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Bucólica. Rio Acima, MG, Brasil. by fotemas

Bucólica. Rio Acima, MG, Brasil.

Florzinhas cotidianas 998


NONA, NANA E MONA


são as minhas irmãs diletas, minhas maninhas queridas que tomam contam de mim, porque nós não temos mãe nem pai, e eu sou o caçula todo desajuizado, segundo os cânones vigentes, sim, tenho mais de dezoitinhos, segundo a lei e, pior, segundo más línguas, eu não presto, sou um imprestável, um namorador contumaz, enganador das choferes de fogão, e coisas que tais, mas são só mentiras sobre a minha boa pessoa, garoto até tímido, mas o mundo é mesmo bom pra gente passar uns tempos com ele (nada de desânimo, ok ?). Sim, vivemos felizes dentro do que é possível ser feliz ao humano ser, e assim vamos às festas, nossos deveres cotidianos nos levam para rumos diferentes, mas sempre nos reunimos, ou, como diz a canção, “nos volvemos a encontrar“.

A NONA é vendedora de cosméticos, de porta em porta. Às vezes, sinto-a meio desanimada com algo, com nada, com tudo, com as vendas ralas, já difíceis de receber; ela se separou do engano com o qual se casara, ou seja, este é um lado bom de sua história, sob o meu ponto de vista. Ela é muito prendada, faz tricô e croché, aprendidos com nossa mãe Esmeralda, o que ajuda nas contas, e ajuda muito no equilíbrio do seu psiquismo. Bacana.

A NANA é a doideira pura: pinta umas enormes telas abstratas que são mesmo uma beleza, com poucos traços, largos e vistosos, poucos, bem definidos, ao mesmo tempo em que somem uns nos outros, cores fortes... é abstração em alto grau, sim, principalmente quando ela pinta umas telas bem difusas, com cores bastante esmaecidas, parecem nuvens, ecos, sonhos, e me atrevo a colocar aqui a pintora Tomie Ohtake, embora a minha linda maninha doidinha tenha, assim como eu, este algo raríssimo em toda a história da humanidade, que é opinião própria. É de se babar ou de se roer por quem tenha opinião própria, ou, como diz a música, quem tenha “uma opinião formada sobre tudo“. Temos. Ela é a garota caçula, e o nosso pai Botelho – o Botelhão - era maluco com ela.

A MONA trabalha na Prefeitura, e ela é tão popular, que todo mundo vive dizendo a ela para candidatar-se para vereadora e, até, para prefeita (ela tem segundo grau completo, depois, fez curso de contabilidade, fez curso de turismo, porque a nossa cidade é de uma região turística de Minas Gerais). É uma cidadezinha sem a fama de Tiradentes, Ouro Preto, Sabará, Congonhas e Diamantina, Paracatu, Lagoa Santa (Gruta do Maquiné), mas temos História do Brasil aqui também, documentada, bem à vista de todos e todas, porque Minas chora e ri história, dorme e acorda história, come e bebe todos os minerais da história do Brasil. Sou Inconfidente, e quase todo mineiro é cons-pi-ra-dor. Da pesada. Eu sou da pesada, perigoso conspirador, hehe. Puxa vida, se a minha mana se candidatar, será eleita. Todos os partidos querem-na, e bancarão tudo, pois não temos pratinha para gastar em campanha política.

LANDAR sou eu, e nos sonhos e pesadelos já nem vejo a hora de ser irmão da prefeita: mana querida, prefeita. O difícil e o improvável acontecem, até mesmo o impossível. Darei palpites na Administração (na surdina, bem entendido), e espero que minha irmã prefeita me atenda pelo menos nisto: isentar bordéis do pagamento de impostos e taxas (as meninas já têm de sobra com o que se preocuparem); taxar igrejas e templos, ongs, bingos, etc, sem exceção; cadeião sumário para padres e professores pederastas - fdp, bebedores de vinho e inocência; logo irei chantagear o vereador Valdir Macarrão, meu desafeto (ele está dando uma de papa, pois está papando a mulher do vereador Espíndola, mas só eu sei disso; e assim ele está nas minhas garras políticas & safadísticas, hehe, sou mesmo mau & bom); pretendo ainda indicar o meu amigo Zé de Leve, para a portaria da cadeia pública (carcereiro é palavra feia, usemos um pleonasmo, uma sinonímia elegante, hehe, estão gostando da aula ?); pretendo opinar que se aumente o salário do professorado, proibindo greve deste mesmo professorado municipal, aumentar os dias do ano letivo, de 280 para 320, como no Japão, na Suécia, na Alemanha, ou seja, onde se estuda para valer. O resto é inveja, tacanhice. Sim, gente boa, meu dia já vem aí: Dr. LANDAR, Conselheiro Municipal (remunerado, ora, e as minhas pingas ? Ora, quem trabalha de graça é relógio - como diz uma amiga minha, lá do Canadá, pão-dura que só ela só, hehe:))). Uma doce criatura nas horas vagas. Violeiro de terceira, escritor mixuruco de quinta, que leu os livros do Giovanni Boccacio e do Manuel Maria Barbosa du Bocage, sendo ele um ex-invernado nos compêndios de psicanálise e de sociologia, mas permanecendo na ignorância mais crua, um analfabesta interiorano, igualzinho aos analfabestas capitalinos, capitalistas, capitalóides. Bom garoto malvado. Largou tudo. Livre free deodorant. “É mesmo um danado“, disseram-me o que disse a bela viúva negra Cleobalda. Bom garoto malvado.
*****


