Jorge Ben Jor nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro, no subúrbio de Madureira. Passou sua infância no Rio Comprido e na Tijuca, Haddock Lobo esquina com Mattoso. Estudou em escola pública e no Seminário São José.

Seu Pai queria que ele fosse advogado e sua mãe médico pediatra. Ele queria ser jogador de futebol. Mas a música falou mais alto em sua vida. Além de ouvir e gostar das músicas dos ídolos de seus pais, ele também gostava de Elvis Presley, Little Richard e outros. E de um cantor que tocava e cantava diferente chamado João Gilberto, seu ídolo até hoje.

Nelson Motta - jornalista artístico e crítico musical-, escreveu que no Bottler Bar, templo do jazz e da Bossa Nova, ouviu pela primeira vez um negro atlético e queimado pelo sol de Copacabana, cantando e tocando um violão com percussivas mistas de jazz, samba e maracatu.
Ali já aparecia a fundamental marca de Jorge: Swing, Alegria e Simpatia Universal.

" Samba Esquema Novo", seu primeiro disco, foi gravado pela Philips (que depois virou Poligran), onde ganhou seu primeiro disco de ouro. Com sucessos como: "Mas que Nada", "Chove Chuva", "Por Causa de Você Menina", com arranjos perfeitos de Meirelles, e os Copa 5.

Jorge diz ter recebido com imensa satisfação um convite de Erasmo Carlos, para participar do programa Jovem Guarda de Roberto Carlos.

Foram varias edições até que Guilherme Araújo, empresário de Gil e Caetano, o chamou para participar da criação de um novo programa, O Divino Maravilhoso, na TV Tupi, fruto do movimento Tropicalista. "Posso Dizer que aquela foi uma fábrica de entendimento, de música, de fazer música", diz Ben Jor. Ali nasceram grandes sucessos de sua carreira como "Charles Anjo 45", "Zazueira", "Que Pena" e "Pais Tropical". Ele se lançou no mundo da Música com ritmos diferentes e dançantes.
Gravou CDs pela Warner Music, Sony Music, e Universal (ex Poligran).

Hoje, muito respeitado, tem suas músicas gravadas por diversos artistas nacionais e internacionais.

Jorge Ben Jor, desde que surgiu no meio artístico com um estilo próprio que, como dizia, era um misto de maracatu, é respeitado e acolhido por representantes de todos os movimentos musicais, da pós – bossa nova aos dias atuais. Bom exemplo disso foi o fato de Jorge ter sido o único intérprete com trânsito livre nos programas Fino da Bossa (comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues), jovem guarda (de Roberto Carlos) e O Pequeno Mundo (de Ronnie Von). Um não aceitava a participação de artistas que já tivessem se apresentado nos outros dois. Ben Jor era a exceção.

Quando surgiu a Tropicália, ele foi, novamente, o único artista consagrado convidado a participar do acontecimento, com presença obrigatória no programa Divino Maravilhoso, apresentado por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. Da mesma forma, Jorge é o único compositor gravado por artistas de todas as correntes musicais.

Jorge Ben Jor lançou, pela Universal Music em 2004 "Reactivus Amor Est (turba philosophorum)", que estava sendo muito esperado pelos fãs do artista, por ser um CD só de inéditas. Músicas como “Mexe Mexe”, ” Funk Astrid” e “História do Homem” já fazem parte de seu repertório pra Shows. Nos últimos anos, Ben Jor World Dance (1995)", "Músicas Pra Tocar em Elevador (1997)", com a participação de vários artistas como, Carlinhos Brown, Skowa, The Feevers, Placa Luminosa, Mundo Livre S/A, Barão Vermelho, Fernanda Abreu, Skank, Paralamas do Sucesso, e ainda a gravação de um disco, Acústico MTV, que alcançou enorme sucesso de vendas e crítica.

No entanto, todos os trabalhos envolveram regravações e antigos sucessos.
Desde que começou sua carreira, Jorge Ben Jor já se apresentou na Europa, Estados Unidos e África.

O público da Europa já assistiu aos seus shows, dançou sob o som de seu swing, e se encantou com seu ritmo e simpatia.

