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Artesanato. FLORZINHAS COTIDIANAS 1001 by fotemas

Artesanato. FLORZINHAS COTIDIANAS 1001

...

O ATO


Escrever é artesanato: ar, arte, tesa, ana, ato. Feltro ou veludo, croché ou tricô, escultura em madeira, metal ou barro, sim, escrever é suplício de argila e diamante, duro e mole, brilhoso e opaco, mas as fontes dependem da agulha, do buril, do pincel, da pá e da enxada e da enxó de cada uma, de cada um - ó barro barroso barrento, ó liga natural que nestas e noutras mãos, pés e dorsos gruda-se como grudam-se à barra da saia da mãe os pequerruchos e as pequetitas, ó luta insana, lutando mais contra uma indefinida dor do que própriamente contra o todo ou contra parte do intelecto. Creia que escrever é algo dúbio: é doce e dor, solo dolor, sim, colorida mas dolorida mente tem quem dela não consegue escapar, dela, da escrita, pois escrever é vício, doença, severa patologia que gera e é gerada pela dependência psíquica (causa e efeito da dependência, ou seja: dois em um, sendo ambos uma só coisa, algo como um cão mordendo o próprio rabo), o que altera teores químicos, altera valores hormonais das criaturas em questão. Escrever é artesanato.



DARLAN M CUNHA, 4 de dezembro de 2009
QUATRO LIVROS: www.scribd.com/darlan_mc
*****


VAMOS OUVIR ELOGIOS ESTRANGEIROS, SIM... POR QUÊ NÃO ?:
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091203_lulaalem...

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Uploaded on Dec 4, 2009

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1000 FLORZINHAS COTIDIANAS by fotemas

1000 FLORZINHAS COTIDIANAS

"A long and winding road..."

Para ROSANA PRADA: www.flickr.com/photos/zanastardust
Para TODAS e TODOS / FOR ALL.
OBRIGADO / THANKS / GRACIAS / GRAZIE / MERCI / DANKE
*****


JOANINHAS E BORBOLETAS ROSAS NOS OMBROS DA ANIVERSARIANTE


1.
Hoje é um dia assaz especial para mim, por um aniversário, melhor, por dois aniversários. Ora, topar com pessoas, conhecer pessoas e, mais ainda, gostar de pessoas e, mais ainda, até mesmo chegar-se ao patamar de se sentir, mais ou menos, de um modo ou de outro, associado a alguém, é mesmo algo estranho, embora natural, embora comum, sim, é algo estranho, sofrido, e assim são estas estranhezas vindas da empatia gratuita que, às vezes, é imperceptível no início; noutros casos, ela, a empatia, logo estala, e foi isto o que se deu comigo em relação a esta criatura virtual – sim, virtual, porque não existe, embora existindo. Nada de Second Life.

Sempre tive verdadeira aversão por festas profissionais, familiares, nacionais, por aquelas obrigatoriedades de comparecimento com um sorriso de bile bem verde ou de sorriso bem amarelo, ah, sempre fui avesso, revolto, rebelde no que concerne a isto e a outras muitas coisas. Mas aqui nesta crônica só cabe um aniversário (dois), e então voltemos a ele, a um deles; depois, o outro.

A partir de certa altura da minha vida, fiz exatamente o seguinte, e continuo agindo assim: Ó, meu ano começa é no dia do meu aniversário, sim, e para o interior e para o interior de mim mesmo eu vou, onde medito sobre situações assim: “puxa vida, há tantos anos, a esta hora, a minha mãe estava tomando uma forte canja de galinha”... é, e os amigos diários do meu pai levaram-no para tomarem umas & outras; os passos e gestos das vizinhas eram silentes, alegria na casa, parteira comendo bolo e biscoitos feitos por aquela beleza que acabara de ser mãe, sim, penso nisto, e não em farra e presentes – embora ainda hoje ganhe presentes. Vendo assim essa data, faço dela a partida para mudança de posição em relação a isto e àquilo, a fulano e sicrana. Verdade, mas há-se que manter o rumo durante todo o “teu” ano, ou serás igual ao geral. O “teu” ano começa é no dia do teu aniversário. Lembra, lembra que ninguém age assim. É lembrar-se e agir.

