Faísca 2

Faísca 2

Faísca 2

Projeto Faísca é um projeto colaborativo onde tudo começa com uma imagem (faísca) e, a partir dela, cada um dá sua interpretação através de um texto, poema, música, enfim, da maneira que quiser.

O objetivo deste projeto é ampliar a visão de todos os envolvidos sejam eles autores ou leitores dando margem à reflexão.

Participantes:
www.baguncafuncional.com
www.movimentoespontaneo.com
www.quadradovermelho.blogspot.com

Anyone can see this photo All rights reserved

Uploaded on Jul 29, 2009

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Faísca 1

Faísca 1

Projeto Faísca é um projeto colaborativo onde tudo começa com uma imagem (faísca) e, a partir dela, cada um dá sua interpretação através de um texto, poema, música, enfim, da maneira que quiser.

O objetivo deste projeto é ampliar a visão de todos os envolvidos sejam eles autores ou leitores dando margem à reflexão.

Participantes:
www.baguncafuncional.com
www.movimentoespontaneo.com
www.quadradovermelho.blogspot.com

Mov. E
É galera, o Projeto Faísca tá começando a dar sinais de fumaça, ou seja, começa a pegar fogo.

Bom, escolhi um vídeo, mas não pelo vídeo em si. Escolhi pela música mesmo, pois a foto que olhei me fez lembrar de uma viagem, com uma galera muito bacana e no qual a trilha sonora era exatamente esta música. Tinha outras, mas essa foi a que marcou o nosso trajeto de ida e volta. Sabe aquelas viagens em que tudo é decido em cima da hora? Esta foi exatamente assim. Não tínhamos certeza de nada, e de repente, recebi vários telefonemas dizendo que havia um carro esperando para me pegar. Isso sem falar no lugar paradisíaco que fui parar, com praias bizarramente lindas, que deram até vontade de levar a água até a boca, só pra saber se dava para beber de tão clara que era. As dunas então… Hummm, inesquecíveis.

www.youtube.com/watch?v=a-p3bnk928A

Bagunça Funcional
Acordou com o sol batendo com força nas persianas e só conseguia pensar que naquele dia não precisaria levantar com horários e rotina. Dormiu mais um pouco e sonhou com seu cachorro na beirada da cama chamando sua atenção para levantar e levá-lo para passear.

A alegria de Asterix, nome dado em homenagem ao personagem gaulês, não podia ser maior ao ver Alex pegando a coleira em uma mão e a prancha de surf em outra. Sua língua parecia um mar de saliva e o chão sempre ficava coberto por uma gosma de baba deixada por ele.

Seu rabo batia em todos os objetos da casa enquanto saía pela porta de trás enquanto Alex tinha dificuldade em controlar a ansiedade de Asterix. Chegando na beira da praia era difícil segurá-lo na hora de entrar na água porque ele não tinha nenhum pudor em relação à água, pelo contrário, adorava ver as ondas e latir para outros surfistas.

Alex sempre o pegava e o colocava em pé na sua prancha para chegar até as ondas. Chegando lá a ansiedade de ambos aumentava vendo as próximas marolas se aproximando até que Alex começou a remar em busca da onda perfeita. Chegou até a crista e começou a descer lentamente aquela água cristalina enquanto um som estridente começou a perturbar aquele momento grandioso...TÉTÉTÉTÉTÉTÉ

Alex meio sonolento e meio dormindo bateu com força no relógio irritante e não conseguiu voltar ao sonho com Asterix. Por algum tempo ficou ali sentado sentindo um vazio por dentro porque se lembrara do terrível acidente com Asterix e ainda dormindo-acordado tentou agarrar o ar se lembrando do momento em que Asterix caiu da prancha e foi levado por aquela onda inesperada.

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se deitou novamente. Ao olhar para seu criado mudo viu a foto que seu amigo tirou enquanto Asterix descansava na areia olhando as águas do mar. Como aquele dia fora o dia mais feliz da vida de ambos, Alex nunca mais tirou a foto de seu lado, mas agora ele sabia que devia toma uma atitude.

Se levantou e, levado pela fúria, tacou o porta retrato pela janela atingindo a areia branca ao sol escaldante. Começou novamente a chorar e além das lágrimas, soluços o fizeram mais uma vez se lembrar de Asterix.

