana. No começo dos anos Oitenta, sempre seguindo a referida contraposição ideológica, Bertina Lopes inicia uma produção de bronzes, também estes de carácter totémico, onde novamente é explicitado o sentido e a metáfora visual da violência.

 

Em 1981 assina um contrato com a fábrica “Fortunato Silvério” do Porto para a realização de papel de parede. Nesse mesmo ano, a artista é convidada oficialmente por Samora Machel, Presidente de Moçambique, para participar dos festejos alusivos ao VI Aniversário da Independência de Moçambique. Ainda em 1981 Bertina Lopes é também convidada, expressamente pelo Ministério da Cultura do Iraque, a expor no Museu de Arte Moderna de Bagdade.

 

Em 1982, no Museu Nacional de Arte de Maputo, é organizada uma importante resenha da pintura de Bertina Lopes, de algum modo um reconhecimento oficial do trabalho desenvolvido pela artista na Europa como verdadeiro intermediário com a madre pátria. Sucessivamente, recordamos a exposição dos novos bronzes e dos quadros do último período de Lopes expostos em Luanda, em Angola, com convite oficial da Secretaria de Estado da República Popular de Angola, e, em 1986, a fundamental antológica organizada no Palácio Venezia em Roma.

 

No final dos anos Oitenta e início dos Noventa, Bertina Lopes, num período de total reflexão sobre as próprias raízes culturais e ao longo do percurso estilístico do abstractismo, que adopta entre o final dos anos Setenta e o começo dos anos Oitenta como recusa e ultrapassagem da sua anterior matriz expressiva, começa a dirigir o olhar pictórico para o Cosmo, o Espaço. Em particular, é a primeira metade dos anos Noventa que fica caracterizada pela produção de obras centradas mesmo na rescrita de uma mais sempre colorida, privada, realidade Cosmogónica, caracterizada por intersecções astrais, encaixes e encontros planetários e por uma série de signos nos quais permanece evidente a raiz africana da artista.

 

Bertina Lopes tende nesta maneira, mesmo se apenas do ponto de vista visual, a despregar-se daquela ideia mundana do quotidiano que desde sempre caracterizava o seu percurso expressivo, ligando-se com um ainda mais forte vigor colorístico, às novas teorias de pensamento do final do milénio, caracterizadas por uma maior contextualização e fascínio para com o universo, muitas vezes também através da possibilidade de reactualizar um particular espiritualismo pânico.

 

Do ponto de vista da actividade política da Lopes, recordamos a sua silenciosa e constante intermediação, que levou, a 4 de Outubro de 1992, em Roma, à assinatura daquilo que é histórica e mundialmente conhecido como “Acordo Geral de Paz de Roma”, tratado de paz negociado entre o governo de Moçambique e os opositores da RENAMO.

Chegou-se ao acordo de paz após uma longa mediação – 27 meses com 11 sessões de trabalho – iniciada e levada a cabo, sobretudo com o apoio das Nações Unidas, da Comunidade de Sant’Egidio, representada por Andrea Riccardi e Matteo Zuppi, do bispo Jaime Gonçalves e do Governo Italiano. Assim Andrea Riccardi, desde 2011 Ministro pela Cooperação Internacional do Governo italiano, introduz os trabalhos pela paz: «Esta casa, (…) abre-se nestes dias como uma casa moçambicana para os moçambicanos (...). Temos a consciência de estarmos perante moçambicanos patriotas, realmente africanos, sem a presença de elementos externos. Cada um de vocês tem raízes profundas no país. A vossa história chama-se Moçambique. O vosso futuro chama-se Moçambique. Nós mesmos estamos aqui como anfitriões de um evento e de um encontro que sentimos totalmente moçambicanos. Nesta perspectiva a nossa presença entende ser forte por aquilo que diz respeito à amizade, mas discreta e respeitosa».

 

Em 1993, em Lisboa, Bertina Lopes é nomeada "Comendadora das Artes" pelo Presidente da República de Portugal, Mário Soares. Nesse mesmo ano torna-se Conselheira cultura da Embaixada de Moçambique em Itália. Certamente um reconhecimento importante para quem sempre ajudou e organizou iniciativas culturais e artísticas em prol da madre partia.

 

Ao longo de muitos anos de actividade artística Bertina realiza inúmeras exposições, em prestigiadas sedes italianas e estrangeiras, e o seu importante empenho artístico e humano lhe valeu numerosos reconhecimentos, entre os quais "Grand Prix d'Honoeur" atribuído em 1988 pela União Europeia dos Críticos de Arte e o Prémio Mundial "Carson", da Rachel Carson Memorial Foundation de Nova Iorque, em 1991.

 

No que diz respeito às exposições, em 1996, durante a Conferência Mundial da Alimentação, a FAO organiza uma exposição temática de Bertina Lopes que se torna a primeira exposição a nível internacional realizada na sede mundial da FAO de Roma.

