|
|
fotemas' photostream |
|
HISTÓRIA DA CAMA (4): Africama
Florzinhas cotidianas 1751
"Quase 80 mil anos antes de os humanos começarem a borrifar substâncias químicas para controlar os insetos, os africanos usavam colchões feitos com plantas repelentes de insetos para garantir uma boa noite de sono. O achado, publicado na revista Science desta sexta-feira, tem por fundamento uma cama com plantas, de 77 mil anos, descoberta em uma caverna na província de KwaZulu Natal, na África do Sul. A cama é 50 mil anos mais antiga do que qualquer outra pré-histórica já descoberta".
Fonte: www.estadao.com.br/noticias/vidae,humanos-da-pre-historia...
*****
1.
Até que os antepassados melhorassem o seu discernimento, o céu era o limite, o terror, pois vinham de lá tempestades pavorosas com raios que incendiavam tudo à vista daquelas populações inicialmente nômades, ou catadores de frutos, caçadores ou matadores de renas, mamutes, bisões, ratos silvestres, cobras, javalis, preguiças gigante, tatus, minhocas, focas, macacos, antílopes, larvas, o que achassem no hipermercado da época; e o outro limite era o chão, porque cama não tinham, senão o chão coberto de palha, peles ou couros: estes eram o estrado e a cama daqueles que andavam sempre juntos naquela vida cheia de perigos, sem nada do parasitismo das vadias e aleijados bbb; sim, foi uma longa e sinuosa estrada, ou, em português, a long and winding road. Estima-se que a primeira população entrou no continente europeu por onde hoje é a cidade de Korenki, na Rússia, há uns 75 mil anos, entrando pela parte oriental da Europa. Viva a cama.
Mas chega de história, arqueologia e antropologia, e voltemos à cama, isso porque uma sensação inenarrável é a de deitar-se numa cama d'água ou de ar, de espuma, paina, de palha ou de capim - como eram recheados os primeiros colchões, e refestelar-se num travesseiro enchido com crina de cavalo ou rabo de vaca, bisão, com pelos de urso ou de outro bicho, ou enchido com os cabelos de inimigos mortos em batalha, ou daqueles que eram aprisionados e comidos, até porque tribos havia que não desgostavam nada de comer prisioneiros, por exemplo, os tupinambá (leia a história do naturalista ou aventureiro alemão Hans Staden, que escapou por muito pouco de ir à mesa dos tupinambá, com o devido molho de pimenta, temperado também com ervas afrodisíacas e servindo de pretexto para beberagem de cauím, após anos de cativeiro sob uma tortura psicológica refinada. Imagine). Voltemos ao aprazível da cama.
2.
"Hoje eu faço 10 anos, e fiz um brinquedo com palavras" (Manoel de Barros). Pois eu, há dois meses, fiz 100 anos, e fui à zorra, à zona mais meretrícula de duas suicidades, experimentar de novo o que não conhecia tão a fundo, sabia algo, é vero, da complexidade das mulheres, de como são boas aquelas anatomias em conluio com o sal dos desajuizados, e me refestelei de tal jeito que perdi hora, e fiquei lá, entre a poesia lasciva da poeta grega Safo, e a boca de noites sísmicas e de madrugadas embaladas com os contos da incrível Sherazade; portanto, podes perceber que os meus 100 anos foram vividos em Somorra & Godoma, inesquecíveis; e agora compartilho este alvoroço, aquela monumental algazarra na qual a cama teve lugar primordial, porque se nem sempre tudo o que reluz é ouro, e se nem sempre de reza vive o homem, e se nem só de pão vive o homem, o fato é que sem cama não há cristão, xintoísta, budista, janista, muçulmano ou judeu, e muito menos ateu como eu que possa viver. Vivacama, todas, menos as de hospital, menos as de campanha. Vivacama, africama. O ogro e a dama sob xeque, mate, gritos e sussurros da amorosa trama.
3.
Lugar de descanso e cansaço, de vitória e fracasso, serva e senhora de quem tem saúde e de quem se tornou bagaço, lugar do real e do abstrato, a cama é a própria história da humanidade: cheia de terra e sangue, plena do entusiasmo das melhores manhãs, melhor é pensá-la e fazê-la ter manhãs multicores, ela, a cama e suas rimas e desavenças com as ruas da cidade e os trançados das lavouras, com a língua de fogo dos escritórios e o veneno e as traições mortais das bolsas de valores. Viva a cama.
DMC
Foto: www.colombo.com.br/produto/Moveis/Cama-Casal-EC-S820-Imbu...
