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Designer,Cinegrafista, Editor e Diretor AudioVisual
Sobre minha percepção da imagem
Vivemos numa sociedade onde a informação e cultura, têm um tratamento predominantemente visual.
A comunicação contemporânea nos presenteia com uma variedade de imagens com características distintas, cujo crescimento desenfreado da mídia põem em realce o caráter de imediatismo, de aparente reflexo contemplativo e de duplicação da realidade.
A distorção ou manipulação de certas imagens, de maneira que estas em vez de serem um meio para descortinar a realidade, ocultam-na. Assim, existe um interesse geral em “esconder algo na imagem”, este algo não é mais que o seu próprio caráter de persuasão.
Toda a linguagem icônica é resultado de uma estratégia significativa e como tal persuasiva.
Relacionado com as idéias acima referidas Abraham Moles (1969) alerta para a necessidade de analisar a dimensão numérica do trânsito das imagens, capazes de condicionar o comportamento humano.
Assim surge a necessidade de falar de ”ecologia da imagem“ que se ocupa da pressão visual a que somos submetidos diariamente.
Necessário é também fazer a análise da comunicação e funcionamento dos discursos visuais, evitando a proliferação dessa espécie contemporânea que é o cego vidente .
Abraham Moles (1969) avança com um conjunto de características que permitem uma diferenciação das diversas espécies icônicas em termos quantitativos, como: grau de figuração de uma imagem, grande iconicidade, grau de complexidade, grau de ocupação do campo visual, espessura da trama e do grão, distintas qualidades técnicas, presença ou ausência da cor, dimensão estética e grau de normalização.
Outra distinção importante é a que se estabelece entre imagens figurativas e abstratas ou, se preferirmos, representativas e não representativas. As primeiras são aquelas que contêm informação sobre os objetos (situações, temas) diferentes da sua própria materialidade. Por outro lado as imagens abstratas ou não representativas, são aquelas que facilitam percepção, mas não a percepção espacial.
Cada imagem, seja publicitária institucional, educativa, etc., esforça-se por convencer à sua maneira. São indivíduos com opiniões próprias que produzem essas imagens e revelam orientações subjetivas e únicas. As imagens podem representar coisas que existem na realidade como outras que nunca tiveram entidade total .Assim podemos comparar o grau de semelhança entre uma imagem e o objeto representado como também o seu nível de originalidade. A interpretação da realidade é sempre modificado por quem a cria, pela técnica e pelo ponto de vista do observador.
Há no entanto certas características que nos permitem saber como pensar sobre uma imagem. A primeira é o grau de iconicidade , uma imagem é mais icônica que outra na medida em que tem mais propriedades comuns com o esquema perceptivo do próprio objeto. A medida que a imagem se deixa parecer com o objeto representado dificulta a sua decodificação.
Foi o psicólogo social Abraham Moles, com “A teoria da informação e percepção estética” (1969), que aprofundou a análise da criação científica e artística e dividiu, ou classificou o fenômeno da criatividade em tempos de concepção e textualização, subdividindo o primeiro em tempos de gestação, documentação e explicitação, e o segundo em tempos de redação, edição e socialização.
Na publicidade utilizam-se signos que não têm uma analogia direta com o objeto representado, mas têm um sentido simbólico repartido a nível consciente e inconsciente para a maioria dos espectadores.
A imagem utilitária, o esquema, o diagrama – diz Moles (1969), surge com a arquitetura ou a técnica que fizeram surgir o processo de abstração . Substitui-se um barco por um perfil, um homem por um pictograma simplificado e reduzido.
È todo um movimento da imagem abstrata que perde a valorização icônica em benefício de um significado e de um valor operativo. O signo abstrato, em definitivo, não é imagem de nada, é apenas uma codificação de algo: a sua significação.
Os meios audiovisuais, proporcionam uma representação da realidade, mas que em caso algum se deve confundir com a realidade.
Há imagens no entanto que têm um significado óbvio e único, que não oferecem ao espectador outras possibilidades de leitura do que aparece representado. A estas imagens denominamos monosêmicas.
A publicidade deve utilizar no entanto imagens que reduzam o nível de ambigüidade quando se deseja impor, um determinado produto no mercado, ou quando se pretendem realçar outras características.
Normalmente recorre-se a imagens polissêmicas pensadas previamente que proporcionam diferentes interpretações de acordo com o grupo social que as recebe.