 

Em 1998 um novo importante encontro caracteriza a vida de Bertina Lopes, o com Nelson Mandela através de Graça Machel, viúva do General Samora Machel, falecido em 1986 num acidente aéreo cujas causas ainda são controversas, e terceira mulher do líder sul-africano anti -apartheid e Prémio Nobel da Paz.

 

No fragmento cronológico caracterizado pela passagem entre os séculos XX e XXI?, Bertina Lopes concentra estilisticamente a sua pintura sempre mais na ausência do pincel e numa maior concentração colorística, não desdenhando o uso de materiais de reciclagem industrial.

 

Para Bertina Lopes, o motivo criativo de base torna-se o deitar, controlado, conduzido, do pigmento cromático na tela, às vezes trabalhado também de forma violenta. As suas obras assim, de dimensões sempre maiores, são formadas de grumos e estrias de cor, determinadas por vistosas concentrações matéricas com variável estridente. As manchas tornam-se quase psicadélicas, caleidoscópicas, bem como demonstra aquela série de novas pinturas (2000-2002) caracterizadas por uma marca rítmica, no sentido do ritmo da cor assim como do ponto de vista da influência musical - jazz – não nova de qualquer forma na pintura da Lopes que, já anteriormente, por volta do começo dos anos Noventa, se tinha aproximado das teorias sobre a cor espiritual e musical de Kandinskij.

 

Em 2002, depois da grande antológica organizada no Palácio da Chancelaria Apostólica de Roma, sob a égide da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, Bertina Lopes recebe a Placa de prata do Presidente da República Italiana, um dos reconhecimentos mais ambicionados no campo cultural, artístico e intelectual. A referida exposição é organizada em colaboração com o Conselho Italiano para os Refugiados e dedicada às pessoas obrigadas ao exílio, em fuga das guerras, das violações dos direitos humanos.

 

Em 2006 o Ministério para os Bens e as Actividades Culturais organiza uma nova grande antológica da arte de Bertina Lopes no Museu da Cidade de Rimini e o Arquivo Central de Estrado de Roma. Nessa ocasião é publicitada a saudação augural, “com sentimentos de vivo apreço pelo valor cultural da iniciativa” do Presidente da Republica Italiana Carlo Azeglio Ciampi

 

A artista faleceu em Roma a 10 de Fevereiro de 2012. Nesse mesmo ano o marido, Francesco Confaloni, começa a sistematizar o primeiro núcleo documental, em papel e web, do Arquivo Bertina Lopes através da recolha e organização de todo o material artístico de Bertina Lopes.

 

As obras de Bertina encontram-se em numerosas colecções privadas e públicas nacionais e internacionais, entre as quais recordamos: Bagdade (Iraque), Museu Nacional de Arte Moderna; Castelfranco Veneto (Treviso), Palazzo Comunale; Jedda (Arábia Saudita), Museu Nacional de Arte; San Gabriele (Teramo), Museu Staurós d’Arte Sacra Contemporânea; Lisboa (Portugal), Museu da Fundação Calouste Gulbenkian; Lisboa (Portugal), Fundação Mário Soares; Maputo (Moçambique), Museu Nacional de Arte; Orvieto (Terni), Palazzo Comunale; Roma, Arquivo Central do Estado; Roma, Sede mundial da FAO; Varese, Museu Civico; Capua (Caserta), Museu Campano.

Prémios

 

1950 – Prémio de Pintura, Lourenço Marques (Moçambique).

1953 - Medalha de Prata, Lourenço Marques (Moçambique).

1953 - Prémio Empresa Moderna, Lda., Lourenço Marques (Moçambique).

1958 - 1° Premio (Maior Mérito Artìstico), Beira (Moçambique).

1974 - “Trullo D'Oro”, Fasano di Puglia (Brindisi).

1974 - “La Mamma nell'arte. Comunità di Sant'Egidio”, Roma.

1975 – Prémio Internacional de Pintura “Centro Internazionale d'Arte e Cultura Mediterranea”, Corfù (Grecia).

1978 - “Leader d'Arte. Campidoglio”, Roma.

1986 - “Venere d'Argento”, Erice (Trapani).

1988 - “Grand Prix d'Honneur”, União Europeia dos Críticos de Arte, Roma.

1991 - Premio Mondiale “Rachel Carson Memorial Foundation”, Roma.

1992 - “La Plejade per l'Arte”, Roma.

1993 - “Comendadora por méritos”, prémio atribuído pelo Presidente de Portugal Mário Soares, Lisboa (Portugal).

1994 - Centro Franciscano Internacional de Estudos para o diálogo entre os povos, Assis (Perugia).

1995 - Premio “Gabriele d'Annunzio”, Pescara.

1996 - Premio ”Messaggero della Pace UNIPAX”, Roma.

1998 - “Premio Internazionale Arte e Solidarietà nell'Arca”, Firenze.

1998 - Premio Internazionale “Fra’ Angelico”, Roma.

2002 – Placa de prata do Presidente da Republica Italiana.

 

© Roma Centro Mostre / Archivio Bertina Lopes (Maputo/Lisbona/Roma)

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Taken on May 6, 2017