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Dias Paredes,recent paintings' photostream |
Um pintor e suas imagens do inconsciente.
De repente
Um golpe de vento brusco implacável
Entra com força no quarto,
Degola as árvores lá fora, quebra a vidraça.
Um barulho vem rodando.
E uma visagem.
Murilo Mendes,
in O Visionário
O pintor paraibano Dias Paredes hoje vive e trabalha em Brasília, e se prepara para sua primeira exposição na capital federal. Sua pintura surpreende pela audácia nada provinciana de alguém que viveu sempre longe dos circuitos ditos importantes para a arte brasileira, mas como talento não tem lugar marcado para nascer, eis ai um talentoso pintor, ainda pouco conhecido, mas será um nome repetido e aclamado, disso não tenho dúvidas.
A pintura sugere um mergulho em águas profundas do inconsciente do artista dominado pelo gesto largo e espontâneo, transpirando inquietação, com formas em plena ação, produzidas muitas vezes em grandes movimentos giratórios, circulares, criando figuras, ora humanas, ora animais, como saídas de um inventário surrealista, prestes a atacar ou a escapar do suporte plano da tela em direção ao espaço como se fossem evaporar.
Como definir a linguagem da pintura desse paraibano de cor acobreada, misto de índio e negro, sotaque carregado e olhar perspicaz? Será ele um expressionista abstrato? De inspiração de um De Kooning, por exemplo? Ou sua pintura mescla uma figuração diluída na gestualidade da matéria para expressar paixões metafóricas de um mundo em transformação?
Talvez tenha sido essa a minha primeira sensação ao ver a obra de Dias Paredes numa galeria de arte em Natal, no Rio Grande do Norte. Durante muito tempo aquela imagem povoou a minha imaginação, a tal ponto que voltei à galeria e comprei a obra a fim de saber o que havia contido ali, naquela quase ausência de cor, uma espécie de monocromatismo desenvolvido em semitons. Mas havia ainda alguma coisa que me deixava perplexo diante daquele trabalho, uma espécie de inquietação angustiada, da metamorfose kafkiana de um ser vivo em transformação.
Compreendi, assim, que essas imagens do inconsciente do pintor tinham mesmo o poder de arrebatar, de prolongar uma longa viagem pelos recônditos caminhos do desconhecido, carregado de significados simbólicos, dispostos a provocar no espectador uma espécie de inquietação.
Prolonguei aquela ida a Natal até João Pessoa, para conhecer o artista. Nos encontramos no Convento de São Francisco da Paraíba, na atmosfera barroca daquela monumental arquitetura, enquanto ele desenrolava grandes telas. Me vi mesmo, diante de um pintor sofisticado, sólido, com uma obra que se desenvolvia coerentemente, aquelas imagens surgindo uma atrás de outras, com a mesma ambivalência em tornar-se, ora figura, ora pura abstração.
Agora Dias Paredes se prepara para uma exposição individual na Galeria Marcantonio Vilaça. Este texto tem a responsabilidade de apresentá-lo ao ambiente artístico de Brasília. Suas obras já foram expostas no Museu Afro - Brasil em São Paulo, e no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, na exposição Negras Memórias, Memórias de Negros. Em ambas as mostras, seus trabalhos marcaram a presença de um artista original, dono de linguagem própria, e, num momento em que a pintura foi dada como morta, ele prova haver sempre lugar para uma obra como a dele, construída pelo árduo oficio de um trabalho construído no silêncio e na solidão, da procura do falar pela forma, pela cor, pelo gesto, mas, sobretudo pelo inconsciente povoado dessas imagens que emergem ao espaço, dispostas a provocar e também a suscitar um mergulho no âmago da alma humana.
Assim, a obra do pintor Dias Paredes, revela um artista maduro, construindo seu alfabeto de sensações vibrantes, de cores agudas, de frases provocativas, de composições desconcertantes, mas, sobretudo, um artista à procura de sua real forma madura de se expressar, de emocionar, de revelar o seu lado mais precioso que é o seu inconsciente povoado desses seres, guardados pela ancestralidade da sua própria historia.
Emanoel Araujo
São Paulo, 21 de junho de 2006.
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- Name:
- Dias Paredes Paredes
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- May 2009