A UPMS é um espaço onde cada movimento social pode compartilhar seus saberes. Todos geram conhecimentos a partir de suas lutas. O objetivo da UPMS é a articulação política entre diferentes movimentos. É a possibilidade de fazer uma discussão onde não há disputa por recursos ou pelo poder. Dessa maneira, é possível identificar os fatores que aproximam e os que distanciam os movimentos sociais no intuito de consolidar atividades conjuntas.

A UPMS não possui uma sede, nem cursos específicos. A UPMS se concretiza principalmente através de oficinas promovidas. As oficinas da UPMS normalmente são organizadas a partir de um grupo de acadêmicos e militantes dos movimentos sociais, tendo sempre o cuidado de ter uma significativa maioria de militantes sociais e não de acadêmicos. O importante é reunir pessoas de movimentos diversos (movimento feminista, movimento indígena, movimento negro, por exemplo) para a discussão de temas que são de interesse de todos. Para isso é preciso que se discuta previamente o tema da oficina e que o mesmo esteja fortemente vinculado ao contexto dos movimentos sociais e das pessoas que propõem à oficina. O objetivo do encontro é facilitar processos de traduções de lutas, ou seja, facilitar articulações políticas entre atores sociais que normalmente não dialogam entre si.

A necessidade de articulação entre diferentes movimentos é percebida como crucial por diversos atores sociais. Para além da UPMS, existem várias tentativas de articulação de lutas. O que a UPMS pretende trazer como originalidade é o método de tradução intercultural feito a nível local, nacional e internacional. Nesse sentido, a UPMS tem um “sobrenome”: Rede Global de Saberes. Uma rede implica a associação voluntária de diferentes entidades e uma maneira de funcionar própria.

A atual pluralidade de formas de resistência e de concepções de emancipação social exige um espaço onde essa multiplicidade de formas de apreensão do real se encontre e dialogue para a formação de uma forte contra-hegemonia global. Essa contra-hegemonia não pode ser uma teoria totalizadora e totalizante, mas sim ser construída por processos constantes e contextuais de tradução. Essa é a motivação da qual surge a UPMS. A tradução intercultural, essência do método da UPMS, acontece através da reunião de pessoas de movimentos diversos (movimento feminista, movimento indígena, movimento negro, por exemplo) para a discussão de temas que são de interesse de todos. Assim, um primeiro passo é visualizar as diferentes lutas, para a partir de suas confluências e divergências consolidar ações comuns. O objetivo é manter a autonomia de cada movimento ao mesmo tempo em que fortalece a solidariedade entre movimentos sociais.

Assim, a UPMS surge como um importante nó da rede dos movimentos sociais contra-hegemônicos a nível global. A UPMS surge para articular os conhecimentos que fortaleçam novas formas de resistência e novas concepções de emancipação social. Dessa maneira, os princípios da UPMS precisam ser suficientemente amplos para agregar as diferenças metodológicas, temáticas e de atividades de cada região, mas também suficientemente limitador para que atividades “hegemônicas” não venham a corromper a UPMS. Por estar em movimento e por se adaptar às diversas realidades locais, a teoria a ser construída e a metodologia a ser adotada pela UPMS será variável. Assim, a UPMS é bastante ambiciosa e fundamental para o futuro dos movimentos sociais. Para fortalecer a UPMS, é preciso que os movimentos sociais acreditem nesse espaço e contribuam de maneira decisiva na efetivação do mesmo. É preciso uma confiança mútua entre todos os sujeitos engajados na construção da UPMS.

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August 2012
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