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Apaixonada?
Sim, sempre.

As paixões são muitas: avassaladoras e infinitas.

Pela literatura, fotografia e pelo mar.

Pelo cinema, mitologia e estrelas, que não precisam ser de primeira grandeza.

A paixão também aflora quando escuto em meus mergulhos - submersa no infinito mar azul -, o som mágico da tranquilidade.

Os sons continuam a me seduzir e invadida sou por um imenso torpor ao ouvir certas músicas, assim como, ao perceber o soar inconfundível da 'oitava' nota musical.

Tudo isso, misturado a alguma anarquia; com fartas pitadas de alegria; um muito de poesia; doses generosas de fantasia e muito amor, é claro!

O resultado, vê-se aqui, em minhas fotos: com suas cores, silhuetas, perspectivas e significados.

Em minhas preferências pela rima, leveza e beleza.

Pelo meu verbo livre, ardente e sedento.

Revelo-me, também, pelo riso solto, maroto e muitas vezes subversivo.

Pela minha resistência vã e pelo meu amor sempre, sempre, arterial.

Enfim, mostro-me através de meus pensamentos, prolatados em público ou ao pé do ouvido...
Durante as madrugadas frias, insanas e escarlates, ou, quem sabe, sob o sol a pino, em meio àqueles dias cinzas, formais e sem viço algum.
Tanto faz!

Eis-me aqui: completa, "azulada", única e fracionada.
Sete letras, nada mais: A D R I A N A.







"A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos..."
[Drummond]

D E S E J O ... :

Sangue pulsante e escarlate
Vidas reveladas sem disfarces
Fuga de tétricos enlaces
Aurora Polar rutilante
Vento Austral de Parral
Encontro de corpos arfantes
Fazer do tempo quimérico, real
Provar do fel e seu contraveneno
Amor de Poeta Chileno
Poesia concebida frente ao mar
Isla negra de meus sonhos
Neruda, em mim, sempre a ecoar
Languidez de corpos lassos
Desatinos e compassos
Nudez nunca castigada
Paixões pagãs e segregadas
O beijo teu em meio à fala
Sentimentos que perambulam pela sala
O aconchego do nosso quarto
Cobertor em dia nublado
Juras de amor ateu
Segredos embauzados
Gavetas que guardam raros bordados
Feitos sempre a quatro mãos
O som das velhas vitrolas
Nossos livros, nossa história
Retalhos de nobre tecido
Digitais e nossos vestígios
Teus sussurros, meus gemidos
O nosso ninho secreto
Fazer do profano, perpétuo
E do sagrado, a comunhão
Andar sobre telhados
Tomar banho de chuva
Beijar todo molhado
Amar em meio ao asfalto
Deleitar-me com suculentos frutos
Amoras chamejantes
Cerejas no umbigo
Segredos ao pé do ouvido
Ameixas escaldantes
Seus sucos estimulantes
Que escorrem de meus lábios
Inundando certos recantos
Que penetram com encanto
O infinto céu azul da tua boca
Deserto flutuantes
Ser esfinge devorante
Pirâmides cintilantes
Desejos revelados através do véu
A arte que aniquila a solidão cruel
Céu azul, o mar feroz
O verbo que faltava ao cordel
A tinta que penetra o papel
O anel que selou o nosso pacto
Riso oculto no retrato
Mordida na maçã
Nossa infinda febre terçã
A cor que tem a romã
O toque no orvalho
O aroma da hortelã
A mescla do doce ao salgado
A metamorfose das borboletas
O sábio ‘sopro de vida’ das Efémeras.
O balé mimético dos moluscos
Cheiro da Flor de Laranjeira
Receita de Bem-Casado
Ovo com manjericão
Alecrim em nosso jardim
Olhares que denunciam pecado
Orquídeas floradas no mato
Fogueira de São João
Desenhar o 8 deitado
Transformá-lo em infinito
Flores que desabrocham em sigilo
A Corola azul das Lobélias
As lendas sobre Edelwein
Os aneis de Saturno
Labirinto do Minotauro
A Alpha de Centauro
Românticas Luas azuis
Estrelas que se alinham em cruz
A Nebulosa de Órion
Revelações trazidas por Baco
Pactos de sangue a vinho regados
Raspa de fundo de tacho
Banhar-se em límpido riacho
Ver o filho crescer sossegado
Imagem nossa refletir
E nele acompanhar sugir
Alguns de nossos traços
Dormir depois do prazer
Gritar que amo você
Ver o dia amanhecer
Olhar pro lado e dizer
Você é parte de mim!






Set Me Free... by sugarock

"Lancei cordas de campanário a campanário; grinaldas de janela a janela; cadeias de ouro de estrela a estrela, e danço."
[Jean-Arthur Rimbaud]






Direitos Autorais: todas as fotos aqui publicadas são obras intelectuais de propriedade da autora (Adriana Gil Rodrigues), pelo que, nos termos da Lei Federal n. 9.610/98, a autora das mesmas possui os respectivos direitos morais e patrimoniais, não estando autorizado o uso de nenhuma delas por qualquer meio.

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March 2009
Currently:
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