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Pica-Pau

Pica-Pau by O Pintor em minha janela.
Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. João 21:5

Ontem vi um pica-pau passar por minha janela e pousar no poste do outro lado da rua. Foi tudo muito rápido e não tive tempo de fotografá-lo, por isso vou usar uma montagem para você ter uma idéia de como ele ficou pousado na lateral do poste, naquela sua pose típica, com as garras firmemente presas à rugosidade do concreto.

Logo percebi que ele estava confuso. Olhava aqui, olhava ali, como se estivesse procurando por algum lugar mais mole para bicar. Seu ambiente não é o concreto, e sim a árvore e os insetos que escondem sob sua casca. É deles que o pica-pau se alimenta. Mas aquilo que parecia ser um tronco de árvore, não era. Não havia alimento para ele ali.

A cena me fez lembrar do reencontro do Senhor com Seus discípulos, após a ressurreição. Quando viram que seu Mestre e Senhor havia morrido, eles voltaram a fazer o que sempre fizeram: pescar. Mas o retorno à vida de antes não podia satisfazer sua fome. Até o ato de pescar era infrutífero sem Jesus.

Da margem, o Senhor fala com eles no barco: "Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não." Eles ainda não sabiam que era o Senhor, mas de uma coisa tinham certeza: tinham fome.

Assim como o confuso pica-pau agarrado a um poste de concreto, ou os discípulos jogando a rede no lugar errado, às vezes nos iludimos achando que podemos encontrar satisfação plena neste mundo. Engano. O mundo pode até parecer nossa árvore, mas não é. O mar aqui pode até parecer que está para peixe, mas não está. Não há satisfação alguma fora de Cristo ou no mesmo cenário de onde Ele foi expulso. 

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