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.dani barros é estamira.
Contra o lixo da existência
Por Tania Brandão
Muita gente não sabe. Ou menos, bem menos: apenas finge não saber. Mas, apesar de tanta indiferença, viver é um estado de delicadeza. Um fio tênue, quase esfumaçado, abstrato até, pode servir como imagem para explicar o que somos. Um gesto ríspido, a vida estala, se esvai. O espetáculo Estamira Beira do Mundo foi construído para demonstrar esta condição. A proposta, singela, alcança pleno sucesso, é emocionante, tão delicada quanto a vida: celebra com lucidez e um rendilhado sublime de emoções a grandeza da existência.
As fontes de inspiração, base para a construção de toda a cena, garantem impacto e emoção. Há o filme de Marcos Prado, referência primeira. E há a vida da atriz, Dani Barros. A opção, portanto, é por uma forma de performance ousada, em que a ficção, o foco no arbitrário da sociedade e a autobiografia interagem em profundidade. Estamira foi uma mulher real, massacrada pelas condições de vida subumanas vigentes no Brasil. Nasceu no interior, em uma realidade agrícola de ruína; liquidada pelo horizonte familiar de miséria e prostituição, violada e usurpada em seus direitos humanos mínimos, ela migrou para a cidade grande e acabou sobrevivendo graças à exploração do lixo depositado em Jardim Gramacho. Louca social, o seu discurso era uma demonstração pulsante da fragilidade do ser humano, registrada com maestria no filme. Dilacerante, o delírio da mulher-lixo revela uma lógica constrangedora: a defesa da integridade de uma pessoa que – digamos – a vida atropelou. Na montagem, contudo, surgiu a busca de uma outra dimensão, a necessidade de revelar que Estamira não nos é estranha, muito ao contrário, ela é um pouco aquilo o que somos, todos nós. Não passamos de seres-lixo, descartáveis, vidas de aluguel. Ou mais, muito mais: nós ajudamos a construir seres-lixo com a nossa indiferença. continua...
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Uploaded on Dec 6, 2011
.dani barros é estamira.
Comoção profunda no Porão
Por Lionel Fischer
Maior encenador vivo, o inglês Peter Brook define o teatro como “A arte do encontro”. Ou seja: se não se estabelece um forte elo entre quem faz e quem assiste, o fenômeno teatral inexiste. E aqui estamos diante de um encontro que, sem nenhuma hesitação, afirmo que nenhum espectador jamais esquecerá - as razões detalharei mais adiante.
Inspirado no filme “Estamira”, de Marcos Prado, “Estamira - beira do mundo” chega à cena (Porão da Laura Alvim) com direção e dramaturgia assinadas por Beatriz Sayad, e atuação, dramaturgia e idealização do projeto a cargo de Dani Barros.
Bertolt Brecht costumava dizer: “Ha pessoas que lutam durante um ano e são importantes; outras lutam durante 10 anos e são muito importantes; mas há aquelas que lutam durante uma vida inteira: essas são as pessoas imprescindíveis”. E Dani Barros, sob todos os aspectos, é uma pessoa imprescindível.
Conheci Dani Barros quando ela tinhas uns nove anos de idade - desde então é amiga íntima de minha filha mais velha, a atriz Rita Fischer. E esse precoce conhecimento, ao longo do tempo, só fez ratificar minha certeza de que estava diante de uma pessoa que jamais se deixaria abater pelos reveses da vida - no caso de Dani Barros, tais reveses foram muitos, em especial o fato de ter um pai desconhecido (até recentemente) e uma mãe portadora de doença mental.
No entanto, cumpre ressaltar que, embora acossada por um distúrbio incurável e que terminaria levando-a a cometer suicídio, Maria Helena Coelho Barros jamais deixou de transmitir à filha preciosos ensinamentos, dentre eles jamais deixar de ser forte e, sobretudo, jamais deixar de ser ela mesma. Neste sentido, foi plenamente bem-sucedida, muito mais, por sinal, do que muitas mães supostamente sensatas e equilibradas. Em nome do teatro, portanto, agradeço a Maria Helena sua determinante contribuição para que Dani Barros se tornasse a incansável guerreira que sempre foi, é e continuará sendo. Isto posto, vamos ao espetáculo. continua...
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Uploaded on Dec 6, 2011
.das saudades e das vontades.
.aniversário de 70 anos da estamira. no isopor, as coxinhas e os kibes mais deliciosos que já comi na minha vida.
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Uploaded on Nov 30, 2011
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