Uploaded on Feb 1, 2012
HISTÓRIA DA CAMA (3): rede
Florzinhas cotidianas 1750
SÍNDROME DE FEVEREIRO
os pés inquietos de fevereiro reviram-se
na lama que os cobre, que é tempo
é tempo de chuva, do que restou dela
em dezembro e janeiro, a cólica feroz
das nuvens nos pés de fevereiro, eis
o assunto do dia nos jornais, mas
outros assuntos logo serão a bola
da vez, porque já é de novo fevereiro,
e só algumas pessoas dão por exato
conta disso: que os cabelos já não são
os mesmos do fevereiro passado,
mais calmos estando talvez
os dedos das mãos, menos motivos
talvez para sorrir tendo as criaturas
do dia e da noite, insones e dorminhocos,
todos tendo nos ombros os fevereiros
que fizeram por merecer, a canção diz:
"não viemos por teu pranto", então, resta ir
aos vinte e nove dias deste mês (há dele
de vinte e oito), e abrir-lhe o leque,
porque fevereiro é a época dos pés
soltarem de um jeito único a sua mania,
sua ânsia anual por folia, que os pés,
em fevereiro, são reis melódicos: adeus,
bigodes da seriedade; adeus, sutiãs
e outras barbaridades de todas as ©idades!
DMC
*****
HISTÓRIA DA CAMA (3): rede
"Com o peso dos grandes panos de xadrez colorido às costas, chapéu de abas largas, alpercatas, bolsa de couro a tiracolo e anelões faiscantes nos dedos grossos, vai apregoando a excelência do que vende, intercalando, de vez em quando, ao pregão, algo malicioso. [O VENDEDOR DE REDES]" *
www.consciencia.org/o-vendedor-de-redes-comercio-popular
*****
Lugar de descanso e cansaço, de vitória e fracasso, serva e senhora de quem tem saúde e de quem se tornou bagaço, lugar do real e do abstrato, a cama é a própria história da humanidade: cheia de terra e sangue, plena do entusiasmo das melhores manhãs, melhor é pensá-la e fazê-la ter manhãs multicores, ela, a cama e suas rimas e desavenças com as ruas da cidade e os trançados das lavouras, a língua de fogo dos escritórios e o veneno e as traições mortais das bolsas de valores. Vivacama !
DMC
Foto: www.google.com.br/search?q=imagens+de+redes+de+dormir&...
Uploaded on Feb 1, 2012
HISTÓRIA DA CAMA (2): tatami
Florzinhas cotidianas 1749
HISTÓRIA DA CAMA (2)
Seja ele dente por olho, queixo por braço ou pernas por costelas, o fato é que se pode discorrer assim sobre o amor, até porque uma leitura nada equivocada do amor no tempo atual pode acusar que ele é acéfalo, sem batimentos cardíacos, mas apressado e trocável por coca cola ou por um carro; e é mais estranho e degradante ainda se essa leitura for feita a partir de povos ou lugares onde dez mulheres não valem sequer uma cabra. Mas nada disso deve sujar essa crônica que pretende soltar bons fluidos na pele e no íntimo da cama de quem consiga saber de fato acomodar-se consigo mesmo / mesma, ou com quem se deite, capaz de ver e sentir mais do que mera anatomia; mas
há uma lenda ou realidade que diz que certos senhores feudais tinham o famoso privilégio do jus primae noctis // droit du seigneur // direito da primeira noite // the male power (in the European late medieval context: an ancient privilege of the lord), ou seja, um indivíduo casava-se, mas o dito mandão geral, o senhor feudal fazia ou faria jus à primeira noite, caso quisesse. Durma você com um barulho deste, sim, ainda há inúmeros rituais sob a capa da tradição, cada qual de olho na própria satisfação, e aí, de vez em vez aparecem maravilhosos ou refinados gênios tarados. Lembras de O Perfume?
DMC
Foto: www.google.com.br/search?q=fotos+de+tatamis&hl=pt-BR&...
Uploaded on Jan 31, 2012
HISTÓRIA DA CAMA (1)
Florzinhas cotidianas 1748
HISTÓRIA DA CAMA (1)
Conta-se que ficar na cama é fruto de desculpa esfarrapada, para uns; para outros, é um imperativo do corpo, mais até do que da mente. Mas de qual tipo se fala, se há camas de solteiro e de casado ? se há camas para um só dia e para mais longas estadias? se há camas chamadas de maca, cuja estrutura pode ser para os hospitais em tempo de paz, ou modificadas para tempos de guerra ? A minha cama está debaixo da ponte do Antão; tu te deitas com ponte de safena.
De qual delas se fala ? Sabe-se que a igreja condena este apetrecho cotidiano, por julgá-lo receptor da volúpia, sicário da preguiça, vassalo da corrupção, ímã total para o abominável sexo, ou jogos florais, hehe, sendo patologia e sinonímia capazes de reger o mundo de tantas pessoas, se não o de todas as pessoas. Sim, este arrazoado é antigo, é do tempo em que nas cavernas o cocô dos morcegos forrava o chão dos primeiros humanos que estendiam palhas e couros para dormir, comer, beber, guerrear, grunhir, sorrir, fornicar e jogar - jogar é antigo, tem mil tempos mais do que o seu nome latino Homo ludens, mas não se sabe quando o Homem começou a sorrir, e deixou de sorrir.
Tanto a antropologia quanto o alfabeto nos fazem saber algo a respeito do por quê certas coisas vieram e ficaram como necessidades do Homem, mas o mesmo não se pode dizer da inútil paisagem forjada pela psicologia clínica quando, por exemplo, intenta explicar o que há de belicoso nos humanos, que no entanto mantêm a sua tendência ao belo, e a outras tangências rumo a tantas outras histórias das infâmias universais.