Gosto desta garota porque ela parece que tem uns mil balõezinhos coloridos, e sempre me empresta uma porção deles, quando me sinto mal, quando estou pesado, quando não estou com a macaca, hehehe. Rosa é a cor preferida, mas o azul também lhe agrada muito, eu apenas suponho, pois não a conheço, só a imagino, e a minha imaginação é fertil. Gosto demais de conversar com ela que tem um risinho engraçado e uma curiosidade capaz de me fazer ter ataques de riso, mas é como ela diria, se estivesse aqui, ou se ela própria estivesse escrevendo estas mal trançadas linhas, ah, ela diria, rindo: Fazer o quê, né ?

Hoje é um dia assaz especial para mim, por um aniversário, melhor, por duas comemorações especiais. Mas para ti também que, por acaso, me tenhas lido até aqui, digo-te isto, para que te lembres de que o “teu” ano começa no dia do teu aniversário.

2.
O segundo aniversário ao qual me referi aí acima, no início da primeira etapa desta crônica, é o das minhas, das nossas muito queridas (estou certo disso) FLORZINHAS COTIDIANAS. Então, vamos a elas.



1000 FLORZINHAS COTIDIANAS

Chegamos ao número espantoso, para mim, de mil FLORZINHAS COTIDIANAS postadas no FLICKR, sistemáticamente, e lhes digo com toda a sinceridade lhes digo que não programei isto, não, nunca pensei que a coisa andasse ou desandasse de tal forma a chegar a este número espantoso, tanto pelo fato de que eu só escrevo algumas coisinhas que, talvez, tenham sido de boa ou até de muita valia para algumas pessoas, o que muito me alegra, isto porque eu escrevo é para ser lido, sim, nada de frescuras: escrevo querendo e até exigindo ser lido.

As “florzinhas“ apareceram devagar, e aqui ficaram de tal forma que quando dei por mim elas estavam sólidamente enraizadas no meu dia-a-dia, e, para falar a verdade, no dia-a-dia de algumas pessoas, e, sem dúvida, é um título realmente simpático, o qual me veio de não sei onde – não me perguntem de onde esse título me veio, porque eu não saberei responder. Verdade.

Foram textos que vieram por eles mesmos – como tudo o que eu escrevo. Você, de repente, começa a escrever algo, e não faz a mínima idéia de como aquilo terminará, mesmo se tiver um assunto em mente, sim, é que muitas vezes ou quase sempre as coisas tomam rumo diferente daquele que foi originalmente traçado, e aí a gente perde quase totalmente o controle sobre o que vai escrevendo, de tal forma que quase fica apenas como mero coadjuvante, e isto é um mistério que NINGUÉM decifrará – ainda bem.

Foram poemas, crônicas, mini contos, piadas, receitas, resenhas de livros, etc, tudo isso dando no espantoso número de MIL TEXTOS (mais, porque várias vezes escrevi em duplas, por exemplo, crônica e poema, mini conto e poema, etc).

Estou, de verdade, muito emocionado por estas MIL FLORZINHAS COTIDIANAS, mas vamos em frente, com as ferramentas necessárias, porque, por exemplo, há crianças no mundo todo fazendo aniversário, e nem sabem disso, porque as tragédias não deixam. Em frente, com as devidas ferramentas.

Obrigado.
*****


A PONTE

Chegas a mim, a nós, com a ternura
infantil, a dos limpos, plenitude ou represa,
pondo sobre e dentro de mim e de nós
a ponte necessária para a necessária travessia
até o teu colo, teus seios serão os meus
e os nossos caminhos, sim,
cá estou e estamos, aqui estou tateando no breu
pelo simples fato de querer
que, comigo, atravessem esta ponte
todos e todas, lá embaixo, a correnteza é como
um colar de madrepérolas e diamantes
saudando a nossa passagem rumo ao teu
colo, Poesia,
sempre cheia de florzinhas cotidianas.


