Carta de Adeus .
Nunca vou me esquecer de você, querido amigo. Você está presente em todas as lembranças da minha vida.
Sabe o que eu mais gostava em você? Seu temperamento. Eu nunca podia chegar perto na parte da manhã. Se eu estivesse com uniforme escolar então, não podia nem aparecer. Com o tempo e com a ajuda da idade, seu mau humor contra a minha pessoa não dependia mais do horário e nem da roupa que eu usava. Eu poderia te dar um carinho agora e dois minutos depois, você queria me atacar. Mas nunca me atacou. Você sempre ameaçava, rosnava, latia. Mas nunca me mordeu. Independente da raiva que você estivesse contra mim, bastava eu pegar sua guia de passeio que eu passava a ser seu melhor amigo. Fora quando você conseguia roubar a guia de mim e rosnava caso eu chegasse perto. Lembro também quando a gente brincava de pega-pega. Você adorava se esconder debaixo da mesa e saia correndo quando eu resolvia me abaixar. Quando eu finalmente te alcançava, você instintivamente corria atrás de mim. Que falta você me faz, meu amigo. Você adorava correr. Sempre corria comigo quando a gente passeava pelo bairro. Sem contar que era bonitão: todo mundo olhava e elogiava você. Com a idade, você foi ficando cego, foi perdendo a audição, mas continuou sempre meu melhor amigo. Dividi cada momento de minha vida com você. Cada tristeza e cada felicidade. Sempre que chorava, você me cheirava bem de pertinho e deitava do meu lado. Você sempre sabia o que fazer nos mais diferentes momentos. Quanto mais velho você ficava, mais louco e amável se tornava. Chegou num ponto que você mexia a cabeça em movimentos estranhos e mexendo a boca ao mesmo tempo. Por Deus. Naquele momento você parecia que queria fazer graça. Nunca rí tanto! Parece que foi ontem que te ví, correndo todo atrapalhado em minha direção enquanto eu voltava do colégio. Você foi o melhor presente que minha irmã poderia ter dado. No final de sua vida, você parecia que queria se despedir da gente. Eu nunca tinha visto seus olhos daquela forma. "Olhos de adeus". Olhos de foi bom te conhecer. Você sabia que com a sua dificuldade de respiração e com sua idade avançada, o seu coração não iria durar. Mas você foi nobre. Se despediu um a um. Se escondeu no canto do rancho que tanto amava ficar e morreu. Você foi embora de vez. Astor, foi eu que te encontrei estendido no chão já sem respirar e envolto de sangue. Foi eu que cavei e enterrei seu corpo. Todos aqui em casa ficamos alterados, tristes. Cada um do seu estilo de sua forma. Você não devia ter partido, mas partiu. Sobrou em mim apenas lembranças. Boas, engraçadas. Mas o que mais me consome é a saudade. Astor, me diz, pra quem vou confessar a minha vida agora? Fique bem amigo. Você estará comigo sempre! Sinceramente, Diorgenes Pandini. CommentsWould you like to comment?Sign up for a free account, or sign in (if you're already a member). |
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.Tath says:
Lindo.
Ele vai ficar bem. =)
Posted 5 weeks ago. ( permalink )