montar

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MAO - Museu de Artes e Ofícios. Belo Horizonte, MG, Brasil.
Florzinhas cotidianas 1746

MONTAR

montar no mundo e ir às cúpulas
russas, cebolas multicores, ir
no lombo do vento, saltando riachos
e outros desafios, lona de circo
e temporais pelo caminho, carro
enguiçado e mula empacada na terra
do benvirá, na terra da gula sem fim
a varanda do pampa e o solar
da caatinga, mar sem fim, só resta
correr mundo no lombo de ventos
sumários ou precários, que a vida
não espera, e o cavalo está arriado

DMC
AQUI: 159 fotos que fiz do MAO: picasaweb.google.com/darlan.in/MAOMuseuDeArtesEOficios

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torrar

torrar

MAO - Museu de Artes e Ofícios. Belo Horizonte, MG, Brasil.
Florzinhas cotidianas 1745

HISTÓRIA

uma grande pá de madeira gira no sentido horário, depois roda no sentido anti horário, para que os ombros não doam tanto, ou de modo desigual; então, a farinha vai torrando bem de leve, a madeira chora, a lenha estalando, o cheiro de mandioca no ar, alguma folha ao vento, palavras esparsas debaixo da tenda ou do galpão, e, sentado à mesa, o país espera pela fala final da mandioca: a farinha

DMC
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Vamos!

Vamos!

RIO ACIMA, MG, Brasil.
Florzinhas cotidianas 1744

GENTE QUE VEM DE LISBOA, E DO BÓSFORO... DE BÊAGÁ E DOS EUA

Gente que vem da garoa que paira no estreito do bósforo ou em lisboa, igual
e diferente a cada dia, unindo-se à gente ribeirinha
cheia de feixes de luz e fieiras de peixes diversos, gente
caliente, ó matilha desvairada no quintal
das ilusões, a besta está solta, o diabo no seio
do redemoinho
está; gente vem de todos os lados, miúda e graúda
em busca de um tempo erguido sem elas, gente da garoa de lisboa
ou do bósforo, gente quieta (fugitiva?) e gente inflamável feito cabeça
de fósforo, aqui
à beira deste remanso pequeno, pequena cidade onde o rio corre ao contrário
deles e delas.
*****

O FAMIGERADO "BAR TOLO", EM RIO ACIMA

Minhas duas sócias e eu estávamos no famigerado BAR TOLO, bebericando o delicado veneno das palavras, o doce das palavras, com antídotos dos quais fazemos parte todos nós, quando novamente percebemos ser domingo, de novo, aos sábados e domingos chegam turistas vizinhos, vindo também de lugares longínquos, vêm fazer ciclismo, bike, em trilhas secundárias e pela trilha ou Estrada Real, chegam para ir às cachoeiras da cidade, e nós ficamos observando a gente em suas roupas multicores, às vezes, até com outros idiomas, e nos alegramos de aqui estarmos, entre goles de licor de jaboticaba, ou de cachaça com limão capeta, e postas de piramutaba empanada e frita, e a música ao vivo de alguma pessoa amiga com o seu instrumento, logo de manhã, que aqui o tempo é de uma roupagem diferente, nós o fazemos ainda sem muita pressa, da pressa doentia da maioria dos que aqui chegam, mas logo melhoram, logo que chegam aqui, e o BAR TOLO ajuda a cuidar disso, e ficamos pensando na infinita imbecilidade humana, nos mil convites diários ao infarto, à desrazão de outras separações amorosas (é, as pessoas estão sem um mínimo de paciência para com nada, para com ninguém, nem mesmo para com elas, doentes sérias se tornaram [e eu cuido de mim, nada de abrir a cachola de teimosos e teimosas, cegos e cegas contumazes, renitentes]).

Pois é, quando você tiver tempo, venha montar numa bicicleta aqui nesta pequena cidade, venha desmontar-se da vida corrida, criar juízo debaixo das águas das cachoeiras, bebendo conversa e bebendo pinga com limão capeta, pode ter certeza de que o Rio das Velhas vai gostar – e também o dono e as donas do famigerado BAR TOLO. Venha ver o "trem bão, uai!" - aquele com uma saída diária para lá do fim do mundo.