Somente nos últimos cinco anos, Jorge realizou cerca de 100 shows fora do Brasil.
No final de 2003, embarcou para os Estados Unidos para participar de uma importante homenagem ao artista Gilberto Gil, durante a festa de entrega do 2003 Person of the Year Award (Prêmio Personalidade do Ano de 2003), realizado em 2 de setembro, no Lowes Hotel, em Miami Beach. Participou também como convidado da noite de entrega do prêmio Latin Grammy , realizado em 3 de setembro.

Jorge se apresentou em Fort Lauderdale, no Broward Center, um magnífico espaço de espetáculos, com capacidade para 3000 pessoas, ainda em setembro. Em junho de 2004 iniciou nova turnê nos Estados Unidos (San Diego, Los Angeles, Washington e Nova Iorque), e nas cidades européias como Roma, Paris, Montreux, Berlim, Koblenz, Tubingen e Londres.

Para Ben Jor, um momento muito especial desta turnê pela Europa aconteceu em Roma, em um show com participação de Gilberto Gil, Gal Costa, Toquinho e a bateria da Mangueira, na Praça Piazza di Siena, com público estimado de 150.000 pessoas.

O disco África Brasil que Jorge Ben Jor gravou e inclui o sucesso "Taj Mahal", foi eleito pela revista Rolling Stone, em abril de 2002 o 22º disco mais Cool do século XX. A revista considerada a mais importante publicação especializada em música, realizou uma pesquisa com renomados críticos musicais de todo o mundo para eleger os 50 discos que, de tão bacanas, conferem prestigio a qualquer coleção.

A obra de Ben Jor ficou a frente de discos consagrados de grandes astros como Songs for Swinging Lower, 23º lugar que Frank Sinatra gravou em 1956 e In a Silent Way, em 29º gravado por seu grande ídolo Miles Davis em 1969.

Mais do que isso, o artista foi o único brasileiro citado nesta seleção que traz, ainda em 10º lugar o disco Revolver dos Beatles, em 2º o clássico After Math, dos Stones e, como grande campeão, White Light Heat lançado pelo Velvet Underground em 1968.

Entre 1978 e 1986, período em que foi contratado da Som Livre, Jorge Ben Jor – que ainda assinava Jorge Ben – deixou nos arquivos da gravadora, na Rua Assunção 443, algumas preciosidades inacabadas.

Duas décadas depois, esse tesouro ressurge em “Recuerdos de Asunción 443”. Com exceção de a “Falsa Magra”, gravada pelo sambista Branca Di Neve em 1987, e “Heavy Samba”, lançada com o título de “Um Poeta Amigo Meu” por Leci Brandão em 1989, todas as outras composições são inéditas e foram retrabalhadas em estúdio por Ben Jor, que encara o projeto como um disco novo. “São poesias urbanas e suburbanas dançantes, que dão prosseguimento ao que venho fazendo em minha carreira”, define.

Paralelamente ao projeto de inéditas, a Som Livre relança, pela primeira vez em CD, remasterizados, três dos sete discos de Jorge Ben na gravadora : “Dádiva” (1983), “Sonsual” (1984) e “Ben Brasil” (1986).

Duas décadas se passaram desde então , mas a recente revitalização do sambalanço, gênero que Jorge criou e popularizou, faz com que “Recuerdos de Asunción 443” soe bastante contemporâneo. É o que comprova o suíngue de “Falsa Magra”, mais uma das inúmeras musas anônimas idealizadas pelo poeta

– Feminina/ companheira/ sexy/ inteligente/ amante caprichosa/ sutil e maliciosa/

e gostosa/ Falsa Magra, onde está você?.

No disco, Jorge é acompanhado por um time de músicos da pesada que inclui Marcio Montarroyos, Leo Gandelman e Serginho Trombone, entre outros, com arranjos de Lincoln Olivetti. “Zenon Zenon” surge em ritmo de Latin Jazz falando de um poeta contundente/ muito sutil e contente/ avisou/ que Hermes três vezes o grande/ está com a gente. O poeta Zenon era um amigo de Jorge dos anos 70, ligado em alquimia, que estudou na Sorbonne e vive na Europa até hoje, onde os dois de vez em quando se esbarram quando Benjor sai em turnê.