Uma imagem pode ser constituída por elementos originais ou redundantes
Quando se criam novas imagens têm que se ter em conta os seguintes elementos: características do destinatário, o grau de iconicidade, o grau de contraste que se pretende alcançar ao comparar a imagem original com outras que abordam o mesmo tema., a disposição geográfica dos objetos organiza a sua interpretação , a apresentação dos objetos de uma forma inesperada por parte do espectador, a utilização da cor aplicada a critérios estéticos determinados, a finalidade da mensagem e a criatividade dos seus autores
A publicidade utiliza elementos comuns ou redundantes entre várias marcas com o objetivo de apresentar ao espectador os elementos com que ele está familiarizado, e com os que se sente mais identificado.
Para analisar ou ler uma imagem devemos diferenciar claramente dois níveis fundamentais, a denotação e conotação.
O nível denotativo refere uma enumeração e descrição dos objetos num determinado contexto e espaço.
O nível conotativo refere-se à análise das mensagens ocultas numa imagem, e na forma como a informação aparece escondida ou reforçada. É composta por todos os elementos observáveis: desde a menor unidade de análise, como o ponto ou a linha até aos objetos de volume variável e materiais diferentes .
Umberto Eco, escritor italiano, nascido em Alessandria em 1932., a princípio, dedicava-se principalmente a trabalhos de estética, com aceitação por parte dos estudiosos. Na ficção, obteve grande êxito com o romance O Nome da Rosa (1981).]
Para Umberto Eco (1985) a conotação é a soma de todas as unidades culturais que o significante pode evocar institucionalmente na mente do destinatário.
O poder evocativo de uma imagem não é o mesmo para todos, em linha de conta estão experiências e contextos próprios a cada pessoa que receberá de forma diferente.
È importante para compreender os fenômenos perceptivos, esquematizar a seqüência dos acontecimentos da visão. Com base nas propostas realizadas por Imbert (1983), Henry (1983) e Blackmore (1973), a análise centra-se na interação entre o conjunto das superfícies físicas e o seu comportamento na absorção ou reenvio da energia luminosa e a captação através do olho humano da luz a que chega dos objetos que se encontram no seu campo visual. A esta interação designamos de processo de visão.
Especificando um pouco mais nesta direção, diremos que o olho humano constitui um canal fisiológico e é o meio natural de passagem entre a emissão de uma mensagem e sua sensação resultante.
Esta perspectiva do conhecimento das partes essenciais do olho (córnea, cristalino, íris e pupila, humor aquoso e vítreo, retina ) realça a importância que os mecanismos da visão têm como ponto de partida para a formação de imagens na retina ( Imbert, 1983).
A partir do momento em que entendemos a percepção como um processo ativo, próprio ao ser humano, não podemos deixar de parte a relação existente entre estruturas cognitivas e o espaço onde estas se atuam.
Em todo o ato perceptivo está implícito um sujeito perceptor enquanto animal histórico e cultural. A teoria da percepção enfrenta assim o problema de condicionalismos culturais.
São várias as orientações para melhor compreender este problema:
•Um abandono das teses do absolutismo fenomenológico
•Capacidade de ver cada cultura em função dos seus sistemas de valores
•Distinção entre percepção espacial e sua representação
•Percepção da cor tem sido objeto de inúmeras tentativas para descobrir diferenças culturais e raciais.
Umberto Eco (1985) mostrou como a percepção do espectro cromático está baseado em princípios simbólicos, ou seja culturais. Pois somos animais que conseguimos distinguir as cores e acima de tudo animais culturais A percepção situa-se a meio caminho entre a categorização semiótica e a descriminação baseada em processos sensoriais.
O Ser Humano tem grande capacidade para descriminar as cores mas grande dificuldade em categorizar as fronteiras entre as mesmas. Para resolver esta discrepância e torná-la operativa no dia a dia, cada cultura adequa a valorização do espectro cromático às necessidades da vida prática que assentam em princípios culturais simbólicos.
A perspectiva artificial surge como tentativa de solucionar técnicamente a representação icônica dos fenômenos de tridimensionalidade do mundo natural (profundidade e volume) em suporte tridimensionais.
Uma primeira definição da «perspectiva artificialis» fazia referência à arte de representar os objetos sobre uma superfície plana, de tal maneira que esta representação fosse semelhante à percepção visual que se tem desses mesmos objetos .
Os seus pressupostos baseiam-se na criação de um campo perceptivo aparentemente tridimensional, que parece estender-se infinitamente por detrás da superfície pintada objetivamente tridimensional ( Panofsky, 1975, p. 182 )
Baseado nestas idéias surgiram frases como «olhar através de» e « de janela aberta sobre o mundo» que se identificam diretamente com a noção de perspectiva.
Quando Panofsky (1973) intitula o seu texto “A perspectiva como forma simbólica” estava a referir-se diretamente ao fenômeno de representação do espaço como construção ideológica.
A perspectiva surge numa época áurea, relacionada paralelamente com conquistas no pensamento filosófico, político e econômico.
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