QUATRO LIVROS: www.scribd.com/darlan_mc
DIA NACIONAL DO SAMBA: www.flickr.com/photos/claudiolara/4151982257/

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Uploaded on Dec 1, 2009

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Cachoeira da Sança. Rio Acima, MG, Brasil by fotemas

Cachoeira da Sança. Rio Acima, MG, Brasil

"When one generation goes, another comes..."
Florzinhas cotidianas 997


JÁ É DEZEMBRO


Já é dezembro, e o forro dos onze
anteriores chega a ele com as faltas
de costume, mas dezembro não é
melhor do que os outros, chega
de enganos, chegam sobre ele
outras modas com o peso dos meses
que se cansaram (ou quase) no meio
da jornada, homens e mulheres,
e até os vira latas estão cansados,
com poucos dedos para tanto
vento, mas deus é grande, diz
uma folhinha na qual ninguém
põe um tico de fé; noutra folhinha
está apenas outra garota nua
dando boas vindas a outro ano,
quiçá, cheio de venturas gerais,
sim, chega de lavoura arcaica, chega
de amor zen e de furores religiosos
(ossos sujos são os ossos da fé),
de matas queimadas, de tanta
mesa verde (Die Gruene Tisch),
verde e mentirosa (you lie, mom;
you lie, dad; you lie, god; you lie,
my sweet love; you are murderes,
my government, country, city, street, home),
eis que a vida não pode esperar,
não para no porto, não apita na curva
e não espera ninguém, chega
de êmese, hemoptise e escrófula,
de grunhir que apenas navegar basta
(é muito pouco este luar), mas


se já é dezembro, que se vá logo
ao que ele, ainda vazio de todo,
suporte: dedos e lábios sedentos
por fazê-lo um repto inesquecível,
sadio, e que a boca e a rosa do povo
saibam onde o milho pipoca melhor,
em que escadas a razão quebrará
as pernas, nada de madeira molhada
para os festejos, a coalhada é uma
nuvem no copo, e as notícias más
foram diluídas no dia anterior, nem
chegaram aqui, sem passagem, mas
e se um viajante numa noite de chuva
bater à tua porta, neste dezembro
de chuva e neve ?, sim, de chuva,
de muita neve (ó Canadá)
e de calor pavoroso (ó caatinga),
porque o mundo é grande, minha filha,
tem muitos dentes, tem chocolate
atrás da porta, o mundo tem portas
sanfonadas e corações safenados,
o trabalho dignifica, o trabalho é luz
(Arbeit ist Freiheit), invento ares,
invenções moram na minha cabeça
oca, sou o filho do meu pai e a mãe
das minhas trilhas e trilhos, sou a minha
colheita, amante meu, sou eu mesmo
o meu furor de pai e avó... mas é só isso
o que a gente é, quando chega


dezembro ? A gente se envolve e fica
cheia de si, porque onze lidas foram
vividas, falta apoderarmo-nos de dezembro,
beijos sumarentos na boca dele,
os últimos nunca serão os primeiros,
mas viverão a sua glória de compras e
mensagens (ex-amigos se reconciliam;
velhos inimigos casam suas filhas
com os filhos do outro), sim, hora é
de pôr mostarda no quibe, hora do antúrio
entrar na papoula e no copo-de-leite,
amanhã será outra a novela da realidade,
e o mês seguirá cheio de promessas e
premissas e mais loucuras e vantagens
pessoais (vou melhorar), cheio de nuvens
brancas, tempestades de risos na borda
dos copos de vinho, cerveja e guaraná,
sim, o mundo é dos nervosos, também
de quem combate moinhos de vento
gigantes querendo entrar no seu domínio,
olhe bem nos olhos do peixe, nas guelras
da moça está o mistério, a solução do mundo
virá depois de dezembro, desde agora

sentir que o mundo é você, um espanto.