Deitou novamente na cama e aquela água cristalina novamente fez seus sonhos parecerem mais reais do que nunca e lá estava Asterix alegre e saltitante por entre as marolinhas que fazia perto da areia enquanto Alex fincava a prancha na areia.

Os dois sentaram na areia e avistaram o por do sol a frente deles enquanto um amigo de Alex fotografava cada momento daquela cena maravilhosa. Asterix não poderia imaginar que a próxima onda de sua vida o levaria embora para o sempre...

Quadrado Vermelho
A Dádiva do Amarelo

A areia e o céu abocanhavam o mar profuso em tons róseos e a neblina, cheia de branca opacidade, se exibia sem triscar na espuma das ondas, infantaria das montanhas que se revelavam com timidez, quais suaves aquarelas em tons de ciano e maresia. Uma vez, Péco ouviu dizer que sua visão era limitada, mas nunca conseguiu entender. Via perfeitamente o mundo, e a natureza se lhe punha como um banquete para os olhos. Mal sabia que uma revelação o aguardava naquela tarde ébria de mormaço.

Foi então que, dos adágios andarilhos, o mar ganhou vida; à distância, distinguiu-se uma figura indiscutivelmente canina. Parecia mais perto do que na verdade estava - a ilusão disfarçava sua imensidão - quando suas feições, pelos e olhos profundos o atingiram: corria sobre as águas uma fêmea deslumbrante, gorda e vivaz - a cadela mais linda que os olhos safados de Péco já haviam testemunhado.

Aproximou-se, já na areia, lançando sua majestosidade sobre o arfado simplório dele; ela era realmente grande, como um navio. Farejou-o com o enorme focinho, e com isso quis dizer o seguinte: "quero oferecer-te um dom magnífico". Ele ganiu, receoso. Ela respondeu: "se me percebes, me notas e me enxergas, é porque tua alma é grande e sensível, merecedora da minha dádiva". Súbito, a cadela-deusa e o pequeno cão perceberam a chegada d'um terceiro: Joca-pata-de-pau (era preto e vira-lata, de pelos desgrenhados, bigode grisalho e feição honesta; havia perdido uma das patas num acidente e, em seu lugar, um galho retorcido o ajudava a caminhar). Disse a Péco com um latido justo: "Não cai nessa, Péco. Ela é má. Lembra do que aconteceu com o Marcola? E também com o Frido!". Péco lembrou-se da tarde de um sábado há meses atrás. Frido olhava o infinito da maré quando começou a latir sem parar. Depois, partiu desesperado pra dentro do mar e nunca mais foi visto. Com o Marcola foi diferente: disse pros cachorros camaradas que tudo estava mais claro e lúcido, e que ele compreendia o mundo agora. Foi muito enfático quando tentou explicar a existência de um dispositivo de dominação usado pelos homens, mas perdia-se em abstracionismos e metafísica durante as conclusões latidas com tanta segurança. Acontece que ninguém entendia lhufas. Foi ele quem disse que a visão dos cães era limitada, e, desta feita, revelou a existência de um conceito que nenhum cachorro conseguiu compreender: o Amarelo. Dias depois foi internado num canil, após ter ferido seriamente seu dono.

Péco decidiu recusar a dádiva da cadela-deusa. A fúria da fêmea fez o mar insurgir em ondas ameaçadoras, mas Joca inspirou coragem em seu amigo ao começar a latir e esbravejar contra a divindade. Péco se pôs a latir e os dois cãezinhos avançaram vagarosamente. A fêmea, recuando, uivou: "escolheste a ignorância, tal qual este velho diabo vira-lata", e depois latiu com um estrondo profético "mas voltarei assim que quiseres - sabes como me invocar". Assim, sucumbiu aos abismos do mar.

Os dois cães ficaram por ali observando o pôr-do-sol em riscas azuis, vermelhas e lilases. Péco estava satisfeito com sua decisão, e muito agradeceu ao amigo. Mas temia que seu espírito se entregasse, qualquer dia desses, ao desejo de compreender a dádiva do amarelo.

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Uploaded on Mar 25, 2009

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