à sombra do tamarindo

à sombra do tamarindo

Sempre que leio ou escuto alguém recitar os versos de Augusto dos Anjos, enaltecendo o pé de tamarindo - sob cujos galhos ele aprendera as lições com o pai e escrevera os seus primeiros versos -, lembro do tamarindo da minha infância. Verde, imponente. Ficava em frente da casa grande, antiga e branca, da Barra, o sítio dos meus avós. Ficava, não. Ainda fica. O tamarindo permanece vivo, presenciando a passagem das gerações de nossa família. Nunca soube quem o plantou. Mas, quem o fez, deixou-me uma sentinela, presente, a me iluminar os passos, na senda de minha vida.

Sua imagem é indissociável da casa branca da Barra, das minhas lembranças de infância. Lembrarei sempre que preciso for, quando sentada sob o enorme alpendre, contemplava comovida sua copa, seus amplos braços verdes planando e roçando o vento do Aracati.

Não há cartão postal que se compare às cores das minhas alvoradas, aos raios do meu sol particular que, tal como fios de ouro, tecia minhas inesquecíveis manhãs por entre-galhos do tamarindo. Sob a sua sombra rendada, protegia-me do calor do meio dia. Sob sua ramagem, abrigáva-me da chuva. Quantas vezes, sob a sua copa, abria a saia para aparar seus frutos. E do teu ácido tartárico hidratava minha boca, matava minha fome. Em seu tronco, gravei meu nome, escalei, cacei ninhos de passarinhos (coitados!). E vi tantos ocuparem o meu espaço íntimo, onde visitantes amarravam seus cavalos e transeuntes, cansados da lida e da estrada, faziam sua pousada.

Meu tamarindo sagrado, testemunha muda de segredos invioláveis do meu povo. Quantas histórias, causos e folclores misturados à tua imagem. Jamais esquecerei dos vagalumes, circundando-te na escuridão da noite. Nem das lendas de almas penadas que circulavam teu perímetro. Jamais, em tempo algum, esquecerei de teus braços cortando a brisa, nem de tuas folhas cobrindo o meu chão. Jamais.

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Uploaded on Mar 8, 2012  |  Map

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homenagem à mulher que é o sexo forte!

homenagem à mulher que é o sexo forte!

A melhor roseira, afinal de contas,
não é aquela que tem menos espinhos,
mas a que produz as mais belas rosas.

Henry Van Dyke

Hoje é dia de celebrar nossa força, sensibilidade, capacidade de gerar vidas, de cuidar da casa, filhos, profissão, amor, dedicação; e ainda que, muitas vezes, sabemos a importância da resignação para alcançar os objetivos. Bjs a todas as mulheres.

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Uploaded on Mar 7, 2012

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Untitled

Antes não havia garças.
(Antes dos ventos).
Restos de estrelas navegavam a noite
( nuvem escura)
e se alvejavam em seixos e ossos.
À mesma noite
acrescentam-se sombras:
eram as penas e a plumagem.
As garças não eram feitas: surgiam.
Leves, feitas de vôo
(o vôo primeiro).
Garças de asas emendadas em asas,
as garças passam penhascos, além,
os prados cinza.
O verde inda é longe.
Longe, as aves adivinham a terra.
As garças descem (como atraídas) e
sentem a primeira sede.
A água compreendida pela sede.
Jamais a informação da água:
as garças gestadas de puro vôo.

[A dança das garças, Maria Lúcia Martins]

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Uploaded on Mar 7, 2012

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infinito

infinito

Ninguém se engane se soar a hora,
se todos os relógios, de repente,
gaguejarem nem sei que dor fremente
que nunca veio e não se foi embora.

Ninguém se engane se souber quem chora,
que um grande choro convulsivo e quente
virá das coisas como espada ardente
atravessando a carne ontem, agora.

Ninguém se engane se dos seus papéis,
dos seus livros inertes, um lamento
terrível se levante como um vento
de maldição e de intenções cruéis.

Tudo, a este instante, é como um grande grito
quase a romper as cercas do infinito.

[Alphonsus de Guimaraens Filho]

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Uploaded on Mar 6, 2012

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pescadores

pescadores

Pescador prepara o barco
Já é hora de pescar
Uma vela vai no mastro
E a outra vela no altar
A mão da vela de sebo
Segura um facho de luz
A outra dá o que recebo
Fazendo o sinal da cruz

[Délcio Tavares]

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Uploaded on Mar 6, 2012  |  Map

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