Self
Nilson Sato | 1977


PESQUISA

O foco do meu trabalho é a figuração, a minha narrativa pictórica lida com a questão da figura humana e sua presença. Dentro do contexto da contemporaneidade, busco solucionar a tensão dos elementos na minha obra, refletindo sobre a mediação entre a realidade e sua representação da imagem apropriada através da fotografia.
Utilizo a fotografia como meio para obter as informações que me é relevante, pela captação de imagens pela ruas de São Paulo ou através de seleção de imagens em revistas e jornais. Me interesso pelo registro da figura humana, através do fugaz, da poética que reside em pequenos flagrantes cotidianos.
Assim, reúno os elementos para compor o universo da minha criação. Faço a transposição da figura de seu meio, para conferir uma outra identidade. Me interesso pelo paradoxo, da troca de significado, do questionamento do que é real.
Partindo da premissa da utilização do desenho como suporte, não tenho a itenção de recriar a fotografia através desta técnica e também pela pintura. Aprecio e me inspiro na obra do artista alemão Gerhard Richter, na qual ele cita: 'A fotografia não é uma ajuda para a pintura; é, em vez disso, a pintura que é uma ajuda para criar uma fotografia através dos métodos da pintura'.
Durante o período que frequentei a Faculdade de Belas Artes, conferi no MAM, a exposição que reuniu obras de artistas americanos: Charles Bell, Robert Indiana, Andy Warhol e Donald Sultan. A obra de Bell, mudou a minha percepção de pintura, foi a primeira vez que vi uma pintura reproduzir de modo fiel a realidade, quase uma fotografia.
Na faculdade também tive o contato com alguns remanecentes do grupo coBrA, participando de um workshop. Em 1996, fui para Nova Iorque e vi as obras de Chuck Close, o que ressaltou mais o meu interesse pelo realismo.
O contato com o design, após a faculdade, tanto na área gráfica como de produto, influenciou diretamente a minha linguagem, composição, o uso dos elementos e cores. Sempre me interessei por vários movimentos artísticos que passavam pela estética do construtivismo russo, a pintura metafísica de Giorgio de Chirico, o grafismo lúdico de Keith Haring e a fotografia monocromática em contraste com cores e mensagens de Barbara Kruger.
Ao receber uma bolsa de estudo na área de design de móveis no ano 2000, fui para o Japão, e em uma mostra no Museu de Arte de Hiroshima conheci a obra de Edward Hopper que virou uma referência para mim. Em 2003, voltei ao Japão mais uma vez, desta vez como designer gráfico e ilustrador, onde morei por 4 anos. Lá conheci obras de pintores como Ryusei Kishida e Rey Kamoi, visitando museus da cidade.
Em minhas obras, costumo utilizar a tinta óleo, acrílica e sumi. A tinta sumi, é identificada a técnicas de arte japonesa, como o sumi-ê e shodô. Conheci esta tinta de cor preta e a sua técnica através de meu avô paterno Arata Sato que foi mestre na arte da escrita japonesa, o shodô. Utilizo a mesmo tinta, recipiente e pincéis que um dia a ele pertenceu, todo este material é oriundo de uma herança que recebi por parte dele. Paradoxalmente, utilizo o sumi, para outra finalidade, recriar uma obra realista, quebrando com a sua tradição e a filosofia de seu uso, que é a expressão simbólica da percepção da realidade.
Esta antítese ocorre também no resultado final, na materialidade, o tom monocromático da tinta, de acordo com a sua aplicação sobre papel ou tela ganha uma aparência que se assemelha ao grafite ou mesmo ao carvão.

Tenho como mote a representação da figura, a principal inspiração para mim, como registrou Henri de Toulouse-Lautrec: 'Só o ser humano existe; a paisagem é, e deveria ser, nada além de um acessório.'


INFLUÊNCIAS

Artes visuais
Edward Hopper, Charles Bell, Chuck Close, Franz Gertsch, Gerhard Richter, Robert Bechtle, Philip Pearlstein, Damien Loeb, Diego Gravinese, Tim Eitel, Barbara Kruger, Henri de Toulouse-Lautrec, Ryusei Kishida, Rey Kamoi, Giorgio de Chirico, Tim Eitel, Takashi Fukushima, Gil Vicente, Gregório Gruber, Marcelo Moscheta, Adriana Varejão, Dawn Clements, David Choong Lee.

Escultura
Ron Mueck, Franz Weissmann, Amilcar de Castro, Richard Serra, Isamu Noguchi.