“O Astro” e “Marron Glacé” foram escritas no final dos anos 70 para as novelas homônimas da Rede Globo, mas acabaram não aproveitadas. A primeira, com um belo arranjo de cordas, remete à fase “Tábua de Esmeraldas”. A segunda explora o naipe de metais e tem letra em espanhol, fato quase inédito na carreira de Benjor (“Maria Luiza”, do disco “Homo Sapiens”, de 1995, era a exceção).

Na medida do possível, Jorge Ben Jor procurou aproveitar os vocais e arranjos originais, acrescentando uma nova camada sonora. Em “Duas Mulheres”, que tem letra inspirada em uma de suas obras preferidas, o “Livro dos Seres Imaginários” do escritor argentino Jorge Luis Borges, ele dobra a voz e dialoga com si mesmo. Mesmo recurso utilizado em “Saint Lebowitz”, em que sobressai a base eletrônica.

O grito de guerra Alô Poeta, Alô Comanche abre “Heavy Samba”, que fala “de um poeta que queria falar com Deus”, referência ao amigo e parceiro Gilberto Gil (com quem gravou o ousado LP duplo “Gil e Jorge – Ogum-Xangô”). Outra homenagem à turma tropicalista é o sambalanço “Miss Mexe Gal”, que foi escrita para a cantora baiana na época em que ela lançou o histórico álbum “Fa Tal”, em 1971. Gal Costa gravou várias composições de Jorge (como “País Tropical”, “Que Pena” e “Tuareg”) .
Além dos fãs fiéis, Jorge Ben Jor vê o público de seus shows se renovar a cada ano.

As novidades não se restringem a “Recuerdos de Asunción”. Os discos que estão sendo relançados trazem faixas-bônus. Em “Dádiva”, foi incluída “Waimea 55000”, que fala “de uma onda de 15 metros que surge uma vez por ano no Havaí”, e traz à tona o lado surfista de Jorge – é, ele já teve até equipe de competição, a “Ben Surf”. Já na versão em CD de “Ben Brasil” foi incluída “Natal Brasileiro”, gravada para um quadro do programa “Fantástico”.

Os três últimos discos de Jorge Ben Jor em sua primeira passagem pela Som Livre trazem algumas pérolas de seu repertório que ficaram esquecidas. O explosivo samba-funk “Eu Quero Ver A Rainha”, em dueto com Tim Maia, que abre “Dádiva”, tem tudo para emplacar nas pistas de dança. Foi à primeira vez que Jorge gravou com Tim Maia, a quem homenagearia mais tarde no sucesso “W/ Brasil”. “Quando escrevi ‘Ive Brussel’, para o disco ‘Salve Simpatia’, quis reunir Caetano, Tim Maia e Roberto Carlos. Não foi possível.

O disco “Sonsual” contou com a participação de músicos do naipe de Antonio Adolfo e Paulo Moura, além de arranjos de César Camargo Mariano. Se no disco “Bem-vinda Amizade” (1981) ele já havia composto um samba-enredo (“O Dia Em Que O Sol Declarou Seu Amor Pela Terra”), dessa vez ele teve a idéia de gravar “Hooked On Samba”, um pout-pourri com os sambas das escolas que desfilaram em 1984.

“Ben Brasil” abre com “Roberto, Corta Essa”, sambalanço que costuma fazer parte do repertório dos shows de Jorge até hoje. “Sasaci Pererê”, originalmente composta para o especial de TV “Pirlimpimpim”, bota pra pular crianças de todas as idades. Em “Procura-se Uma Noiva”, brilha o piano de João Donato, com direito até a um solo aplaudido no final ( o momento piano play, como Jorge gosta de anunciar).

Com uma agenda de shows permanentemente lotada, Jorge Ben Jor pretende incluir em suas próximas apresentações, ao lado dos clássicos eternos que todo mundo sabe de cor, algumas das “novas” canções. Que, lógico, têm tudo para animar a festa. Salve simpatia!

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