Oriental "glasshouse" for trains

Oriental "glasshouse" for trains

D. Pedro V, em 1844, mandou construir a estufa circular para a sua esposa D. Estefânia na Tapada das Necessidades.Muitos anos depois eis outra arquitectura de ferro e vidro nas cenas lisboetas.
Para a Expo 98 aterrou em grande estilo "de catedral gótica-tardia" Santiago Calatrava a Oriente....

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Cenas transitórias lisboetas #7

Cenas transitórias lisboetas #7

Transitional scenes from Lisbon #7:
One play for Mr.Philip Glass, Methamorphosis musician & Mr.Bernardo Soares,assistant bookkeeper in the city of Lisbon

L.do D.
317

Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência que, por ser consciência, me parece ser a unica. Compreendo bem que o homem que está diante de mim, e me fala com palavras iguais às minhas, e me faz gestos que são como eu faço ou poderia fazer, seja de algum modo meu semelhante. O mesmo, porém, me sucede com as gravuras que sonho das ilustrações, com as personagens que vejo dos romances, com as pessoas dramáticas que no palco passam’ através dos actores que as figuram.
(...)
Sim, os outros não existem… É para mim que este poente estagna, pesadamente alado, as suas cores nevoentas e duras. Para mim, sob o poente, treme, sem que eu veja que corre, o grande rio. Foi feito para mim este largo aberto sobre o rio cuja maré chega. Foi enterrado hoje na vala comum o caixeiro da tabacaria? Não é para ele o poente de hoje. Mas, de o pensar, e sem que eu queira, também deixou de ser para mim…

Em O Livro do Desassossego de Bernardo Soares | semi-heterónimo de Fernando Pessoa

Bernardo Soares non esiste | www.youtube.com/watch?v=1joP823PHvY&feature=related
[frammento 317 del Libro dell'inquietudine]

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Cenas transitórias lisboetas #6

Cenas transitórias lisboetas #6

Transitional scenes from Lisbon #6:
One play for Mr.Carlos Bica, blueman jazz musician & Mr.Bernardo Soares,assistant bookkeeper in the city of Lisbon

L.do D.

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.

Em O Livro do Desassossego de Bernardo Soares | semi-heterónimo de Fernando Pessoa

do albúm Azul | www.youtube.com/watch?v=XZUHXe1N3s4

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Uploaded on Feb 21, 2012  |  Map

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Cenas transitórias lisboetas #5

Cenas transitórias lisboetas #5

Transitional scenes from Lisbon #5:
One play for meridians & parallels, with brazilian song to celebrate Carnaval's day.

Manhã de Carnaval de Luiz Bonfã e Antônio Maria do filme Orfeu Negro, realizado por Marcel Camus em 1959, a partir da peça teatral Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes
www.youtube.com/watch?v=ZwDYcyqn7DY

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Cenas transitórias lisboetas #4

Cenas transitórias lisboetas #4

Transitional scenes from Lisbon #4:
One play for Mr. Sun and Mr.Bernardo Soares,assistant bookkeeper in the city of Lisbon, and soundtrack song by Simone de Oliveira

L. do D.
114.

ESTÉTICA DO ARTIFÍCIO

A vida prejudica a expressão da vida. Se eu vivesse um grande amor [nunca o poderia contar.
Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim próprio. Sim, é assim. Vivo-me esteticamente em outro. Esculpi a
minha vida como a uma estátua de matéria alheia a meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir, é — crede-me bem — para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu vivesse destruir-me-ia. Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que do corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas — onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza.
Penso às vezes no belo que seria poder, unificando os meus sonhos, criar-me uma vida contínua, sucedendo-se, dentro do decorrer de dias inteiros, com convívios imaginários com gente criada, e ir vivendo, sofrendo, gozando essa vida falsa. Ali me aconteceriam desgraças; grandes alegrias cairiam sobre mim. E nada disso seria real. Mas teria tudo uma lógica soberba, sua; seria tudo segundo um ritmo de voluptuosa falsidade, passando tudo numa cidade feita da minha alma, perdida até [ao] cais à beira de uma baía calma, muito longe dentro de mim, muito longe... E tudo nítido, inevitável, como na vida exterior, mas estética distante[?] do Sol.

Em O Livro do Desassossego de Bernardo Soares | semi-heterónimo de Fernando Pessoa

Sol de Inverno | Simone de Oliveira | www.youtube.com/watch?v=Vl7_NObVLYI&feature=related

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