O caso do homem errado (11/05/2017)
Vidas negras importam. Na noite de quinta, em Porto Alegre, ato da Esquina do Zaire (a Esquina Democrática) à cinemateca Capitólio, onde logo mais aconteceria o lançamento do filme "O caso do homem errado". Existe o "homem certo"? O documentário conta a história de Júlio César, jovem negro exterminado pela polícia após ser confundido com um assaltante de um mercado em 1987. Foi morto à caminho do HPS, algemado, com dois tiros. Jornalistas, familiares e amigos fizeram uma luta conjunta para investigar o caso, enfrentando as manipulações e mentiras da Brigada Militar. Os policiais envolvidos foram condenados a mais de 10 de prisão, mas após alguns meses conseguiram habeas corpus e foram soltos. Lembrando Cláudia (arrastada por um carro da Polícia Militar), Amarildo (desaparecido após ser detido por policiais) e Rafael Braga (único manifestante de 2013 que segue preso após ser enxertado por policiais), o ato da noite desta quinta disse a pessoas em situação de rua do Viaduto Otávio Rocha, a policiais que passavam pela Demétrio Ribeiro, a quem passava pelo centro ou esperava o ônibus para ir para casa que vidas negras importam. "A carne mais barata do mercado é a carne negra" cantavam, cada um com a sua gana, tristeza, raiva ou outro sentimento que não sei. Alguém completava: "mas deixará de ser". Contra a morte dos jovens negros. 82 jovens morrem no Brasil POR DIA. 77% são negros. Vitimismo? O racismo está nas estatísticas. Quando questionamos estes números o quão colonizados seguimos? O quanto queremos manter nossos privilégios? O quanto estamos fechando os olhos?
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