tUuUuUuUu

    [...] Há em nossos corpos um clima de navios,
    do andarilho, perpétuo habitante de todo lugar,
    do oscilante marinheiro ou lucífero chinês.
    Dos naufrágios passas sempre alheio, ao largo,
    passageiro de um barco errante a ouvir o desejo
    triste dos não aventurados:
    - Ah! Impossível mobilidade das ilhas!

    O sol, na fotografia, escreve à luz tua imagem,
    mas nós só vemos sombras...à sombra, meu navegante!
    E aquela agonia inventando distâncias, não nos importa.
    O mar não dá raízes.

    O vapor se vai longe fazendo longo, profundo, melífluo
    tuuuuu-tuuuuu em convite para estarmos contigo
    e estaríamos com o vento se não fôssemos da terra,
    estas figueiras que têm por delícia sombrear os argonautas
    em descanso.

    Cravadas nas margens, acenamos mãozinhas adormecidas,
    tecemos lamentos no crepúsculo das silhuetas,
    no perfil fotográfico dos montes - teu nome pousado
    sobre o nosso tronco. Outra espécie de esquecimento,
    imortalidade daguerreótipa. Acreditamos verdadeiramente
    que ainda estás aqui, mas como souvenir da atmosfera.
    O mar não existe. [VM . 1985]

    Comments and faves

    1. Naccarato (81 months ago | reply)

      LOVE IT !!!!!!!!

    2. zenog (81 months ago | reply)

      uma maneira de escrever tão familiar...

      lindo!

    3. César Augusto (80 months ago | reply)

      :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

      O sol e a terra, trocam amores

      antes de darem à luz
      o dia.

      Um beijo grande.

      César.

    4. teemazul (80 months ago | reply)

      Fiquei a viajar... que fascínio!

      Que bom haver quem seja capaz de experimentar as 'fragilidades' do flutuar!

      Lindo o espaço todo!

      Bjs Teresa

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