Minaudière
Feita de ônix, ouro, platina, laca, com incrustrações de pedras preciosas, a minaudière é uma espécie de jóia de mão em forma de minicarteira para carregar em festas de gala, cocktail parties, soirée no teatro. Mais do que isso, é uma espécie de kit de sobrevivência e charme da mulher elegante – cheia de compartimentos para pó-de-arroz, blush, batom, frasquinhos para perfume, pill boxes, pente de tartaruga, binóculos, cigarros, espelho, relógio embutido (para evitar o constrangimento de demonstrar o tédio em uma festa ao olhar no relógio de pulso, algo desaprovado em qualquer manual das boas maneiras até hoje). Tudo ajeitado de maneira engenhosa e milimétrica – uma idéia inspirada na americana Florence Jay Gold, mulher de um magnata das chaminés de ferro. Charles Arpels viu a amiga jogar displicentemente seus acessórios indispensáveis numa caixinha de metal prata e percebeu que uma mulher de fino trato tinha necessidade de algo mais prático, organizado e charmoso do que a bagunça de Florence. Minaudière, palavra em francês para ‘dengosa, afetada’, faz referência às maneiras de Estelle Arpels, irmã de Charles e casada com Alfred Van Cleef – fundador da maison Van Cleef & Arpels – que era adepta de uma série de frescurinhas para manter as aparências. Criada para substituir a já insuficiente vanity cases (ou nécéssaires) dos anos 1920 – minikit de beleza com apenas espelho, pó, batom, cigarros –, a ‘dengosinha’ nasceu nos ateliês da joalheria francesa em 1930, foi desbancada nos anos 1960 por bolsinhas de ombro – e hoje só é fabricada sob encomenda.
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