DARLAN M CUNHA
Belo Horizonte / Rio Acima, 2-3 de dezembro de 2009
*****


FLY ME TO THE MOON
(Bart Howard)

Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On a-Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you

Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, in other words
I love ... you

www.youtube.com/watch?v=QaqBnw9xA34

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Uploaded on Dec 3, 2009

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FLORZINHAS COTIDIANAS n. 999 by fotemas

FLORZINHAS COTIDIANAS n. 999

Muito obrigrado / Thank you all / Muchas gracias / Grazie / Danke


999 FLORZINHAS COTIDIANAS

Chegamos ao número espantoso, para mim, de novecentas e noventa e nove FLORZINHAS COTIDIANAS postadas no FLICKR, sistemáticamente, e lhes digo com toda a sinceridade lhes digo que não programei isto, não, nunca pensei que a coisa andasse ou desandasse de tal forma a chegar a este número espantoso, tanto pelo fato de que eu só escrevo algumas coisinhas que, talvez, tenham sido de boa ou até de muita valia para algumas pessoas, o que muito me alegra e conforta, isto porque eu escrevo é para ser lido, sim, nada de frescuras: escrevo querendo e até exigindo ser lido.

As “florzinhas“ apareceram devagar, e aqui ficaram de tal forma que quando dei por mim elas estavam sólidamente enraizadas no meu dia-a-dia, e, para falar a verdade, no dia-a-dia de algumas pessoas, e, sem dúvida, é um título realmente simpático, o qual me veio de não sei onde – não me perguntem de onde esse título me veio, porque eu não saberei responder. Verdade.

Foram textos que vieram por eles mesmos – como tudo o que eu escrevo. Você, de repente, começa a escrever algo, e não faz a mínima idéia de como aquilo terminará, mesmo se tiver um assunto em mente, sim, é que muitas vezes ou quase sempre as coisas tomam rumo diferente daquele que foi originalmente traçado, e aí você perde quase totalmente o controle sobre o que vai surgindo, de tal forma que você quase fica apenas como mero coadjuvante, e isto é um mistério que NINGUÉM decifrará – ainda bem.

Foram poemas, crônicas, mini contos, piadas, receitas, resenhas de livros, etc, tudo isso dando no espantoso número de novecentos e noventa e nove textos.

Estou, de verdade, muito emocionado.
Obrigado.


DARLAN M CUNHA
Belo Horizonte / Rio Acima, 2 de dezembro de 2009

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Uploaded on Dec 2, 2009

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Bucólica. Rio Acima, MG, Brasil. by fotemas

Bucólica. Rio Acima, MG, Brasil.

Florzinhas cotidianas 998


NONA, NANA E MONA


são as minhas irmãs diletas, minhas maninhas queridas que tomam contam de mim, porque nós não temos mãe nem pai, e eu sou o caçula todo desajuizado, segundo os cânones vigentes, sim, tenho mais de dezoitinhos, segundo a lei e, pior, segundo más línguas, eu não presto, sou um imprestável, um namorador contumaz, enganador das choferes de fogão, e coisas que tais, mas são só mentiras sobre a minha boa pessoa, garoto até tímido, mas o mundo é mesmo bom pra gente passar uns tempos com ele (nada de desânimo, ok ?). Sim, vivemos felizes dentro do que é possível ser feliz ao humano ser, e assim vamos às festas, nossos deveres cotidianos nos levam para rumos diferentes, mas sempre nos reunimos, ou, como diz a canção, “nos volvemos a encontrar“.

A NONA é vendedora de cosméticos, de porta em porta. Às vezes, sinto-a meio desanimada com algo, com nada, com tudo, com as vendas ralas, já difíceis de receber; ela se separou do engano com o qual se casara, ou seja, este é um lado bom de sua história, sob o meu ponto de vista. Ela é muito prendada, faz tricô e croché, aprendidos com nossa mãe Esmeralda, o que ajuda nas contas, e ajuda muito no equilíbrio do seu psiquismo. Bacana.