DARLAN M CUNHA
*****

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Barraco D. Rio Acima, MG, Brasil by fotemas

Barraco D. Rio Acima, MG, Brasil

Pelo Encantamento.
Florzinhas cotidianas 995


QUEREM CHURRASCO ?

Estava em Rio Acima, descalço, só de calção, cabelos e pensamentos ao vento, bicando cachaça com limão capeta, ouvindo Uakti e Renato Andrade, quando peguei a minha enorme e linda frigideira, que pertenceu à minha avó - tem cabo de madeira que só pode ser peroba, de tão bela e resistente, enfim, uma beleza dentro da qual coloquei óleo de girassol; isso feito, enfiei a mão no cesto de vime cheio de ovos, quebrei um deles na própria borda da frigideira, e aí... aí o mundo acabou, não vi mais nada, acho que caí, embora tenha ficado ajoelhado, pois foi de tal ordem a carniça que se espalhou pelo ambiente e adjacências, que logo uma chusma de curiosos baixou no meu lindo barraco e seu belo quintal, sim, e até autoridades vieram aqui, talvez pensando que eu estivesse removendo algum corpo em decomposição, talvez, o de uma das muitas garotas que aqui vieram se divertir, ou o de alguma coroa, meia coroa, desquitada, casada, viúva, rica, pobre, remediada, ou o de uma das feias e horrorosas, das lindas e belas, sim, it's all true, é tudo verdade, e foi difícil explicar, até porque era quase impossível respirar, pois um ovo estragado é algo fenomenal, sim, muita coisa cheira mal no mundo, mas é preciso ter tino para improvisar sobre circunstâncias. Dispensei todo mundo.

Pensei: sabe de uma coisa: vou ficar aqui na minha, curtindo a vida, pois não vai ser um ovo que vai estragar o meu dia, ora, isso não, foi o que pensei, após desinfetar tudo e voltar para a minha caipirinha e para os meus pensamentos sobre mulheres e outras afinidades (atenção para o que eu disse: afinidades, porque mulheres não são amenidades; não as trato assim, e recomendo aos incautos e aos apressadinhos para que revejam conceitos... hehehe), tudo isso enquanto preparava salada de palmito e azeitonas, vinagrete, e atiçava o fogo para um churrasquinho particular. Sol e céu gostosos em Rio Acima, e o famoso Rio das Velhas. Bêagá é ali mesmo, mas sempre tem alguém longe. Querem churrasco ?
*****


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Uploaded on Nov 29, 2009

2 notes / 3 comments

O barco... destino incerto... by fotemas

O barco... destino incerto...

Rio das Velhas. RAPOSOS, MG, Brasil
Florzinhas cotidianas 994


TRÊS TEXTOS A PARTIR DE ALGO ESCRITO POR GAROTAS QUE VÊM AQUI, NO FOTEMAS (UMA FRASE, UM COMENTÁRIO, UMA GRAÇA, ETC)


RIO SAPATO


Ah, nada profundo como os olhares dela eu lhes direi, e não porque vocês sejam pessoas capciosas, espertas e lépidas em vasculhar gavetas, não, pois não lhes estou chamando peremptóriamente de indiscretas e indiscretos, não é isso, não é bem assim, não exatamente assim, talvez seja só um poucachinho disso, mas, ser abelhuda e abelhudo é delicioso, né ? É claro que guardados certos limites, não é ? Uai ! E é por isso que lhes vou dizer o que me aconteceu bem dentro e às margens do ainda belo Rio Sapato, sim, vocês podem crer que há rios com nomes espetaculares, rios que nos vestem com água e com belos nomes: Rio das Mortes, Rio das Velhas, Rio Preto, Rio Verde, Rio das Barrancas Quebradas, Rio do Diabo, Rio Do Ouro, Rio Vermelho (será por quê, hem: pelo dióxido de ferro em quantidade extrema, será por luta de faca e bacamarte ?), Rio Xingu, Rio das Onças, Rio do Peixe, Rio Aparição, Rio Moa, Rio Paraná da Viúva (Acre), Rio Doce, Rio do Sono (GO), Rio Cocó (CE)...

