No princípio, eram as palhas e o vento. Mais precisamente, o vento que soprava sobre as palhas da velha cabana.
Em seguida, se fez o tempo, e, com ele, as nuvens que se arrastavam como blocos de gelo pelo oceano gasoso do céu.
A partir de então, porque não havia mais nada a fazer, passava os dias a observar as nuvens, e a se deliciar com a recém-descoberta idéia de que o vento que soprava sobre as palhas da velha cabana era o mesmo vento que arrastava as nuvens suspensas no ar.
E, naquele universo em formação, embora não entendesse muito bem o que significavam ventos, nuvens e palhas, foi tomada de uma súbita sensação de que, finalmente, compreendera a essência e a finalidade última daquele momento.
Entendeu que era tempo de amadurecer...
Amadurecer como as frutas amadurecem nos pés e as idéias nas cabeças, num tempo informe, em que ainda não havia frutas, cabeças ou pés.
Amadurecer enquanto mulher,
Inaugurando-se no universo, de uma só vez, plena, da cabeça aos pés.
George Sampaio
Lagoinha-CE,
Em uma tarde inundada de sol.