A NANA é a doideira pura: pinta umas enormes telas abstratas que são mesmo uma beleza, com poucos traços, largos e vistosos, poucos, bem definidos, ao mesmo tempo em que somem uns nos outros, cores fortes... é abstração em alto grau, sim, principalmente quando ela pinta umas telas bem difusas, com cores bastante esmaecidas, parecem nuvens, ecos, sonhos, e me atrevo a colocar aqui a pintora Tomie Ohtake, embora a minha linda maninha doidinha tenha, assim como eu, este algo raríssimo em toda a história da humanidade, que é opinião própria. É de se babar ou de se roer por quem tenha opinião própria, ou, como diz a música, quem tenha “uma opinião formada sobre tudo“. Temos. Ela é a garota caçula, e o nosso pai Botelho – o Botelhão - era maluco com ela.

A MONA trabalha na Prefeitura, e ela é tão popular, que todo mundo vive dizendo a ela para candidatar-se para vereadora e, até, para prefeita (ela tem segundo grau completo, depois, fez curso de contabilidade, fez curso de turismo, porque a nossa cidade é de uma região turística de Minas Gerais). É uma cidadezinha sem a fama de Tiradentes, Ouro Preto, Sabará, Congonhas e Diamantina, Paracatu, Lagoa Santa (Gruta do Maquiné), mas temos História do Brasil aqui também, documentada, bem à vista de todos e todas, porque Minas chora e ri história, dorme e acorda história, come e bebe todos os minerais da história do Brasil. Sou Inconfidente, e quase todo mineiro é cons-pi-ra-dor. Da pesada. Eu sou da pesada, perigoso conspirador, hehe. Puxa vida, se a minha mana se candidatar, será eleita. Todos os partidos querem-na, e bancarão tudo, pois não temos pratinha para gastar em campanha política.

LANDAR sou eu, e nos sonhos e pesadelos já nem vejo a hora de ser irmão da prefeita: mana querida, prefeita. O difícil e o improvável acontecem, até mesmo o impossível. Darei palpites na Administração (na surdina, bem entendido), e espero que minha irmã prefeita me atenda pelo menos nisto: isentar bordéis do pagamento de impostos e taxas (as meninas já têm de sobra com o que se preocuparem); taxar igrejas e templos, ongs, bingos, etc, sem exceção; cadeião sumário para padres e professores pederastas - fdp, bebedores de vinho e inocência; logo irei chantagear o vereador Valdir Macarrão, meu desafeto (ele está dando uma de papa, pois está papando a mulher do vereador Espíndola, mas só eu sei disso; e assim ele está nas minhas garras políticas & safadísticas, hehe, sou mesmo mau & bom); pretendo ainda indicar o meu amigo Zé de Leve, para a portaria da cadeia pública (carcereiro é palavra feia, usemos um pleonasmo, uma sinonímia elegante, hehe, estão gostando da aula ?); pretendo opinar que se aumente o salário do professorado, proibindo greve deste mesmo professorado municipal, aumentar os dias do ano letivo, de 280 para 320, como no Japão, na Suécia, na Alemanha, ou seja, onde se estuda para valer. O resto é inveja, tacanhice. Sim, gente boa, meu dia já vem aí: Dr. LANDAR, Conselheiro Municipal (remunerado, ora, e as minhas pingas ? Ora, quem trabalha de graça é relógio - como diz uma amiga minha, lá do Canadá, pão-dura que só ela só, hehe:))). Uma doce criatura nas horas vagas. Violeiro de terceira, escritor mixuruco de quinta, que leu os livros do Giovanni Boccacio e do Manuel Maria Barbosa du Bocage, sendo ele um ex-invernado nos compêndios de psicanálise e de sociologia, mas permanecendo na ignorância mais crua, um analfabesta interiorano, igualzinho aos analfabestas capitalinos, capitalistas, capitalóides. Bom garoto malvado. Largou tudo. Livre free deodorant. “É mesmo um danado“, disseram-me o que disse a bela viúva negra Cleobalda. Bom garoto malvado.
*****


