Pinheira

Pinheira

[As falsas Recordações]
Se a gente pudesse escolher a infância
que teria vivido, com enternecimento eu não
recordaria agora aquele velho tio de perna de pau,
que nunca existiu na familia, e aquele arroio que
nunca passou aos fundos do quintal,
e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão,
sob o zumbido inquietante dos besouros...
Mário Quintana

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Uploaded on Jan 5, 2012

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Pinheira

Pinheira

TEMPOS DE INFÂNCIA

O MEU PENSAMENTO VAI
ONDE A VISTA NÃO ALCANÇA
RECORDANDO O MEU PASSADO
DOCES TEMPOS DE CRIANÇA
A SAUDADE DOS COLEGUINHAS
NUNCA ME SAI DA LEMBRANÇA
A MENTE DA GENTE VÔA
PARECE QUE VEJO A LAGOA
COM A AGUA SEMPRE MANSA

RECORDO A PROFESSORA
A SALINHA ONDE ESTUDAVA
A ESTRADA BEIRANDO A MATA
ONDE CORRENDO A IGREJINHA
E A BANDINHA QUE TOCAVA
PARA MIM FOI COMO UM SONHO
VI ATE O ROSTO RISONHO
DA MENINA QUE ME AMAVA

NA MENTE EU VI NESTA HORA
A PAISAGEM DESENHADA
OS ANTIGOS COMPANHEIROS
CADA UM SEGUIU UMA ESTRADA
HOJE VIVO COM SAUDADE
NESTA LONGA CAMINHADA
TUDO ISTO EU RECORDEI
OS CAMINHOS QUE PASSEI
ESTOU NO FIM DA JORNADA

NA TELA DO PENSAMENTO
SEMPRE TRAZEMOS GUARDADA
DOCES MOMENTOS DA INFANCIA
QUE SERA SEMPRE LEMBRADA
O PERFUME DE UMA FLOR
FAZ LEMBRAR Horas PASSADAS
NA PLANICIE E NAS MONTANHAS
ESTA SAUDADE ACOMPANHA
ATÉ A ULTIMA MORADA.
Possenti

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Pinheira

Pinheira

Infância

Hoje pensei em como a infância era gostosa!Com suas brincadeiras e despreocupações.De olhos arregalados e corpo esticado viamos as horas passar, sem se preocupar com o tempo que perdiamos.A folha da árvore que virava catavento.O chinelo qe tornava-se um lindo avião. O sorriso singelo.Os amigos do parquinho.A vontade de ter um cachorro que fizesse tudo que os Rin tin tin's fazem.Essa inocência perdeu-se no tempo, no tornar-se adulto.A sensibilidade, a simplicidade de rabiscar no chão, mesmo que linhas imaginárias o que na nossa cabeça era um emaranhado de idéias.Espiar entre os dedos, fingir que estava dormindo.Levar flores para a professora ou simplesmente ganhar um abraço dela.Brincar na areia, subir em árvores!Tudo faziamos e agora olhamos com recordações.Apreciar as pequenas coisas é deixar a alma permanecer infantil, é olhar com ternura para aqueles que ainda não descobriram que o mundo adulto é tão assustador.É apaixonar-se por um olhar pequenino.Por uma atitude de criança travessa que diz "obrigada".É achar que ganhou o dia pq conseguiu algo que achava impossível.É acreditar que o amanhã será melhor.É brincar com borboletas!É chorar se preciso, é buscar o melhor!é ficar horas procurando desenhos em nuvens!É ter curiosidade!
Que eu nunca deixe, Deus, de ter sede de poeta e alma de criança!!

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Pinheira

Pinheira

"Os dias mais recuados de sua infância, o dia em que dissera: "Serei livre", o dia em que dissera: "Serei grande", apareciam-lhe, ainda agora, com seu futuro particular, como um pequenino céu pessoal e bem redondo em cima deles, e esse futuro era ele, ele tal e qual era agora, cansado e amadurecido. Tinham direitos sobre ele e através de todo aquele tempo decorrido mantinham suas exigências, e ele tinha amiúde remorsos abafantes, porque o seu presente negligente e cético era o velho futuro dos dias passados. Era a ele que eles tinham esperado vinte anos, era dele, desse homem cansado, que uma criança dura exigira a realização de suas esperanças; dependia dele que os juramentos infantis permanecessem infantis para sempre, ou se tornassem os primeiros sinais de um destino. Seu passado sofria sem cessar os retoques do presente; cada dia vivido destruía um pouco mais os velhos sonhos de grandeza, e cada novo dia tinha um novo futuro; de espera em espera, de futuro em futuro, a vida dele deslizava docemente...em direção a quê? "
Sartre

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Retrato do Poeta Quando Jovem

Retrato do Poeta Quando Jovem

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

José Saramago

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