SELETA EM FRUTAS & VERSOS (Semana da macaca, # 2)
Florzinhas cotidianas 966
SUPLÍCIO ASCENDENTE... ATÉ A RECOMPENSA INDIZÍVEL (quem espera nunca alcança) No fim da tarde de domingo, estando assim aquele calor e mormaço, eu usava só um velho calção, levantei-me do livro que estava lendo, espreguicei-me, entrei no banho, um banho de gato: três minutos, fiquei zanzando com uma pequena fome, talvez apenas uma pequena gula indefinida, fui até a sala, passei olhos e mãos na garrafa de café, larguei-a junto aos vidros de biscoitos doces e salgados, e de outros petiscos como amendoíns, mas não me definia, não sabia se queria comer algo, enfastiado, chateado comigo e com muita gente, muito fulo, mas eu sou assim mesmo, fico frio, rindo-me da “infinita imbecilidade humana”, como diz o meu amigo Landar, então, olhei pacotes, vidros e maços, mas nada de me decidir, pensei até que poderia me animar a comer um pouquinho do talharim saboroso, talvez quisesse uns dois nacos de carne de panela, seria só desfiá-los num pratinho e ficar sentado, assistindo algum documentário ou pavorosas notícias cotidiáridas; mas talvez apetecesse um copo de leite gelado (ah), nada de cerveja, ora ora, talvez espremer um limão no espraite, mas num átimo descartei tal idéia, embora o calor fosse um colar incômodo, então, abri a geladeira e passei olhos e mãos naquelas curvas, volumes e odores, pois lá estavam o presunto, a mussarela, o queijo minas, doce de casca de laranja em calda, doce de figo em calda, doce de leite, doce de coco cortado em pedaços, ou seja, cocada branca e cocada preta, potes de geléia de laranja e de amendoím, pão de forma, talvez roesse um pedaço de ótima rapadura, pegasse azeitonas e tomates para uma saladinha, maionese no pão, talvez um misto quente ou uma omeleta com folhas do manjericão de um vaso na janela da cozinha, omeleta também com rodelas de tomate, presunto e orégano, e tudo isso porque em novembro eu não fico só com a macaca, não, em novembro eu fico com a leitoa e com a hipopótama, a capivara e a anta, com a rinoceronta e a elefanta, sim, fico fora de mim mais ainda, então, reentrei na geladeira e vi iogurte da marca Itambé, molhos, e até coisa-cola tem lá (que sacrilégio !), poderia fritar saborosos ovos caipira na água ou na manteiga, mas desisti, pois não queria serviço de tipo nenhum, nem mesmo o de levantar uma pluma para pentear os lábios dela – isso caso ela existisse, e em minha companhia estivesse -, e neste ritmo é que estava a minha angústia preguiçosa, quando me deparei com um pirex cheio de frutas que eu cortara de manhã, tais como quiuí, figo, uma banda de mamão papaia, aberta feito um coração de mulher perversa, rodelas de maçã, meio limão, pedaços de melão, tudo geladinho; derramei uma colherada de mel de abelhas dentro da cumbuca do papaia - mel da cidade histórica de Santa Bárbara, onde morei, ó MG -, assentei-me na beira da cama, descalço, fiquei vendo um jogo qualquer, um bom documentário, a boca cheia de doideiras, tesões gustativos, sensitivos, peristaltivos, executivos, narcisivos, coisas do mais exato e descarado simplismo, coisas do hipismo, ou não, sem misticismo nem cinismo, só idealismo, entre frutas seletas e verduras idem ! CommentsMaria Lia Carolino says:Ah, que lindo louvor ao não fazer nada em um
dia de domingo e ao apetite. Darlan, como vc
escreve bem meu amigo, fico encantada com
tuas crônicas, se é assim que possa chamar
esse texto, se estiver errada corrija-me.
Depois de ler essa maravilha, só posso te
desejar uma ótima semana e que venham mais
textos como esse, com muita inspiração. Viu!
não é sempre que estou com preguiça de ler,
hahaha.
Maria Lia Carolino says:Ops, a foto é o motivo principal dos
flicqueiros e eu já havia me esquecido, tudo
bem, uma boa foto acompanhada de um belo
texto, se completam.
Renata_Pancich
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reginacoelilodde says:
O texto está tão delicioso quanto a foto!!!
Hummmmm!!!!!
Obrigada pela visita de segundona amigo, bom dia para você também!!!
Posted 4 weeks ago. ( permalink )