QUATRO LIVROS: www.scribd.com/darlan_mc
DIA NACIONAL DO SAMBA: www.flickr.com/photos/claudiolara/4151982257/

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Uploaded on Dec 1, 2009

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Cachoeira da Sança. Rio Acima, MG, Brasil by fotemas

Cachoeira da Sança. Rio Acima, MG, Brasil

"When one generation goes, another comes..."
Florzinhas cotidianas 997


JÁ É DEZEMBRO


Já é dezembro, e o forro dos onze
anteriores chega a ele com as faltas
de costume, mas dezembro não é
melhor do que os outros, chega
de enganos, chegam sobre ele
outras modas com o peso dos meses
que se cansaram (ou quase) no meio
da jornada, homens e mulheres,
e até os vira latas estão cansados,
com poucos dedos para tanto
vento, mas deus é grande, diz
uma folhinha na qual ninguém
põe um tico de fé; noutra folhinha
está apenas outra garota nua
dando boas vindas a outro ano,
quiçá, cheio de venturas gerais,
sim, chega de lavoura arcaica, chega
de amor zen e de furores religiosos
(ossos sujos são os ossos da fé),
de matas queimadas, de tanta
mesa verde (Die Gruene Tisch),
verde e mentirosa (you lie, mom;
you lie, dad; you lie, god; you lie,
my sweet love; you are murderes,
my government, country, city, street, home),
eis que a vida não pode esperar,
não para no porto, não apita na curva
e não espera ninguém, chega
de êmese, hemoptise e escrófula,
de grunhir que apenas navegar basta
(é muito pouco este luar), mas


se já é dezembro, que se vá logo
ao que ele, ainda vazio de todo,
suporte: dedos e lábios sedentos
por fazê-lo um repto inesquecível,
sadio, e que a boca e a rosa do povo
saibam onde o milho pipoca melhor,
em que escadas a razão quebrará
as pernas, nada de madeira molhada
para os festejos, a coalhada é uma
nuvem no copo, e as notícias más
foram diluídas no dia anterior, nem
chegaram aqui, sem passagem, mas
e se um viajante numa noite de chuva
bater à tua porta, neste dezembro
de chuva e neve ?, sim, de chuva,
de muita neve (ó Canadá)
e de calor pavoroso (ó caatinga),
porque o mundo é grande, minha filha,
tem muitos dentes, tem chocolate
atrás da porta, o mundo tem portas
sanfonadas e corações safenados,
o trabalho dignifica, o trabalho é luz
(Arbeit ist Freiheit), invento ares,
invenções moram na minha cabeça
oca, sou o filho do meu pai e a mãe
das minhas trilhas e trilhos, sou a minha
colheita, amante meu, sou eu mesmo
o meu furor de pai e avó... mas é só isso
o que a gente é, quando chega


dezembro ? A gente se envolve e fica
cheia de si, porque onze lidas foram
vividas, falta apoderarmo-nos de dezembro,
beijos sumarentos na boca dele,
os últimos nunca serão os primeiros,
mas viverão a sua glória de compras e
mensagens (ex-amigos se reconciliam;
velhos inimigos casam suas filhas
com os filhos do outro), sim, hora é
de pôr mostarda no quibe, hora do antúrio
entrar na papoula e no copo-de-leite,
amanhã será outra a novela da realidade,
e o mês seguirá cheio de promessas e
premissas e mais loucuras e vantagens
pessoais (vou melhorar), cheio de nuvens
brancas, tempestades de risos na borda
dos copos de vinho, cerveja e guaraná,
sim, o mundo é dos nervosos, também
de quem combate moinhos de vento
gigantes querendo entrar no seu domínio,
olhe bem nos olhos do peixe, nas guelras
da moça está o mistério, a solução do mundo
virá depois de dezembro, desde agora

sentir que o mundo é você, um espanto.



DARLAN M CUNHA
*****

Visite, junte-se, se possível, ao FOTO-POEMA: www.flickr.com/groups/fotopoema/

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Uploaded on Dec 1, 2009

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