MORA
Mora
Aspectos Geográficos
O concelho de Mora, do distrito de Évora, ocupa uma área de 443,5 km2 e abrange quatro freguesias: Brotas; Cabeção; Mora e Pavia.
Este concelho apresentava, em 1991, um total de 6588 habitantes.
O concelho encontra-se limitado a norte por Avis, a sudeste por Arraiolos e a nordeste por Sousel.
Possui um clima de influência marcadamente mediterrânica, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no Verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de Outubro e Março e os 170 mm no semestre mais seco, sendo bastante irregular.
A sua morfologia é relativamente plana e suave, sendo contudo, marcada por áreas de altitude superior à altitude média, de 120 m, como o Cabeço de São Martinho (154 m), Píncaros (148 m), Castelhano (160 m) e Botas (165 m).
Como recursos hídricos, são de referir as ribeiras de Raia, de Divos e de Fanica.
História e Monumentos
Estas terras foram doadas à Ordem de São Bento de Calatrava, em 1211. Posteriormente, em 1519, Mora recebeu foral por D. Manuel I.
No que se refere ao património histórico e monumental, destaca-se a anta-capela de Pavia, dedicada a S. Dinis, do século XVII, sendo um dos monumentos megalíticos portugueses transformados em local de culto cristão. Neste caso, a câmara foi adaptada a nave da capela. Destaca-se ainda a Igreja Matriz de Pavia, do século XVI, de estilo manuelino, e o Santuário de Nossa Senhora de Brotas, que, está classificado, desde 1956, como um imóvel de interesse público, assim como o conjunto de edificações contíguas ao santuário e que pertenceram às confrarias das várias povoações do Alentejo e Península de Setúbal, que aqui vinham em grandiosas peregrinações. Fica localizado num recinto entre duas elevações e era rodeado de casas para romeiros. Destacam-se azulejos dos séculos XVI e XVIII. A devoção, que remonta ao século XVI, divulgou-se por todo o país no século XVII. De referir, como curiosidade, que a primeira igreja construída pelos Portugueses na Índia, no século XVI, foi dedicada a Nossa Senhora de Brotas, existindo no Brasil também uma diocese com o mesmo nome.

LENDA DA SRA. DAS BROTAS:
Havia um pobre varão,
que tinha uma vacca,
que d’inverno mais de verão
lhe sustentava
a mulher e filhos sem pão.
Um dia lhe aconteceu
deitar a vacca a pastar:
d’ali lhe desappar’ceu.
Por muito que correu
Nunca mais a poude achar.
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O’ quando d’alto a viu,
como morta a conheceu,
começou a chorar os males
e os dias em que nasceu.
Vendo o homem que remédio
á vacca não podia dar;
tomou uma faca na mão,
e começou-a a desfollar.
Tendo uma mão cortada
e outra meio desfollada,
alli lhe appareceu
uma Virgem consagrada.
-Anda cá homem não chores.
Não chores, por meu amor,
que a tua vacca viverá:
tu de mim terás favor.
Vae allem aquelle logar
alguma gente chamar,
que me venha redificar
uma casa brevemente.
Vae e vem com brevidade,
Não te queiras mais deter.
Diz-lhe que é minha vontade,
e o meu ultimo querer.
Partiu o homem chorando
áquella gente chamar,
logo contas lhe dando,
tornou ao mesmo logar.
Achou a vacca pastando
mais gorda e mais formosa,
que elle d’antes a tinha,
por ser Virgem milagrosa
e a mãe piedosa
que lhe poz a mão por mési-...

Para finalizar, será ainda de referir a Torre das Águias, um solar rural, fortificado, de planta quadrada, e que está coroada de merlões recortados, do reinado de D. Manuel.
Tradições, Lendas e Curiosidades
São diversas as manifestações populares e culturais do concelho, sendo de destacar a Feira dos Passos, na segunda semana antes da Páscoa, a Feira anual de Pavia, realizada no primeiro fim-de-semana de Junho, a festa de Nossa Senhora das Brotas, que decorre no mês de Agosto, a feira anual (Mora), no segundo domingo de Setembro, a feira anual (Cabeção), realizada no primeiro fim-de-semana de Setembro, e a festa da Malarranha, que decorre no terceiro fim-de-semana de Agosto.
A nível de artesanato merecem destaque: os trabalhos de cestaria, de olaria utilitária, os tarros e os trabalhos em cortiça.
Como instalação cultural, destaca-se a Casa-Museu Manuel Ribeiro de Pavia, que foi inaugurada a 16 de Junho de 1984. É constituída por uma biblioteca com todo um conjunto de livros, revistas e outro material impresso, onde se regista a colaboração ou reprodução de trabalhos de M. Ribeiro de Pavia, um núcleo de documentação e um museu.
Como personalidade destaca-se o pintor Manuel Ribeiro Pavia, natural do concelho e considerado o pintor das gentes do Alentejo. Tem no centro da vila de Pavia, no Largo dos Combatentes, a sua casa-museu, que permitiu o conhecimento da sua obra, além de ser um testemunho importante sobre esta e o seu povo. O pintor encontra-se sepultado no cemitério da vila e a pedra da campa tem gravado um desenho seu, Planície, homenagem dos seus conterrâneos.
Economia
No concelho predominam as actividades ligadas ao sector terciário, seguido pelo primário e, por último, pelo secundário.
No que se refere à agricultura, destacam-se os cultivos de cereais para grão, prados temporários e culturas forrageiras, culturas industriais, pousio, olival, prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de bovinos, ovinos e suínos.
Quase 68% (1286 ha) do seu território são cobertos de floresta, sendo as principais espécies arbóreas a oliveira, a azinheira e o sobreiro.
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