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Nook with stepladder (1988) - Manuel Amado (1938) | by pedrosimoes7
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Nook with stepladder (1988) - Manuel Amado (1938)

CENTRO DE ARTE MODERNA (CAM), CALOUSTE GULBENKIAN FOUNDATION, LISBOA, PORTUGAL

 

"Houses in the CAM Collection"

 

Material : Oil on Canvas

Inv.: 97P530

Collection : CAM - Calouste Gulbenkian Foundation

 

BIOGRAPHY

 

in EXPRESSO/Actual de 10-02-2007

 

A VERDADE DA ILUSÃO

 

Uma incursão do ilusionismo próprio da pintura figurativa de Manuel Amado no mundo do fingimento do teatro

 

O lugar de exposição, histórico-patrimonial, é inesperado. É também inesperado o espaço amplo das salas comunicantes que acolhem as 50 telas mostradas, um corpo vasto de trabalho, tematicamente unificado e erguido ao longo de quatro anos de produção, de 2002 a 2006. Também é uma surpresa a aparição de figuras numa pintura que se tem fixado em lugares vazios, mesmo quando é muito forte a impressão de que alguém habita as salas e corredores desertos, ou que alguém passou ou vai passar pelas suas vistas interiores (e íntimas) ou pelas paisagens exteriores de ruas e jardins.

 

Parece, de facto, haver sempre uma natureza ficcional na pintura de Manuel Amado, presente nesse estranho e breve intervalo que pode ser a expectativa ou o vestígio de alguma acção, momento fixado algures entre passado e futuro, embora a primeira aparência seja sempre a de uma silenciosa imobilidade descritiva. É algo que transporta o ilusionismo da representação desde a possível referência fotográfica para a vizinhança do literário e em que se associam aos cenários, sem decifração acessível, a sugestão de possíveis memórias pessoais e a invenção de enredos prováveis. Não se trata nunca de contar uma história, mas de tornar perceptível que ela poderia ter acontecido ou talvez venha a acontecer, porque está sempre presente (como imaginário) algo mais do que aquilo que exactamente vemos (como imagem). Talvez por isso se tenham sucedido os romancistas e poetas nos textos de apresentação das suas exposições.

 

Noutros casos poderia dizer-se que é a presença substancial da luz (a luz e a sombra projectadas com rigor geométrico de arquitecto) que assume o protagonismo no quadro, e é então o observador, o do local e depois o da sua representação, que ganha a condição de personagem central de uma situação talvez memorialista, talvez efabulatória, em que alguma inquietação está sempre presente.

 

Se a fronteira do realismo é sempre instável, dissolvendo a possibilidade de uma designação coerente, a pintura de Manuel Amado aproxima-se de alguns realismos que se poderão apelidar de metafísicos pela presença imanente e silenciosa de algo que se enuncia para além da exacta descrição da realidade, dos quais Hammershoi e Hooper são expoentes. São por natureza exteriores ou alheios às correntes dominantes e, em especial, aos realismos mediáticos e mais mediatizados, mas essa é precisamente uma das suas qualidades. Hammershoi e Hooper são pintores do tempo do cinema, um dos primórdios e outro dos seus tempos clássicos; Manuel Amado revela-se mais interessado no teatro, que constituiu, aliás, parte decisiva do seu passado pessoal - é filho de Fernando Amado, autor, encenador e actor, fundador da Casa da Comédia e do Teatro Ginásio, e ele mesmo actor enquanto estudante.

 

Aquela possibilidade sempre sustida de irromper em cena (na cena do quadro) uma outra realidade, rasgando a imobilidade dos cenários, dá agora lugar declarado, desde o título escolhido, à promessa concreta do espectáculo. Há ainda corredores e salas (de teatro) vazias, mas o que interessa ao pintor é o palco e o que nele acontece. Tornam-se manifestamente cenários o que em obras anteriores podiam ser vistas de interiores, e o mundo das aparências, o palco, desconstrói-se quando passa a ser observado dos dois lados da acção, da sala e dos bastidores.

 

O fingimento e o seu reverso (o verso dos adereços), que é ainda ilusionista, montam-se em palco através do recurso a um dos tipos mais codificados do teatro, a «commedia dell’arte», e são também os seus personagens que dão corpo à acção imobilizada nos quadros, tornados eles mesmos adereços de um espectáculo que agora não é teatro mas pintura.

 

TEXTO DE ALEXANDRE POMAR?

 

Manuel Amado

«O Espectáculo Vai Começar...»

Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio da Ajuda, até 17 de Março de 2007

 

Nota : Tive imensa dificuldade em obter informação sobre este artista português, apesar de ter tentado várias abordagens. Tem um site próprio em português e inglês, muito bem feito, onde consta uma biografia muito completa mas que não se deixa copiar.

 

Peço desculpa ao artista e a quem se dá ao trabalho de ler os textos que obtenho, por um eventual abuso do texto utilizado que retirarei logo que receba indicação nesse sentido.

 

De qualquer forma gosto muito das duas pinturas que fotografei e das outras que pude ver no site.

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Taken on July 9, 2016