Mas quem me falou e me “transportou“ ao fabuloso Rio Sapato foi uma linda garota que me apareceu num sonho, sim, eu sonho, não sou humano, não, mas gosto de convocar sonhos doces, dulces, conto carneirinhos pulando a cerca, conto a mim mesmo pulando a cerca das vizinhas, hehehe, na calada do meio-dia, ai ai, e a partir de então eu não sosseguei (ela mora na Bahia, minino, vixe !). Ah, eu tinha que ir àquele Sapato pegar traíras ou piranhas, piabas ou bagres, fosse o que fosse a pescaria, e que fosse de bom vagar o nado naquele tapete líquido, ah, sou maluco... fui, a pé, porque a grana tava curta, e continua no zero, mas sou feliz, porque as garotas do Brasil me amam (ela, a garota que me falou deste rio, do sapato em questão, achou que a Bahia não é Brasil, porque o “apagão“ não passou por lá, como também nem olhou pras bandas da poderosa e sisuda Minas Gerais), claro está que fazem maldadezinhas comigo as garotas, mas sei perdoar os veneninhos cotidianos delas. Agora, voltemos ao miolo da questão.

No Rio Sapato, crianças, eu vi, crianças, eu vi o que não se vê nem se sente impunemente, e fiquei por lá, pelado na beira do rio, à beira da loucura, rindo com as lavadeiras, com as raparigas-donzelas, com todas aquelas diabas vestidas de mulher, um boto eu fui, eu era um boto cor de rosa, sim, virei boto.

(Obrigado, Tânia, pela dica sobre este lindo rio de nome Rio Sapato, BA, Brasil.)
*****


PALÁGUA


Esta é a mais abrangente de todas as palavras em todos os idiomas e dialetos, em quaisquer dicionários e enciclopédias já dados à consulta popular. Não se viu nada igual, desde o tempo dos etruscos, de antes de Hammurabi, de depois da queda do império romano, e mesmo após a renascença, nada igual foi visto, nem mesmo nos tempos do cólera, da cólera na revolução industrail, nem durante a rachadura da península ibérica, a qual resultou no livro a jangada de pedra; também não se viu algo assim durante a construção de Brasília, e isso é espantoso ora, gente boa, estou a dizer-lhes algo sobre esta nova maneira de se englobar os sentimentos, alegrias e alergias de que somos capazes, e foi uma pessoa de Contagem, MG, que jogou luz sobre o breu nosso de cada dia, inventando esta palavra e dando significado a ela.

Palágua é, ao mesmo tempo, palavra e água. Ora, vamos aprender mais do que apenas estéticamente, mais do que semânticamente, o que isto significa, qual é a profundidade disso, atentando, em termos psicanalíticos, genéticos, instintivos (mãe e pai de tudo é o instinto) o que se deve entender por Palágua. Vives tu sem palavra, mesmo mudo ou muda ? Vives tu sem água, se acabaste de te encharcar disso e daquilo, de sumos e de sei lá mais o quê ? Palágua: esta é que é a palavra além-lá da moda.

(Regina, danadinha, prepare aí aquela "água que passarim não bebe", porque tô indo).
*****


O TRANSPORTE PASSOU...

"O transporte passou, todos se foram, e a paisagem ficou...", e assim se passaram os anos, mas ainda a voz de alguém salta das curvas do mundo e vem me visitar, sim, há sempre lugar para uma visita inesperada, visita é coisa boa como um assado que já esteja no forno, à espera justamente de que alguém toque a campainha (antigamente, entrava-se sem pedir licença), e assim se faz o dia, assim é que a conversa se estica noite adentro, e eu estou de prontidão para cantar, para as visitas, cantar Travessia: “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver...”, ou cantar Clube da Esquina n. 2: ‘De tudo se faz canção...”. Sim, a paisagem do teu coração ficou comigo.

(Maria Lia, e então, a leitoa está assando ? Obrigado pela frase que "detonou" esse texto).
*****


RESPECTIVAMENTE,
a partir de frase, comentário, observação ou postagem de TÂNIA FILIPPO (Rio Sapato), REGINA COELI LODDI (que inventou a palavra PALÁGUA, mistura de palavra e água), e MARIA LIA CAROLINO, num comentário dela para mim, hoje, feito na postagem anterior.


OBRIGADO, GAROTAS, MEUS DOCES.
DARLAN, todo metido neste domingo.

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Uploaded on Nov 29, 2009

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Etapa. Rio Acima, MG, Brasil by fotemas

Etapa. Rio Acima, MG, Brasil

Florzinhas cotidianas 994

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Uploaded on Nov 28, 2009

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