Fotografia
Henri Cartier-Bresson e Wolfgang Tillmans.

Música
Thelonius Monk, Portishead, Paulinho da Viola, Grant Lee Phillips, Ego-Wrappin', Ceumar, Kassin, Yamandu Costa, Yann Tiersen.

Cinema
David Lynch, Rainer Werner Fassbinder, Krzytof Kielowski, Fernando Meirelles, Francis Ford Coppola, Quentin Tarantino, Joel Coen.



BIO

Nascido em São Paulo em 1977. Graduado em design pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, é artista plástico e ilustrador. Vive e trabalha em São Paulo. Atuou como diretor de arte em agências de comunicação em São Paulo. Morou em Tóquio onde atuou como designer gráfico e ilustrador por 4 anos. Desde 2008 se dedica às artes visuais realizando pesquisa sobre a mediação entre a realidade e sua representação da imagem apropriada através da fotografia.





EXPOSIÇÕES


Individuais

2010
Dois explícitos, Individuais simultâneas, Galeria Quarta Parede, São Paulo, SP
Sobre_tudo, Individuais simultâneas, Ateliê OÇO, curadoria de Claudinei Roberto, São Paulo, SP

2009
Transeunte, Espaço da Cultura Fim do Mundo, São Paulo, SP


Coletivas

2012
63º Salão de Abril, Fortaleza, CE
40º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André, SP
Coletiva, Galeria Virgilio, São Paulo, SP

2011
Coletiva, Galeria Penteado, Campinas, SP
Até meio quilo, Museu Eugênio Teixeira Leal, Salvador, BA
Projeto parede MAM 2011, Grupo cadaVer, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP
Exposição de abertura do Epicentro Cultural, São Paulo, SP
Vicissitudes, curadoria de Claudio Matsuno, Galeria Virgilio, São Paulo, SP
VII Salão de Artes Plásticas de Suzano, Suzano, SP
Sintonias Bidimensionais, curadoria de Nobuo Mitsunashi, Galeria Deco, São Paulo, SP
43º SAC, Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, SP
Até meio quilo, Fundação Cultural da Paraíba, João Pessoa - PB
Até meio quilo, MAC Jataí - Jataí - GO
36º SARP, MARP, Museu de Arte de Ribeirão Preto - Ribeirão Preto - SP
Até meio quilo, Casa de Cultura UEL - Londrina - PR
Até meio quilo, Fundação Cultural Badesc - Florianópolis - SC
É Crédito ou Débito? Grupo Aluga-se, curadoria Josué Mattos, Circuito Sesc de Artes 2011, São Paulo, SP
Handmade II, Galeria nuVEM, São Paulo, SP
17º Salão Unama de Pequenos Formatos, Belém, PA
Octopus Garden, curadoria de Claudio Matsuno, Central Galeria de Arte, São Paulo, SP
motores utópicos, sensores reais, curadoria de Andrés Hernández, Galeria Quarta Parede, São Paulo, SP

2010
Agora e Sempre, Galeria Quarta Parede, São Paulo, SP
10º Salão de Artes Visuais de Guarulhos, SP
27º Salão de Artes Plásticas - Anuário Embu das Artes, Embu das Artes, SP
38º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André, SP
Coletiva Cinesol 2010, Ateliê OÇO, curadoria de Claudinei Roberto, São Paulo, SP
Um livro sobre a morte MuBE, São Paulo, SP
Um de Um, Abertura da Galeria Diagonal, São Paulo, SP

2009
7º Festival Internacional da Imagem Fotográfica de Atibaia, SP
41º SAC, Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, SP
9° Salão de Artes Visuais de Guarulhos, SP
3a Grande Exposição de Arte Bunkyo, São Paulo, SP
Feia 10, 10° Salão de Artes Visuais do Instituto de Arte, Unicamp, Campinas, SP
18º Encontro de Artes Plásticas de Atibaia, SP
27º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, SP
37º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André, SP

2008
2a Grande Exposição de Arte Bunkyo, São Paulo, SP


Prêmios

Prêmio Aquisição, 38° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André, SP | 2010
Medalha de Ouro, 3a Grande Exposição de Arte Bunkyo, São Paulo, SP | 2009
Menção Honrosa, 2a Grande Exposição de Arte Bunkyo, São Paulo, SP | 2008



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Joined:
June 2006
Hometown:
Sao Paulo
I am:
Male and Taken
Occupation:
artista visual