DMC
BAR & RESTAURANTE "OS LÁBIOS SEDOSOS DO DIABO": picasaweb.google.com/darlan.in/COMERBEBERFOODBEVERAGE#509...

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pão caseiro, para a tarde / noite de 26-01

pão caseiro, para a tarde / noite de 26-01

OS AMADORES TAMBÉM VÃO À COZINHA. (BAR & RESTAURANTE "OS LÁBIOS SEDOSOS DO DIABO").
Florzinhas cotidianas 1743

PÃO DOCE

1/3 lata de leite condensado
o mesmo tanto de água morna (medida, por exemplo, da própria lata de condensado)
o mesmo tanto de óleo (idem, no que diz respeito à medida)
20 g de fermento biológico (um tablete)
1 ovo

PREPARO:
Bater tudo junto no liquidificador, menos o ovo. Despeje a mistura numa tijela, coloque o ovo (gema e clara), acrescente farinha de trigo, aos poucos, e vá misturando com as mãos, até ficar com uma consistência em que a massa não grude nas mãos. Amasse bem. Coloque nas duas formas, e deixe a massa descansar durante trinta minutos; pincele com gema de ovo, para doirar. Leve para assar em forno brando, por cerca de uns 25 (vinte e cinco minutos).

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sela

sela

MEDINA (cidade natal), MG, Brasil
Florzinhas cotidianas 1742

ARGENTINA E BRASIL

Sendo ele talvez o mais belo bairro de Buenos Aires, Puerto Madero é muito concorrido. Após toda a nação ter vivido mergulhada em muito sangue, saindo disso com a ajuda ferrenha das mulheres, chegou-se à ideia de que naquele bairro todas as ruas e avenidas tivessem nomes de mulheres – mulheres que fizeram a história da referida cidade, do referido país. Não sei de outro exemplo igual, talvez exista, mas não aqui. Puerto Madero é um bairro portuário, completamente remodelado. Bom...o fato é que o Brasil tem 5565 cidades, e me pergunto quantas prefeitas há no país, sabendo que apenas cerca de oito ou nove por cento de mulheres compõem o nosso Congresso Nacional (na Argentina está em torno de 48% de mulheres no Congresso Nacional), num país em que cinquenta e quatro por cento de seus habitantes são do sexo feminino; portanto, tem algo muito errado aqui, tem algo de podre na república do Brasil.

Quando estive na Argentina pela primeira, em janeiro de 1975 (tenho ainda uns enormes postais daquela época), fí-lo para ir ver a corrida de Fórmula 1 (mochila nas costas), vencida pelo Emerson Fittipaldi - memorável corrida com o carro McLaren/Ford, sendo que foi também memorável porque teve argentino no pódio, em terceiro lugar: Carlos Reutemann, grande amigo do Emerson, um piloto que, muitos anos depois, viria a ser governador da província de Santa Fé; hoje, ele é senador; e outro argentino, este de nome Clay Regazzoni, que ficou em quarto lugar. Lembro-me bem da batucada na mais larga avenida do mundo, a avenida Nueve de Julio. E o bairro Puerto Madero, àquela época, estava práticamente abandonado, desolado, o Rio da Prata cheio de preguiça e tristeza. Hoje, a região é um luxo só. Construíram lá uma ponde delgada, moderníssima (o arquiteto espanhol Calatrava), toda branca, cujo nome é Puente de la Mujer. Pode crer.

Voltando ao exemplo de Puerto Madero, pode-se começar dando nome de mulher à rua principal, alameda, praça ou avenida de um novo bairro aqui na cidade, ou o nome da primeira mulher a ter votado no país, bem como o da primeira vereadora da cidade, deputada ou das líderes comunitárias, o nome da mulher na qual se fez o primeiro parto no município, o nome da Dona Maria "Doceira", Dona Ermelinda "Parteira", e assim em todas as outras cidades.

DMC
Puerto Madero: www.puertomadero.com/

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Uploaded on Jan 25, 2012

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