A cama, Senhoras e Senhores, ainda que seja ela a mais coerente sensação dentre todas as suas divagações, e o mais escondido dos segredos, precisa que se lhe feche de vez em quando as pernas, porque não é possível ficar na cama a vida inteira; portanto, Senhoras e Senhores, que se lhe dê de ombros ou as costas de vez em quando, como fazemos com alguma canção ou um livro que deixamos de lado por algum tempo, devido ao uso contínuo ou ao fato de não se concordar mais com ele, quando não pelo fato de algo melhor ter surgido.
A cama é espera, é certeza absoluta de palpitações, da farra inenarrável algazarra que sobre nós arremete com o seu domínio inexorável de sexo e morte – porque o amor parece que está morto, ou vacilando nalguma esquina, como um fugitivo. Pobre amor. Estuda-se até a exaustão a libido, mas a libido é algo assim como é no futebol: quem entende tudo mesmo de futebol é a bola. A libido não é jogo, mas conjunto de sensações químicas e psíquicas único, não é algo só para beber, comer, guerrear, grunhir, fornicar e dormir, e não será na cama que terás a resposta, se é que resposta plausível existe para isso, para esta sina de nome cama, e se é que procuras alguma resposta para essa vida boa nela.
Quando se inventará e se fará algum inventário do riso ? Resolverá algo o riso ? Será vendido a quanto o riso ? Diz-se que o melhor riso é aquele que explode na cama, que comove o ogro e a dama, aquele que vaza paredes, vai ao mundo, às nuvens, ao diabo... portanto, respeitável público, Senhoras e Senhores, Amadas e Caros, vamos à cama e fiquemos por lá, ouvindo passarinhos, soltando pipas, bebendo e comendo realidades e sonhos. Sonhos.
Texto: DMC
Foto: www.google.com.br/search?q=fotos+de+camas&hl=pt-BR&am...
Uploaded on Jan 30, 2012
quibe assado: para a tarde // noite de domingo
Florzinhas cotidianas 1747
A(S) VISITA(S) E O KIBE
Nós vamos lá sempre que possível, eu e o outro que em mim habita, mas que em parte se esconde de mim, e totalmente dos outros, da sociedade em geral, mas não de quem visitamos amiúde, pois sempre que possível vamos à casa dela que é ferreira, dando duro numa pequena forja erguida no seu quintal todo cheio de pés de goiaba, manga e jaboticaba, flores a granel e por atacado, tanto que beija flores e borboletas vivem de pileque por lá, sem falar nas visitas humanas, sim, nós vamos lá comer as brasas de que certas palavras e certos silêncios são capazes, abrindo um e outro limão taiti ou limão capeta para umedecer o quibe assado daquela assadeira sem igual, com um fogo colossal, ela nos acolhe, a mim e ao outro que eu sou, mas que não se mostra a ninguém... e por lá ficamos, até que seja mesmo hora de partir.
*****
NOSSAS VISITANTES E O QUIBE NOSSO DE QUASE SEMPRE
Elas vêm aqui sempre que possível, visitar a mim e ao outro que me habita, mas que em parte se esconde de mim, e totalmente se esconde dos outros, da sociedade em geral, mas não dessas visitas que aqui vêm saborear quibes e algo mais, sim, elas vêm aqui comer as brasas de que certas palavras e certos silêncios são capazes, abrindo um e outro limão taiti com que umedecer o kibe assado, também há bastante azeite, folhas frescas de hortelã e molho de pimenta, pão e risos que fazem a rua estremecer de inveja e ira.
DMC
O álbum "COMER & BEBER / FOOD & BEVERAGE: picasaweb.google.com/darlan.in/COMERBEBERFOODBEVERAGE
Uploaded on Jan 29, 2012
-
Start a Photo Session PreviewPhoto Session requires JavaScript. If you wish to try Photo Session, please enable JavaScript in your browser and reload the page.
Because Photo Session uses exciting new web technologies, you can only use it if your browser supports them. Download the latest version of Chrome, Safari, Firefox, or Internet Explorer and try again!
You are using an older version of a supported browser, and may experience some problems. If this happens, please download the latest version and try again!
You are using an older version of Safari, and may experience some problems. If this happens, please download the latest version and try again!
You are using an older version of Chrome, and may experience some problems. If this happens, please download the latest version and try again!
You are using an older version of Firefox, and may experience some problems. If this happens, please download the latest version and try again!
You are using Internet Explorer 9, and may experience some problems. If this happens, please download Chrome, Safari or Firefox and try again.
There was a problem creating a Photo Session. Please ensure that you're connected to the internet and then reload the page.
Photo Session is over capacity! Sorry for the inconvenience. Please try again in a few moments.
One moment, please. We're creating a Photo Session just for you!
You must be logged in to create a Photo Session. You'll automatically be taken back here once you log in!
Here's a link to the session. Just copy and paste!
Or find people to invite:
Type a name or email address
Include an optional, personalized message:
-
Grab the link




